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Em Pauta

O fazendeiro do Mato Grosso do Sul não tinha escravos

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 11/06/2026 07:00
O fazendeiro do Mato Grosso do Sul não tinha escravos

A escravidão no Brasil durou mais de 350 anos. É considerada o sistema mais longo de exploração humana nas Américas. O Mato Grosso do Sul, no entanto, não faz parte de história perversa. Em seu imenso território, a mão-de-obra escravizada é quase inexistente. Dá para contar nos dedos das mãos os raríssimos casos de negros escravizados. O que motivou os fazendeiros do MS a não aderirem à escravização? Como os do vizinho Mato Grosso tinham milhares de escravos e os daqui nem sequer aventavam essa possibilidade? Nossos fazendeiros tinham superioridade moral? Conheciam as ideias de Adam Smith demonstrando a burrice de empregar trabalho escravo obrigatório?


O fazendeiro do Mato Grosso do Sul não tinha escravos

A lavoura canavieira e o trabalho escravo do MT.

Uma das melhores explicações para a diferença entre os fazendeiros do norte e os do MS está nas lavouras canavieiras. O escravo foi utilizado como força de trabalho indispensável à essa lavoura trabalhando nos engenhos. No Mato Grosso, além da superexploração, eles tinham de garantir seu próprio sustento. Ao lado dos canaviais, mantinham roças de milho e mandioca. Após realizar suas duras tarefas diárias, dedicavam o tempo de descanso à agricultura de subsistência. O fazendeiro cuiabano, com isso, eliminava a preocupação de alimentar seus escravos.


O fazendeiro do Mato Grosso do Sul não tinha escravos

As imensas fazendas do MS não tinham escravos.

O tamanho das fazendas matou a ideia de ter negros. A extensão das propriedades e a peculiaridade de correr atrás de vacas selvagens, obrigava os trabalhadores das fazendas ao deslocamento pelos campos, situação vista como um empecilho para o uso da mão-de-obra escravizada. Seria necessário um mecanismo de repressão excessivamente brutal para controlar o escravo. O proprietário perderia seu capital, pois o escravo poderia fugir ou morrer por causa das febres ou vitimado pela inexperiência com o tipo de trabalho. A opção dos fazendeiros do MS foi pelo trabalho livre dos indígenas e dos paraguaios que aqui permaneceram após a guerra.

 

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