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30/12/2017 08:05

O Bom Samaritano. Religião e bondade

Mário Sérgio Lorenzetto
O Bom Samaritano. Religião e bondade

A trama inicial se passa em Corinto, na Grécia, por volta do ano 50 de pois de Jesus Cristo. Na época, ninguém usava esse calendário que hoje usamos - antes de Cristo (a. C. ) e depois de Cristo (d.C.). No início, assistimos à chegada de um pregador itinerante, que abre um modesto ateliê de tecelão. Sem se mover de seu tear, aquele que mais tarde será conhecido como São Paulo fia sua trama e, gradualmente, influencia a imensa maioria da cidade. Calvo, barbudo, vítima de repentinos surtos de uma doença misteriosa, ele conta com uma voz grave e insinuante a história de um profeta crucificado, vinte anos antes, na Judeia. Afirma que esse profeta voltou dos mortos e que essa volta dos mortos é o sinal precursor de uma coisa prodigiosa: uma mutação da humanidade, ao mesmo tempo radical e invisível. O contágio se opera. Os adeptos da estanha crença que se propaga em torno de Paulo, entre quase todos os pobres de Corinto, logo passam a ver a si próprios como mutantes: camuflados em bons amigos e vizinhos.
É uma comunidade de párias e, ao mesmo tempo, de eleitos aquela que se forma em torno desse acontecimento assombroso: uma ressurreição. É a história de uma coisa impossível, que, não obstante, convence. Parando para pensar, é uma coisa estranha. Como explicar que pessoas normais e inteligentes acreditarem em uma ideia no mínimo esdrúxula como a religião cristã? Um negócio exatamente do mesmo gênero da mitologia grega ou dos contos de fadas. Nos tempos antigos, vá lá: as pessoas eram crédulas, a ciência engatinhava. Mas hoje! Um sujeito que hoje acreditasse em história de deuses que se transformam em cisnes para seduzir as mulheres mortais, ou em princesas que beijam sapos, todo mundo diria: é louco.Ora, milhões de pessoas acreditam em uma história como essas e esse monte de gente não passa por louco. Mesmo quem não compartilha dessa crença leva essa gente a sério. Essa pessoas têm um papel social respeitado e, no geral, positivo.
Muitas pessoas acreditam. Vão à igreja, rezam o Credo, cujas frases são, sem exceção, de um português rococó, obsoleto, que supostamente compreendem. Isso faz parte de costumes seculares e belos aos quais eles são apegados. Perpetuando-os, proclamam um laço, digno de orgulho, com o espírito que concebeu a música de Bach. Eles o tartamudeiam, porque é tradição, assim como os outros, pessoas "descoladas" para quem a academia de ginástica substituiu a igreja, tartamudeiam as ordens dos personal training. Nesse mantra, contudo, desejam que os homens e mulheres vivam em paz. Ainda que brevemente, deixam-se contagiar pelo mandamento de São Paulo de ser sempre alegre e de procurar a bondade.
Creiam, aqueles de Corinto, que adoravam o deus único de São Paulo, pregavam pelo exemplo. Eram graves, industriosos, totalmente isentos de frivolidade. O amor exigente e caloroso que manifestavam incitava a imitá-los.

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Os religiosos são mais bondosos?

Será que pessoas religiosas, como a Irmã Silvia do São Julião ou como Güner Hans do Hospital do Pênfigo, são mais generosos do que pessoas menos religiosas? Para tentar responder essa antiga indagação umn artigo publicado na renomada revista científica "Sciense", assinado por Ara Norenzayan, buscou sistematizar o que conhecemos sobre a origem da "bondade" ou melhor, de um conceito mais amplo e definido- a "pro-socialidade" religiosa. Ou seja, o suposto efeito facilitador que a religiosidade exerce na generosidade que as pessoas costumam exibir. De maneira ampla, esse e outros estudos, indicam que a religiosidade de uma pessoa é uma variável influente na pro-socialidade, principalmente quando as pessoas podem promover, através de suas ações, uma imagem boa delas mesmas.
Um dos mais divulgados estudos nessa área, usou a parábola do Bom Samaritano para negar o papel da religiosidade nas ações que envolvem níveis de bondade. Os participantes tinham de passar por um indivíduo caído no chão e que parecia estar doente. Nesse caso, religiosidade não se mostrou um instrumento importante para a pro-socialidade, mas foi apenas neutro. Apesar de ter sido amplamente divulgado, é um estudo contra dezenas de tantos outros que demonstram o contrário. Todavia, demonstram também que, via de regra o efeito da religiosidade sobre a pro-socialidade tende a ser momentâneo.

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Voltaire ficou rico graças a um erro da loteria francesa.

Os sorteios de fim de ano fazem muito sucesso em todo planeta. No Brasil, todos falam, e apostam, na Mega da Virada, que neste ano oferece a incrível quantia de R$240 milhões. Loterias com prêmio gigantesco também fazem sucesso nos EUA - Powerball - e na Espanha - El Gordo. Mas há muitos que não apostam nas loterias. É costumeiro ouvir que elas são impostos que gravam os que não entendem de matemática. A não ser que uma loteria não seja bem pensada, porque então, é uma oportunidade para os matemáticos. E isso já ocorreu. Voltaire e seu amigo Condamine ficaram ricos, há mais de 300 anos, graças a um erro na loteria francesa daquela época.
Em 1728, o governo francês não conseguia pagar seus credores. O ministro da fazenda criou uma saída para o pouco que poderia quitar. Ofereceu aos donos dos créditos a possibilidade de comprar números da loteria por uma milésima parte de seu preço. Quer dizer, para a população em geral, um número da loteria valeria 100 libras, para os credores do governo um número custaria tão somente 1 libra. Havia um sorteio especial e mais um a cada mês.

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