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De olho na TV

A linguagem das ondas do rádio

Por Reinaldo Rosa | 07/08/2013 08:45

EM REDE - Gente de jornal impresso semanal veiculou matéria de capa sobre a problemática de legisladores do Estado ocupar espaço de jornalistas em emissoras de rádio e televisão. Pauta interessante que, aos poucos, vai atingindo dimensões nunca dantes imagináveis.

IMPROVISO ESCRITO - Por sua dinâmica própria, o rádio exige do locutor muito mais do que ensina a -filosófica- teoria dos bancos universitários. Improviso é célula mater de quem se dispõe a comandar programa ao vivo; intervalos entre uma palavra e outra é facilmente notado -e anotado- por ouvintes atentos. Modular improviso e português correto é para profissionais. Na pura acepção da palavra.

BABEL - Com o surgimento da frequência modulada foram criados programas diferenciados aplicando-se o bom gosto em produções radiofônicas americanas. Não demorou para que programas populares migrassem para a nova faixa. E a prática espalhou-se pelo mundo. No Brasil a maioria dos apresentadores tem características dos 'coleguinhas' e lá; e cá (em MS) a epidemia da mesmice.

ÍDOLOS AINDA SÃO OS MESMOS - No rádio, locutores iniciantes têm seus ídolos e, sem falsos pudores, os imitam durante determinado tempo até adquirirem características próprias. É normal e ninguém conseguirá desmentir o Velho Guerreiro Chacrinha que sempre afirmou que em comunicação "nada se cria, tudo se copia".

KAMIKAZE - Capacitados profissionais também são traídos pela pressa em fechar determinada pauta e, de imediato, passar para outra. Dia desses, a apresentadora do MSTV 1ª Edição, na TV Morena, finalizou matéria sobre queda de avião, em Jundiaí, São Paulo, informando que perícias apontariam 'se houve pane na aeronave'.

SABÃO - No mesmo noticiário -sobre corrida da caça do leitão em área enlameada- Osvaldo Nóbrega também deu sua 'contribuição'. Em entrevista com disputante que só não tinha barro na íris, o repórter perguntou-lhe se "agora vai tomar banho?". Pedro Bó vive.

FALA POVO - "Acho que está existindo um desencontro nos comentários. O que está sendo discutido não é a questão da propaganda eleitoral antecipada? Em caso de resposta positiva a regra e igual para todos, Bernal, Picarelli, Cazuza, Marcos Trad, Herculano Borges, Cabeludo, Coringa, entre muitos outros, seja quem for, fazem sim, propaganda eleitoral gratuita. No início não se discutiu se o programa tinha audiência ou não, até porque, a maioria citada não tem, o que deve ser analisado é se o programa é eleitoreiro ou não. Acho que uma coisa podemos afirmar: "todos são". Assim sendo, vamos criar regras para todos. Parabéns pela discussão em ato nível. Abraços. _TITO ORTIZ_

BATER EM CHICO E FRANCISCO - "Tito Ortiz, parabéns pelo lúcido comentário. Acredito que seria necessário separar quem é profissional de comunicação daqueles que se utilizam das verbas parlamentares para passar a atuar como radialista ou jornalista. De qualquer maneira, caso a Justiça Eleitoral reconheça que todos buscam captar votos antecipadamente em seus programas, que se aplique o dispositivo de maneira geral. Abraços". _LÚCIO MACIEL_

CENSURA NUNCA MAIS - O rádio continua sendo a escola de comunicadores capacitados e, não sem razão, coloca os melhores nas redes de televisão do país. Apenas a liberdade do primeiro ainda é incompatível com a pudica segunda. É comum a naturalidade de Ricardo Boechat desabafar - pelas manhãs na Band News- classificando de "bosta de um privilegiado funcionário da prefeitura", aconselhando o prefeito paulista dar-lhe "um pé na bunda".

DIREITO - Legisladores que alugam espaço em emissoras de comunicação citados na coluna, via rede social, são convidados a dar suas versões sobre o caso. Recusam o direito concedido e reclamam da pauta junto a outros profissionais de imprensa. Estranho.

ORDEM DAS COISAS - O improviso para locutor de rádio é como exame da Ordem dos Advogados; o índice de reprovação é muito alto.

ESCREVO, LOGO EXISTO - "Erros nós encontramos em toda mídia, inclusive nessa coluna que se ocupa em apontar dos deslizes alheios". Jornalista e publicitário tem em ambas as funções algo em comum; dão a cara à tapa após o trabalho pronto. O titular da coluna joga nas duas e, claro, possíveis erros são inevitáveis. Agradeço sua observação, caro Jonas Tralli; estou no mundo dos humanos.