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10/02/2018 08:17

O Paraguay, o primeiro navio refrigerado que levou comida

Mário Sérgio Lorenzetto
O Paraguay, o primeiro navio refrigerado que levou comida

No início do século XIX ocorreu um grande salto em velocidade. Foi criado o motor a vapor. Sem o vapor, mesmo o mais veloz dos veleiros britânicos levava 110 dias para uma viagem de ida e volta entre Londres e a China. A imaginária volta ao mundo em 80 dias de Júlio Verne estava distante. Tudo isso mudou em 1807, quando Robert Fulton inventou o barco a vapor. Os custos de frete caíram dramaticamente, e o volume de mercadorias negociadas entre grandes países aumentou rapidamente de 20 milhões de toneladas em 1840 para 88 milhões de toneladas nos anos 1870. As taxas de frete caíram 70%.
O lançamento do Paraguay, o primeiro navio refrigerado, projetado pelo engenheiro francês Ferdinand Carré, criou um novo setor no comércio de longa distância: comida fresca. Carne brasileira, argentina, uruguaia e norte americana passaram a alimentar populações europeias famintas. Tecelagens japonesas misturavam algodão dos EUA com o indiano e chinês. Estavam criadas as "commodities". Com o vaor, o Atlântico e o Pacífico foram reduzidos a lagos. Continentes viraram pequenos principados. O supermercado global começou a ganhar forma no século XIX. Só o advento do transporte aéreo de cargas encolheria tanto o mundo.
Para o território que viria a ser o Mato Grosso do Sul, toda essa transformação redundou em uma guerra. A grande questão jogada entre os interesses do Império Brasileiro e do governo de Solano López era o domínio das águas do Rio Paraguai, caminho natural das mercadorias - carne bovina, essencialmente - para o Atlântico, e dali para a Europa. O navio a vapor refrigerado, motivo de orgulho paraguaio, só estava presente nas batalhas do lado oposto. O canhão substituía a refrigeração.
Essa estrada líquida é ineficiente no século XXI. Com são ineficientes as estradas de asfalto. As ferrovias são estradas noturnas, onde se formam os sonhos e devaneios.

O Paraguay, o primeiro navio refrigerado que levou comida

O contêiner e o Ideal-X.

Uma das maiores quedas nos custos de transporte da história foi produzida por um empresário de caminhões da Carolina do Norte (EUA) chamado Malcolm Mclean. Seu plano de colocar carretas carregadas em vapores levou à criação do primeiro navio de contêineres do mundo, o Ideal-X. Em 26 de abril de 1956 o Ideal-X foi carregado com 58 contêneires em apenas oito horas. O custo do frete caiu 97%. Isso levou a uma nova era nos transportes que continuamente produziu novas reduções no custo dos fretes. Os maiores navios de contêineres, apelidados de "navios-monstros", carregam contêineres equivalentes a uma fila de 32 quilômetros de caminhões. Um carro pode ser entregue em qualquer parte do mundo por um frete inferior a US$500. Embora esses navios não consigam uma velocidade superior a vinte nós, o grande volume de carga e a velocidade com que podem ser carregados, descarregados e facilmente transferidos do navio para o caminhão ou trem, reduziram bastante o custo do frete. A maior perseguição que deveríamos fazer é a retirada das pedras do leito dor rio Paraguai, fator decisivo de ineficiência no transporte aquático do Mato Grosso do Sul.

O Paraguay, o primeiro navio refrigerado que levou comida

Tio Sam não os abençoará.

No Brasil, o pobre quer ser classe média. A classe média deseja ser rica. O rico sonha ser milionário. E o milionário quer morar nos Estados Unidos. Os devaneios das classes sociais brasileiras são os mesmos de seus políticos. O político que deseja alçar o maior voo no Brasil - a Presidência da República - procura receber as bençãos de Tio Sam, antes de enfrentar as buchadas de bode, os chantagistas e os insetos da campanha eleitoral.
Assim tem sido com Meirelles. O ministro da Fazenda, com trânsito nos EUA, por ter presidido banco norte americano, vende-se, com frequência, ao Tio Sam. O resultado é zero.
Com Maia não é diferente. O Presidente da Câmara mais mal vista de nossa história, para consumo doméstico diz que "nem pensa em concorrer". Mas andou pela terra do Tio Sam tentando vender seu peixe liberal. Também o candidato dos extremistas, Bolsonaro, que é apaixonado por Donald Trump, já andou pelos EUA tentando convencer que suas ideias medievais no campo dos costumes, são liberais na economia. Nenhum dos três teve boa acolhida. Tio Sam os esnobou soberbamente.
Outros dois nem mesmo ensaiaram preparar as malas para bajular Tio Sam. Alckmin só se preocupa com a árvore de tucanos bicando uns aos outros até a morte. Entre penas voando para todos os lados e a governança do mais rico Estado do Brasil, só lhe resta fôlego para se alimentar e dormir. O verão está derretendo o picolé. Com Lula da Silva é diferente. Só lhe restam indagações. Se preparar a mala será revistado até o dia em que descubram um fundo falso ou mesmo um zíper falso. Se chegar ao aeroporto, entrará no avião ou lhe tomarão o passaporte? Se pousar em Miami, será para campanha ou estabelecer residência? Será recebido por seu "outrora amiguinho" Obama ou o ex-presidente dos EUA encontrará uma desculpa mui sincera como: "vovó está com dores nas costas"? Visitará Pasadena e a usina da Petrobras?
A verdade é uma só. Tio Sam não têm interesse algum nos políticos brasileiros. Nunca teve. Tanto Vargas, Lula como os presidentes militares do passado foram, quando muito, meros marionetes de seus maiores interesses (Base Militar no Rio Grande do Norte, Venezuela vassala de Cuba e Guerra Fria, respectivamente).



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