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De olho na TV

Ouvindo e discutindo rádio

Por Reinaldo Rosa | 26/07/2013 09:28
José Silvério, da Rádio Bandeirantes, de São Paulo: Há cinquenta anos gritando gol pelos campos de futebol do mundo.
José Silvério, da Rádio Bandeirantes, de São Paulo: Há cinquenta anos gritando gol pelos campos de futebol do mundo.

MOTO PERPÉTUO - Empresário de comunicação trata a emissora como caixinha de música (de gosto duvidoso); jornalismo só o que "portaria ministerial" determina. Noticiosos mais longos, invariavelmente, vão ao ar caso equipes de profissionais da área se proponham pagar pelo horário; admiti-las com carteira assinada e outras exigências da CLT nem pensar.

CAÇA FANTASMA - No vácuo aparecem caça-votos munidos de verba para publicidade de atividade (?) parlamentar e rasgam princípios de conduta da profissão de comunicação. Martelam seus nomes junto a eleitorado não esclarecido, regam-lhe o bofe, travestem assessores de 'jornalistas'; fazem programas meia boca e pagam salários irrisórios. E a festa continua. Respeito às leis e aos ouvintes é barrado na porta.

INVERSÃO DOS FATOS - O poder de difusão radiofônica serviu -com resultados imensos e imediatos- como instrumento de expansão de igrejas de diversos credos. Não demorou para que políticos, leigos em práticas da comunicação, lançassem mão do artifício para cabalar votos. Com verba do contribuinte fica fácil.

FORA DE ESTAÇÃO - Profissionais -e neos- de comunicação com talento e tarimba para exercerem a atividade de jornalismo - no rádio especificamente - não encontram espaço em emissoras do estado. Contraditório raciocinar que para desempenhar suas funções jornalistas necessitem desembolsar verba para trabalhar em emissoras locais; legal - na acepção da palavra - é o contrário. Jornalistas contratados por 'políticos apresentadores' abrem mão do poder de opinar. Sem o menor escrúpulo, desenvolvem hercúlea tarefa de minimizar a máxima sobre o que muitos pensam sobre a classe política.

PALAVRA DO PRESIDENTE - "Edir Nunes, o DRT precário de jornalista é hoje acessível a praticamente todo mundo. De jornalista. O de radialista não. Asseguro que nenhum político teve deferido registro profissional de radialista sob minha gestão. E, Mara Lúcia, acredito que o debate aqui proposto é mais sério do que esse suscitado no seu texto. Vamos provocar o TRE/MS porque acredito que esse tema é importante pra sociedade. O próprio termo utilizado por você, "roubar votos", demonstra que algo está errado nisso tudo. E te informo: esses político-apresentadores não contratam profissionais coisa alguma. Fazem seus assessores exercerem ilegalmente nossa profissão. Pagos com dinheiro público". LÚCIO MACIEL, PRESIDENTE DO SINTERCOM/MS _

GRATO PELA GRAÇA ALCANÇADA - Na opinião do economista Roberto Wolf 'oportunistas que fazem carreira política a custas de programas de rádio e TV não difere de recintos religiosos'. Alega que doação de cestas básicas e graças alcançadas são práticas antigas e bem sucedidas. Para ele a solução é que 'a comunidade passe a educar seus filhos sobre o que significa ser votante' e deixe de lado o fator gratidão por migalhas que são oferecidas.

FALA POVO - "Pois é. De que adianta estudar, ter aulas práticas de radiojornalismo, fazer exercícios para melhorar a dicção (e ter uma boa dicção), corrigir vícios de fala, etc, etc, etc? No final das contas, o lugar de "radialista", "locutor" (sim, entre aspas!) vai para alguém que nem sabe para que serve tudo isso." MERIELE OLIVEIRA PEREIRA

FALA POVO II - "Dizer que graças a eles (políticos no rádio) temos emprego como editores, cinegrafistas, locutores e afins é a mesma coisa do 'rouba, mas faz'. Não se pode dizer que o mercado local é pequeno pois não o é, não se pode dizer que alimentam produtoras, por que não o fazem, fora que o padrão de qualidade é absurdamente precário para não dizer que chega a ser porco o serviço deles. Como pode um parlamentar com uma função específica na sociedade em que eu e você o contratamos, pode estar em horário de expediente exercendo outra função que não seja a de parlamentar? Não pode estar no ar em horário comercial, no mínimo deveria ser investigado. Se você escuta ou assiste um político na TV ou Rádio em horário de expediente ele, no mínimo, esta faltando no trabalho dele. Se você faltar, o que seu patrão faz? (fica a pergunta)." RODRIGO ROCHA

FALA POVO III - "Ramão (Cabrera) e Lúcio (Maciel), realmente importante que sejam tomadas as providências em relação ao espaço tomado por profissionais sem o devido registro profissional pra atuar em Rádio. Conheço muitos profissionais com DRT que estão "fora do ar" por falta de espaço nos veículos de comunicação!" EMERSON ROQUE PIRES

Pierre Adri optou por ficar fora das ondas do rádio de Campo Grande.
Pierre Adri optou por ficar fora das ondas do rádio de Campo Grande.