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14/03/2018 07:11

5 anos de papado. Um papa mais pastor que príncipe

Mário Sérgio Lorenzetto
5 anos de papado. Um papa mais pastor que príncipe

Jorge Mario Bergoglio cumpre cinco anos à frente do Vaticano. Em uma das maiores convulsões em que a igreja católica teve de enfrentar, pela primeira vez os cardeais tiveram de sacar um nome que não fosse da Europa. Apostaram em um homem que não saia das ruas de Buenos Aires. Um homem que sabia transitar na mais humilde favela e no maia alto escalão do governo peronista. Ele um peronista confesso que criticava a presidente Cristina Kirchner. Naquele 13 de março de 2013, a maioria dos 115 cardeais considerou que Jorge era adequado para decifrar a onda de protestos e mudanças que ameaçavam isolá-los entre os muros da cidade do Vaticano.
Cinco anos depois, a porta está aberta. O Vaticano passou por uma imensa transformação e o que não foi mudado, está em franco e indeterminado debate. O Papa Francisco deu o exemplo, abandonaram os privilégios. Hoje, um cardeal suntuoso é mal visto no Vaticano. Francisco deixou o Palácio Papal, vive uma humilde habitação. Trocou seu carro de luxo por simples Ford Focus. E foi ao encontro do povo. Abraçou e rezou com carinho. Os deserdados e a periferia social do mundo passaram a ocupar o centro do novo relato católico.
Melhoraram as relações com os divorciados, com as mulheres e com os homossexuais. Construíram um discurso a favor do meio ambiente. Francisco passou a viajar a lugares onde o catolicismo era irrelevante como em Bangladesh e Miamar. Outra importante, e talvez, decisiva mudança para o futuro, foi a abertura periférica da igreja católica com a nomeação de novos cardeais. Uma renovação que afetou 49 dos 115 purpurados futuros eleitores, aproximando-se da maioria. Em um raro momento da história do Vaticano, os cardeais europeus não são maioria.
Os grandes eixos administrativos, como a transformação da Cúria, a reforma econômica e a luta contra os abusos de menores, encontraram constantes resistências ao largo dos cinco anos. Acusaram Francisco de herege, pregaram cartazes em Roma contra seu pontificado e criaram dezenas de blogs com piadas. Apesar das resistências, Francisco soube bem dirigir e, principalmente, liderar o catolicismo mundial. Criou um trabalho com profundidade, sem pressa, mas todos os católicos têm de entender que o Papa, ao contrário do que imaginam, não têm poder absoluto. Na área econômica, reduziu o déficit, há novos órgãos de controle, contas suspeitas foram fechadas e há maior e verdadeira transparência. Há, ainda, uma possibilidade muito presente. É bem provável que Francisco siga o caminho demarcado por seu antecessor, Bento XVI, e, quando der por concluso seu trabalho, solicite a aposentadoria.

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Império Romano: a enormidade das estradas e a ausência de racismo.

"Todos os caminhos levam a Roma", diz uma frase histórica. A enorme rede de estradas calçadas que construiu em seus dias essa superpotência marcou o destino da Europa, do Oriente Médio e de parte da África. De fato, o poder de Roma transformou radicalmente a paisagem de parte do mundo. Pouca coisa havia que fosse mais transformadora do que uma nova estrada romana atravessando campos ermos e os enchendo de novos colonos. Os romanos, ao contrário do que mostram os filmes de Hollywood, impunham apenas uma obrigação a todos que ficavam sob seu controle: fornecer soldados para seus exércitos. E exército imenso como o romano - mais de 500.000 homens - necessitava de boas estradas.
No ano passado, enfim conseguiram montar um mapa - com as mesmas características de um de metrô - que mostrasse onde estavam essas estradas. É fascinante ver como uma tribo tão pequena se expandiu até extremos impensáveis e com um legado que perdura até nossos dias. Essas estradas continuaram a existir durante toda a Idade Média e serviram para que as atuais autopistas europeias fossem construídas em cima delas. Tinham um sistema chamado "cursus publicus", algo assemelhado a um serviço postal. Estações repartidas a intervalos regulares contavam com cavalos preparados para colocarem-se em marcha a qualquer momento. Adoravam as linhas retas, suas estradas eram sempre retas, ainda que tivessem que gastar mais para construí-las.

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Existe a ideia de que as estradas romanas eram formadas exclusivamente por grandes pedras. Em realidade, eram constituídas por cascalho e uma mistura de grandes e pequenas pedras. Se fossem como vemos nos filmes não seriam práticas para carroças e cavalos. Elas tinham uma estrutura de vários níveis. Também, ao contrário do que mostra o cinema, as estradas não eram construídas por escravos e nem por algum órgão governamental. Foram construídas por empresas privadas, as empreiteiras atuais.

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Os romanos não eram racistas, mas desconfiavam dos estrangeiros.

Recentemente um vídeo da BBC causou um enorme rebuliço na Inglaterra. Mostra um legionário romano de alta patente dando instruções a seus soldados para construir um forte a cada milha. Muitos pensaram que o vídeo era uma concessão ao politicamente correto que está sendo atacado em todo o ocidente, inclusive no Brasil. Não era nada disso. Há milhares de provas firmes da diversidade étnica dos romanos. Eles não se preocupavam com a cor da pele, mas desconfiavam dos estrangeiros, fosse qual fosse essa cor. Não havia cor de pele específica para escravos ou senhores.
Os resultados dessa concepção foram inovadores. Depois que o sucesso militar dos romanos teve início, eles conseguiram torná-lo autossustentável de uma maneira que ninguém conseguiu reproduzir. Há algo que não é divulgado: os romanos estenderam sua cidadania a algumas comunidades muito distantes de Roma. Às vezes, isso envolvia plenos direitos de cidadania e privilégios, incluindo o direito de voto ou de concorrer a eleições romanas, embora continuando a ser cidadão de outra cidade, inclusive das africanas. Em outros casos eles ofereciam uma forma mais limitada de direitos que eram denominados de "cidadania sem voto" (civitas sine suffragio). Havia também pessoas que viviam em territórios conquistados, em assentamentos conhecidos como colônias (coloniae). Estas não tinham nada a ver com o atual significado de colônia. Eram cidades novas, construídas após uma derrota militar, geralmente compostas por povos locais e colonizadores de Roma. Eram os "latinos". Podiam casar com romanos, realizar contratos e tinham trânsito livre. Era algo a meio caminho entre ter cidadania plena e ser um estrangeiro (hostis).



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