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19/11/2018 10:07

A crise dos excrementos de cavalo

Mário Sérgio Lorenzetto
A crise dos excrementos de cavalo

A fascinante história da chamada "Grande Crise dos Excrementos de Cavalo" de 1894 vem sendo utilizada para discutir o futuro da humanidade. O relato sempre começa com um vaticínio do diário londrinense The Times em 1894: "Dentro de 50 anos, todas as ruas de Londres estarão enterradas em baixo de três metros de excremento". A quantidade de fezes de cavalo gerada em algumas cidades em rápido crescimento era percebida como uma ameaça à própria civilização. Mas então chegou o inventor norte americano Henry Ford, com seus veículos a motor que substituíram os cavalos e as predições catastróficas sobre o tsunami de excrementos jamais foram cumpridas.

Esse é um dos muitos exemplos, que a muitos surpreende, da incapacidade dos humanos para prever como os incentivos econômicos podem produzir soluções tecnológicas para um problema que parecia insolúvel.

São os veículos autônomos, os robôs e os supercomputadores os precursores de uma onda de progresso tecnológico que varrerá os humanos da economia? Não se pode esquecer que, ao contrário dos cavalos, as pessoas podem escolher se aceitam se tornar economicamente irrelevantes. Não existe determinismo econômico.

Há certos problemas que exigem outro tipo de governança. Quem aplicará as "Conclusões do Grupo de Especialistas sobre as Mudanças Climáticas da ONU"? Estados Unidos, Europa, China e Rússia pensam conjuntamente? Pelo menos para essa pauta é possível a humanidade criar um governo planetário? No momento não enxergamos uma solução. A mudança climática é o excremento de 1894.

A crise dos excrementos de cavalo

A era da perplexidade.

Estamos em um período da história humana em que a tecnologia sacudiu os cimentos do mundo que conhecíamos. Os presidentes de dois dos maiores países do mundo, Donald Trump e Jair Bolsonaro, chegaram ao poder com campanhas à margem (e muitas vezes contra) dos grande meios de comunicação e usando em seu benefício as redes sociais. A irrupção de empresas como Uber no transporte, Airbnb no turismo está redefinindo o perfil das cidades e modificando profissões e formas de trabalho tradicionais. A ameaça dos fake news à democracia, a indefinição do futuro dos jovens e o uso de robôs no trabalho são só alguns dos exemplos desse terremoto que está nos deixando perplexos. Você está preparado para assistir e viver em uma nova era marcada pela incertidão? Preocupe-se. Procure caminhos. Eles não serão pavimentados por governantes. Esta também é a era do individualismo. Só você - e ninguém mais - dirige sua vida.

A crise dos excrementos de cavalo

O Top 5 da (in) cultura popular na saúde.

Ainda que estejamos rodeados por tecnologias da informação, seguimos sendo animais de costumes. Basta um clic para acionarmos vastos conhecimentos em todas as áreas do conhecimento humano, de qualquer época ou em qualquer idioma. Nunca antes na história da humanidade havia sido tão fácil aprender a tantos e tão diversos conteúdos. Todavia, há uma grande diferença entre ter acesso a grande quantidade de informação e estar informado. Parece ser impossível deixarmos de lado nossos costumes mais arraigados. Velhas tradições, expressões, refrões e o boca a boca da cultura popular seguem presentes. A saúde tem um espaço importante nessa (in) cultura popular. "De futebol e medicina, todo mundo opina". Mas há muito erros nessa (in) cultura. Vamos ao mais famosos, o Top 5 dos erros comuns na área da saúde.

1."Fiquei resfriado porque peguei um frio". É praticamente impossível atravessar um inverno sem ouvirmos essa fábula. A ideia está totalmente infiltrada nas mentes. O que pegamos é um vírus, em consequência dele, sentimos frio, junto com uma possível febrezinha.

2. "Não leia com pouco luz para não perder a vista". Como bem sabem os oftalmologistas, a leitura e outras atividades com pouca iluminação não afeta a capacidade de visão do olho. Só provoca fadiga visual.

3. "Os humanos só utilizam 10% do cérebro". Seria bom, se fosse verdade. Seria um raio de esperança sobre as capacidades intelectuais de milhões de pessoas. Desafortunadamente, usamos 100% da capacidade de nosso cérebro ainda que não de forma simultânea.

4. "Corte o cabelo para crescer com mais força". Os cabelos são matéria morta. Compostos de queratina alfa e células mortas, apesar da intensa propaganda fajuta de que existam shampoos e condicionadores para "nutri-los". Alguém já viu morto ser alimentado? Cortar cabelos nada tem a ver com aumentar ou diminuir sua "força". Aliás, Sansão só existe na mitologia.

5. "Se arde, cura". Quem não se lembra da mãe passando no corte da pele água oxigenada, álcool ou iodo? Para acalmar o menino choroso, só restava a elas esse mito. Era um ritual. Tais substâncias agridem os tecidos expostos no corte. Provocam dor e atrapalham a cicatrização. Atualmente, só usamos clorexidina ou povidona iodada.



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