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09/05/2017 07:05

Como perder o título de campeão de infartos

Mário Sérgio Lorenzetto
Como perder o título de campeão de infartos

As doenças cardiovasculares são responsáveis por 31% de todas as mortes. Quando perguntamos a um campo-grandense se sofre de doenças do coração a resposta correta é: "ainda não". A principal causa dessas doenças são nossos hábitos alimentares ligados ao consumo excessivo de carnes (Campo Grande é campeã no consumo de carne bovina), gorduras, alimentos industrializados e fast food.

A Finlândia tinha esses mesmos problemas em 1970. Soube enfrentá-los. Naquela época, os finlandeses consumiam toneladas de salsichas, manteiga, leite integral e muito, muito sal. Esses fatores fizeram com que a Finlândia tivesse o título de "país com a mais alta taxa de doenças cardíacas do mundo". Um percentual elevadíssimo de pessoas morria de infarto. Foi quando o governo incumbiu um médico, com mestrado em ciências sociais, da tarefa de resolver a situação, chamava-se Pekka Puska.

Em pouco tempo a queda da mortalidade foi drástica e o estilo de vida dos finlandeses se tornou referencia mundial, o estilo que todo médico preconiza para seus pacientes. Tudo começou com a queda de um mito: acreditavam que por desenvolver um trabalho pesado, especialmente no corte de árvores, tinham de se alimentar com muita gordura. Frutas, e vegetais em geral, não existiam nas tradições alimentares. Passaram a ensinar que o consumo de gordura não era problema, mas havia a necessidade de incluir vegetais na alimentação.

Como perder o título de campeão de infartos

A mensagem de mudança alimentar não pode ser negativa

O primeiro ensinamento para os finlandeses - que serve para nossos médicos, nutricionistas e funcionários do sistema público de saúde - foi apresentar apenas ideias positivas. Nada de: "Não coma gordura e sal". A proposição era: " Aproveite a comida boa para a saúde de seu coração". As estratégias eram as mais diversas, mas iniciaram com uma forte campanha para a mudança de pratos tradicionais, apenas incluindo vegetais. "Pode continuar comendo suas salsichas, mas coma uma maçã". O arroz com feijão dos finlandeses era o "cozido da Carélia", feito fritando pedaços de carne com muito sal e manteiga. Mudaram para o mesmo prato usando óleo de oliva ou quase nenhuma gordura para fritar, acrescentaram verduras variadas e retiraram um bocado de sal. Quando restaurantes reduziam o sal, mostravam em cada mesa a quantidade não utilizada.

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Campeonato de redução do colesterol e a "guerra das frutas"

Algumas iniciativas marcaram época na Finlândia. A primeira foi uma espécie de reality show denominado "Campeonato de Redução de Colesterol". Os moradores entravam nas casas uns dos outros para comprovar que havia vegetais nas geladeiras. Filmavam e exibiam na televisão. Premiavam os vencedores. O sucesso foi estrondoso.

Em 1977, ampliaram as iniciativas e atacaram as práticas agrícolas. O grande problema eram as frutas pois no clima gelado da Finlândia há poucas possibilidades de cultivo. Estudaram e propuseram, com subsídios, o plantio de algumas frutas silvestres deliciosas e boas para a saúde. Reduziram a criação de gado em favor das frutas. Retiraram os benefícios para o gado e aumentaram os subsídios para as frutas. Houve cooperação, mas também oposição. Nos episódios, hoje conhecidos como "guerra das frutas", foram desafiados por um dos mais poderosos protagonistas da economia do país. Todo o setor da pecuária - de carne e leiteira -, incluindo produtores e fabricantes, resistiu com veemência, mas desistiu, após algum tempo, de se entrechocar com a melhoria da saúde da população.



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