As fazendas do MS do século XX eram semelhantes às da Roma antiga
É o ano de 1.900. Um fazendeiro sul-mato-grossense desperta ao amanhecer em uma choça de barro e palha. Não tem janelas - o vidro é muito caro. Não tem chaminé - a fumaça sai por um buraco no teto. O chão de sua casa é de terra compactada. Se levanta com fome. Sempre tem fome.
O conhecimento de seus avós.
Caminha pelos campos que trabalha. Usa os mesmos instrumentos precários e frágeis que seu avô usou. Planta hortas e pomares da mesma maneira que seu bisavô plantou. Cria o gado que encontrou pela redondeza. Se o tempo ajuda, terá carne e alguma hortaliça. Se é ruim, terá fome. Se é muito ruim, morrerá. A regra que aprendeu com seus ancestrais é que a cada três anos, um será difícil.
Um mundo curto.
Não sabe ler. Nunca viajou mais de poucos quilômetros de onde nasceu. Conhece, talvez, cem pessoas, em sua vida inteira. Seu mundo é pequeno, brutal, curto. Viverá aproximadamente quarenta anos ou menos. Um de cada três de seus filhos morrerá antes de completar cinco anos. Sua esposa tem grandes chances de morrer no parto. Uma enfermidade qualquer pode varrer o povoado próximo sem advertência nem explicação.
Não entende o mundo que o cerca.
Não tem ideia de por que as coisas são como são. Por que a vaca pare? Por que a alface cresce? Por que chove? Por que as pessoas estão sempre enfermas? São mistérios. Sempre foram. E aqui está o assombroso, o inquietante: sua vida é praticamente idêntica à de um fazendeiro do Império Romano. Dois mil anos antes. Dezenas de gerações. E nada mudou.
O fazendeiro voador.
Agora, imagine que pudesse transportar esse fazendeiro para nosso tempo. Colocá-lo em um avião - a magia que desafia a gravidade. Mostrar-lhe um hospital - onde as feridas se curam sem rezas. Dar-lhe um celular - um retângulo de vidro que contém todo o conhecimento humano. Seria absolutamente incompreensível. Mais além de sua capacidade de imaginar. A pergunta que deveria perseguir-nos, que deveria nos tirar o sono, é esta: o que mudou? A resposta é simples e altamente complexa: foram as inovações, a capacidade humana de responder a perguntas, de criar novas tecnologias. Nada, absolutamente nada, aconteceu nessa área no MS… e nem no Brasil. Copiamos. Somos meros copistas. Sem criar tecnologias avançadas jamais teremos um povo rico.
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