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28/08/2018 10:06

12 mil milionários saíram e os estrangeiros investem mais

Mário Sérgio Lorenzetto
12 mil milionários saíram e os estrangeiros investem mais

A manchete parece paradoxal. Enquanto os milionários brasileiros está fugindo do país, mais milionários estrangeiros investem em papéis brasileiros. Este é um claro sinal de desconfiança e mal estar exagerados no velho e surrado adágio protagonizado pelos ricos brasileiros de que "este país não têm jeito". Estão cobertos de razão ao não ver no mundo da política qualquer sinal de bem aventurança. Mas erram quando se trata de análise econômica.

O Brasil não está na lista dos oito países onde o capital internacional vem privilegiando há dois anos: China, Rússia, Índia, França, Itália, Indonésia, Egito e África do Sul. Mas os dados do Tesouro Nacional Brasileiro são claros: os não residentes detêm nada menos de 12,75% da dívida total do Brasil, o equivalente a R$453 bilhões. Estrangeiros acreditam no Brasil e os brasileiros mudam para Portugal. E mais, em um movimento inaudito pela greve dos caminhoneiros que derrubou toda a economia nacional, a dívida pública brasileira caiu 0,14% em julho, indo a R$3,7 bilhões.

Parece pouco, mas faz parte de um processo acelerado da recuperação da economia. Que só não registra dois índices importantes na coluna das boas notícias: desemprego e dívida da classe média (e dificilmente melhorará nos próximos meses). Os 12 mil desistentes da cidadania brasileira abdicaram de ganhar dinheiro em prol de uma vida mais saudável.

12 mil milionários saíram e os estrangeiros investem mais

O negócio do êxodo venezuelano: quanto vale um passaporte?

Os atrasos de mais de dois anos na expedição do passaportes derivaram em um mercado negro paralelo. Venezuela é um cárcere a céu aberto. Faz dois anos que o Sevicios de Identificación, Imgranción e Extranjería - SAIME - foi golpeado pela crise. Desde então os passaportes são escassos. Quem deseja sair, está preso no país. O sistema oficial não funciona e as máfias se alimentam da crise para vender passaportes a preços elevados. O preço oficial é de vinte centavos de dólar. O mercado negro, aquele que funciona cobra até US$5.500. A oferta depende do tipo de passaporte e da duração do trâmite e se é tirado em um consulado. O consular vale US$2.500 e a taxa de impressão são astronômicos US$3.000.

O escândalo é tão grande que até o Ministro do Interior, Néstor Reverol, foi obrigado a admitir a situação escabrosa. Destituíram o diretor da SAIME, prenderam alguns funcionários, criaram uma linha telefônica para receber denúncias... e tudo permaneceu como estava.
A única coisa que funciona perfeitamente na ditadura é a perseguição aos opositores. O SAIME invalidou prontamente 45 passaportes pertencentes a jornalistas, políticos opositores e seus familiares. A lista foi divulgada com estrondo em todos os meios de comunicação. São 45 pessoas que passaram a viver no limbo, moram no exterior sem documentação legal.

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Onde estão os venezuelanos forçados a fugir?

A América Latina não tinha vivido um êxodo migratório desta magnitude. Sete de cada cem venezuelanos abandonaram seu país desde 2014, segundo os dados mais recentes da ONU. A entidade também afirma que os que fogem são coagidos pela fome. Os países vizinhos os estão acolhendo com regularizações ordinárias ou extraordinárias e lhes acesso a trabalhos em serviços básicos.

Os milionários venezuelanos mudaram há tempo para a Espanha e Miami. Mas, ao contrário de minorar o êxodo, vem piorando. E aumentando a velocidade. Com o ritmo vertiginoso da chegada de venezuelanos em todas as fronteiras de seus vizinhos, as autoridades começaram a impor restrições porque temem um colapso dos serviços básicos. Também acelera a xenofobia copiada dos manuais de Trump, Matteo Salvini, János Ádler e outros propagadores do ódio. Os venezuelanos necessitam de passaporte para entrar no Peru. Equador impôs idêntica medida, suspensa por ordem do Supremo Tribunal. Muitos venezuelanos ainda não invadiram as fronteiras mais próximas de onde vivem exclusivamente por não disporem de, no mínimo, US$130 para pagar a passagem de ônibus, que, tal como os passaportes, vem cobrando preços abusivos.

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