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21/03/2019 07:00

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

Mário Sérgio Lorenzetto
Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

A denominação da rua 14 de julho homenagearia a queda da Bastilha, ocorrida naquela data, que significou um marco histórico para a humanidade. A autoria foi do vereador Miguel Garcia Martins. Antes, a 14 de julho era chamada de Beco, porque ali existia um trilheiro deserto, curto e sem saída. O principal eixo comercial do passado de Campo Grande retornará a sua origem de Beco? A total ausência de planejamento das obras eliminará o comércio dessa via definitivamente? Mas, continuemos com o pré-réquiem...

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

Um trilheiro curto e sem saída, conhecido como Beco

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

Muitos nomes oficiais, mas para o povo, sempre 14 de julho.

Em janeiro de 1930, o deputado Aníbal Toledo foi eleito presidente (o mesmo cargo do atual governador) do Mato Grosso uno. O prefeito Antero Antonio de Barros, correligionário do presidente, mudou o nome de nossa principal via para Aníbal Toledo. A mudança foi oficial, mas o povo não a aceitou e continuou a denominá-la 14 de julho. Acontece que o presidente não durou mais de nove meses no cargo. Foi logo substituído pelo coronel Antonio Mena Gonçalves. E lá se foi o nome da rua, trocado para João Pessoa. Mas o povo não aceitou a denominação. Voltou a rua a seu nome primitivo, que os campo-grandenses jamais haviam abandonado. Era prefeito Carlos Hugueney Filho.
A rua 14 de julho, embora não seja a mais velha da cidade, por décadas, foi a mais importante. Também a mais comprida por muito tempo. Com o advento da Estrada de Ferro Noroeste e a localização de sua "gare", como chamavam a estação, ao norte da cidade, a rua passou a ser a mais comprida de todas as existentes. Era por onde o povo se divertia com o movimento da chegada dos trens. Campo Grande sempre foi um lugar de poucas distrações. E assim continua. Basta ver o sucesso dos admiradores de decolagens e aterrissagens de aviões nas proximidades do aeroporto.
Assim, é fácil entender que os comerciantes passassem a preferir esse logradouro para a instalação de suas lojas.

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?
Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

A pujança do Colégio Dom Bosco.

Outro fator de prosperidade da 14 de julho foi a instalação do Colégio Pestalozzi pelo professor Arlindo de Lima e seu colega João Tessitori. Em seguida, esse colégio teve o nome mudado para Ginásio Municipal de Campo Grande e, mais tarde, para Colégio Dom Bosco, dos padres Salesianos. Logo apareceram novas lojas em sua proximidade, tanto na "baixada", como denominavam a atual Avenida Mato Grosso, como no topo da rua, onde está, ainda hoje, a escola.

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

O carnaval dos corsos na 14 de julho.

Nos festejos de carnaval desenvolvia-se o famoso Corso da 14 de julho. As carruagens, depois substituídas por automóveis de capotas arriadas, percorriam o trecho principal. O vaivém era incessante, com moças e rapazes fantasiados a atirarem serpentinas, confetes, lança-perfumes de carro para carro, enquanto os blocos faziam sua batucada no meio da rua. E esse carnaval ressuscitado, na mesma região, encontra forte oposição na atualidade. As autoridades não desejam a sobrevivência da 14 de julho.
O melhor carnaval da 14 de julho foi o de 1914. Desfilaram pela rua nada menos de 14 carros alegóricos, sob os aplausos delirantes dos foliões. "Tatu" foi o carro premiado. Criticava a decisão do prefeito de mudar a localização do cemitério. À época, o cemitério estava na atual Avenida Bandeirantes e foi levado para onde hoje está situado - no final da Avenida Calógeras.
Odete, filha do tabelião Eduardo Santos Pereira, teve sua fantasia premiada e alcançou o maior sucesso, contava Paulo Coelho Machado. Era uma "pierrete" bonita e graciosa, disputada entre os jovens. A cidade criou fama também por seu carnaval.

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?
Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

O primeiro calçamento.

A 14 de julho recebeu seu primeiro calçamento no final dos anos 1920. O processo usado foi o "macadame" - de Mac Adam, inventor da técnica de pavimentação que consistia em uma mistura de pedra britada com saibro e compressão por máquina pesada, adicionando um pouco de piche e pó de pedra por cima. O prefeito era Jonas Correia da Costa que sabendo dessa novidade para pavimentar ruas, foi a Niterói, onde estava sendo testada. Sua execução foi bem planejada. Realizaram 600 metros de pavimentação por mês. Algo como quatro quadras mensalmente. Todavia, esse prefeito foi trocado por outro que postergou as obras. E por mais outro. Enfim, o primeiro calçamento da 14 de julho, por motivações políticas, levou 11 anos para ser concretizado.

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?
Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

O relógio, centro de referência da cidade.

Na confluência da 14 com a Avenida Afonso Pena, às 09 horas do dia 23 de agosto de 1933, foi inaugurado o famoso Relógio que se transformou em ponto de referência da cidade, local de grande reuniões e de comícios políticos. As badaladas eram ouvidas na cidade toda. A construção foi contemporânea à do Obelisco, durante a administração de Ytrio Correia da Costa. A iniciativa foi do coronel Newton Cavalcante, um militar descrito como enérgico, realizador e extremamente interessado em Campo Grande. Foi dele as ideias do Relógio, do Obelisco e da organização da primeira "Feira de Amostras", como eram denominadas as feiras agropecuárias. Dele, igualmente, a ideia de criar o Estádio Municipal de Futebol, que mais tarde tomou o nome de Belmar Fidalgo.

Chegou a hora do réquiem à rua 14 de julho?

Os pioneiros da 14 de julho.

Em 1920, a loja "Au Bon Marche" abria suas portas na esquina da 14 de julho com a Dom Aquino, onde, por muito tempo, funcionaria a Frutaria Califórnia. Seu proprietário era Félix Naglis, proveniente de Corumbá, onde tivera uma loja. Nascido no Líbano, veio ao Brasil ainda criança. Sua primeira atividade foi a de mascatear na Minas Gerais, Rio de Janeiro e Buenos Aires.
Depois de quatro anos em Campo Grande, Naglis inaugura, em maio de 1924, o Palace Royal, também na 14 de julho, mas na esquina da Barão do Rio Branco. Era, inicialmente, uma loja voltada para artigos masculinos, esportivos e militares. Teremos de reconstruir a história das lojas que ainda persistem na 14 de julho? Eles não suportam mais os constantes cortes de energia elétrica, falta de água, cortes de asfalto que voltam a ser cortados... a total ausência de planejamento para remodelar a 14 de julho. Há meses, o sonho virou pesadelo.



Achei muito interessante e bacana essa viagem pela história da rua 14 de julho.
Mas, acho um pouco exagerado atribuir às obras do Reviva as agruras dos comerciantes.
O principal motivo do "sofrimento" dos comerciantes é a falta de vendas que é resultado da continua perda de renda da população e que não há nenhum sinal de que vai melhorar.
O que temos por enquanto é o presidente fazendo viagens bizarras.
Uma obra do porte do Reviva vai transformar a 14 de julho em um local agradável como existem em cidades mundo afora.
Tenhamos paciência.
Esclareço que não sou nenhum fã do prefeito.
 
Critico em 21/03/2019 09:29:42
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