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Em Pauta

Conhecemos o coração há 4 mil anos e ele continua matando 1/3

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 21/08/2026 08:55
Conhecemos o coração há 4 mil anos e ele continua matando 1/3

As primeiras descrições físicas do coração e seu funcionamento foram encontradas em três papiros médicos egípcios: o papiro Edwin Smith - tido como o primeiro texto cirúrgico da história - o papiro Ebers e o papiro Brugsch. Acredita-se que eles tem mais de 4.000 anos.


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O coração do mamute.

Em 1.908, arqueólogos descobriram a pintura rupestre de um mamute com um coração vermelho nas paredes de uma caverna nas Astúrias da Espanha. A pintura tem algo como 20.000 anos. O artista pré-histórico sabia que a melhor maneira de matar esse animal era dando uma flechada no coração. Foi a primeira vez que o coração apareceu como obra humana. A arte o descreveu antes da medicina. Podemos afirmar que o coração “nasce” nessa caverna.


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O coração dos iraquianos e iranianos.

Quando, há aproximadamente 12.000 anos, os humanos começaram a viver em cidades no atual Iraque e Irã - chamamos de Mesopotâmia - eles descobriram que o coração determinava a vida. Tomaram o pulso de um rei e afirmaram, pela primeira vez, que estava morto. Aprenderam que nossos corações batiam e que sua pulsação reverberava por todo o corpo. Foi também nessa época que os humanos passaram a extirpar corações de seus inimigos como uma oblação ao deus sol Shamash. Um tipo de sacrifício que a imensa maioria dos humanos, de todos os continentes, passaram a adotar.


Conhecemos o coração há 4 mil anos e ele continua matando 1/3

Como pode tanto avanço dar tão precários resultados.

A cardiologia, mais que qualquer outro campo da medicina, esteve na vanguarda da inovação ao longo do século passado. Angioplastia coronária com globo e cateter, os stents, os marcapassos, os desfibriladores e as cirurgias de baipás coronário são alguns desses avanços. Também passaram a combater com força o colesterol. Tudo isso contribuiu para a diminuição das mortes cardiovasculares. Mas a taxa de mortes por problemas cardiovasculares continua firme e forte na casa de um terço da população. O coração mata mais que qualquer guerra ou doença.


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China: magros morrem do coração.

Tenho outra indagação. Quando estive na China não consegui visualizar um só chinês obeso ou acima do peso. Vi milhares deles, todos magros, sem exceção. Imaginei que as mortes ocasionadas por problemas cardíacos seriam raras naquele país. Mas descobri que as taxas de mortes por problemas cardíacos são iguais às dos países ocidentais. Um terço dos chineses morre de problemas cardiovasculares. E quase todos são magros. Como explicar esses dois paradoxos? Enormes avanços e um país que cultua a magreza não eliminaram a morte do coração.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.