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04/01/2018 09:25

2018 será o ano do salto da terapia genética

Mário Sérgio Lorenzetto
2018 será o ano do salto da terapia genética

Poucas notícias são mais esperadas que os avanços prometidos pelos cientistas para a terapia genética. Após três décadas de vacilações e reveses, a terapia genética está em condições de cumprir suas promessas e dar o salto para os tratamentos em todas as clínicas do mundo. Em agosto passado foi aprovado nos EUA o primeiro tratamento comercial para um tipo de leucemia de mal prognóstico e em 2018 se esperam os resultados das terapias que modificarão os genes implicados em outras patologias e tipos de câncer, entre eles o de pulmão.
O grande salto esperado se deve a uma nova técnica denominada "edição genética" ou CRISPR, sua sigla em inglês. Ela permite cortar e pegar genes ou porções do genoma a custos bem inferiores a de outros tratamentos que já foram tentados. Seu desenvolvimento têm sido vertiginoso. O mundo todo aguarda ansiosamente o 2018 da terapia genética, mas com alguma apreensão por ela permitir mudanças de determinadas características das pessoas. É possível que a técnica CRISPR seja pouco transparente e, em alguns países, muito cara. Ainda assim, é provável que essa seja a principal notícia de 2018.

2018 será o ano do salto da terapia genética

A contagiosa paixão pelas ciências.

A paixão pelas ciências e o desejo de contar seus avanços a todo mundo são sentimentos que andaram juntos em figuras como Stephen Jay Gould, Isaac Asimov, Carl Sagan e Richard Dawkins, que estão entre os grandes divulgadores científicos de todos os tempos

Isaac Asimov (1920 - 1992)

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Criança superdotada, Asimov começou seus estudos universitários com tão somente quinze anos. Chegou a ser professor de bioquímica mas, quando surgiu a oportunidade, deixou a docência e iniciou sua produtiva carreira de escritor científico. Publicou mais de 500 livros. Alternou entre a ficção científica e a divulgação de novos conhecimentos.
"A ciência é uma só luz, e iluminar com ela qualquer parte é iluminar o mundo inteiro". Escrevendo ficção científica criou as "Três leis da robótica" que apareceram pela primeira vez em "Runaround" (1942). Ampliou essa ideia no famoso "Eu, Robot" (1950).
Quando escreveu sua primeira peça que não era ficção científica, dedicada à hemoglobina, descobriu, para sua surpresa, que "escrever um artigo como esse levava menos tempo e era mais fácil e muito mais divertido que uma peça de ficção científica". Em 1954 saiu à luz seu primeiro livro de divulgação "A Química da Vida", escrito em apenas seis semanas. A princípio seu publico predileto eram os adolescentes "Creio que são os que mais necessitam uma introdução à ciência. Uma vez que passem dos dezoito é mais difícil influenciá-los", assegurava.

Stephen Jay Gould (1941 - 2002)

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Considerado por muitos o maior paleontólogo do século XX, este reputado professor da Universidade de Harvard completou as teorias de Darwin com novas ideias. Mas também soube se tornar um mestre da divulgação científica. "Não há nada que limite mais a inovação que a visão dogmática do mundo".
O livro que deu início a sua fama foi "O polegar do panda", com o qual obteve o prêmio American Book Award. Em suas páginas, partindo dessa raridade na natureza, o estranho falso polegar dos ursos panda, logrou explicar magistralmente os mecanismos da evolução.
A melhor estratégia de Gould foi sempre apelar para a curiosidade do público. Assim, explicava os conceitos mais complexos da biologia a partir de perguntas como: como podem algumas moscas desenvolver patas na boca? As zebras são brancas com listas negras ou negras com listas brancas? Porque nenhum animal se desloca sobre rodas?

Richard Dawkins (1941).

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Se existe uma obra imprescindível para entender a evolução essa é "O gene egoísta" (1976). O primeiro livro do biólogo evolucionista Dawkins conseguiu explicar o papel que jogam os genes na evolução. Descreve como os genes competem e, por outro lado, cooperam na geração da diversidade biológica.
"Prefiro não estabelecer uma separação clara entre a ciência e sua divulgação".
Tão claro tinha que investigar e divulgar deviam ir lado a lado que, além de converter-se professor de zoologia de Oxford, logrou ser o primeiro titular da cátedra "Para a Compreensão Pública da Ciência" dessa universidade. Uma ideia que saiu de Oxford para as universidades do mundo e que até hoje, não é pensada no Brasil, onde os professores falam e escrevem somente para eles e recebem dinheiro de toda a população. Em uma entrevista explicou a divulgação da ciência: "A compreensão científica do mundo, do universo - e em meu caso, especialmente da vida - é tão imensamente excitante, emocionante, poética, maravilhosa que seria uma lástima enorme se alguém fosse para a tumba sem conseguir apreciá-la. Por isso sinto um imenso desejo de ensinar às pessoas o tão maravilhosa que é a ciência".

Carl Sagan (1934 - 1996).

2018 será o ano do salto da terapia genética

Através da série de televisão "Cosmos", este astrofísico logrou transmitir como ninguém seu assombro perante o universo. Na época que Cosmos saiu, nada menos de 400 milhões de pessoas em 60 países acompanharam esse programa que até os dias atuais têm grande audiência na Netflix. Foi um divulgador nato que fez com que o mundo inteiro olhasse para o céu com curiosidade sobre as galáxias, as nebulosas, os sistemas solares, os planetas... Além de seu êxito televisivo, Sagan ganhou o Prêmio Pulitzer, em 1978, de Literatura Geral de Não Ficção pelos "Dragões do Éden".
"Depois de tudo, quando estás enamorado, desejam contar a todo mundo. Por isso, me parece uma aberração que os cientistas não falem ao público da ciência".
Sagan foi professor de Astronomia e Ciências Espaciais da Universidade de Cornell e investigador do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Participou do programa Mariner, da NASA, para Vênus. Deu instruções aos astronautas da Apollo antes de partir para a lua.
Defensor acérrimo da vida extra terrrestre, Sagan preparou as mensagens lançadas ao espaço exterior na sonda Pionner 10 (1972) e nas sondas Voyager (1977). Também foi sua a ideia de que a Voyager 1, quando a seis milhões de quilômetros, girasse sua câmera e fizesse a famosa foto da Terra "Um ponto azul pálido". Ele sempre quis colocar-nos em nosso lugar no Universo e conseguiu, com essa foto, dar uma ideia do quanto "Somos seres pequenos, a meio caminho em tamanho entre um átomo e uma estrela; somos vulneráveis", disse uma vez na televisão.

2018 será o ano do salto da terapia genética
2018 será o ano do salto da terapia genética

Demência e Alzheimer são pandemia silenciosa.

Os números são tremendos: mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de alguma forma de demência, incluindo os que têm Alzheimer. A cada ano surgem 2,5 milhões de pessoas com algum tipo de demência a nível global. As autoridades da área de saúde estimam que em 2030 existirão 75 milhões de pessoas com demência e, em 2050, serão 130 milhões.
"É uma pandemia silenciosa", como lhe chamou o Departamento de Saúde Mental da OMS. Há muito que pode ser feito pelos governantes e pela população para a prevenção, o principal é a adoção estilo de vida mais saudável. Tal como acontece com muitas outras doenças crônicas, também no caso das demências " os problemas cardiovasculares, a obesidade, o consumo excessivo de álcool ou a inatividade física são fatores importantes de risco", enumerou a OMS.



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