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Em Pauta

O que nos conta os 40% de aprovação do governo Bolsonaro

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 25/09/2020 06:40
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade
O bolsonarismo mais do que nunca aprova e acredita em pesquisas eleitorais e de avaliação governamental. Está em festa. No mesmo dia que o Ibope trás um vertiginoso crescimento de aprovação de seu governo, de 29% para 40%, o DataFolha notícia a frente de 9% do candidato escolhido por Bolsonaro para disputar a cidade de São Paulo. Mas, esses números vieram para ficar? São estáveis?


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O conceito da Bolsa Seiscentão.

Abram um jornal. Assistam um noticiário televisivo. Criou-se unanimidade de que o crescimento de Bolsonaro é devido aos R$600 entregues durante a pandemia para os desvalidos. A maioria complementa: após cessar a entrega dos R$600, Bolsonaro voltará aos patamares de 30%, dados por seus fiéis seguidores. Raciocínio simplista. Sem duvida, a miséria retornará a muitos lares em pouco tempo. Mas não discutem algo fundamental na política: a memória popular. Votem ou não no Bolsonaro, a imagem da truculência bolsonarista esvaziou. Parcela importante da população que recebeu a Bolsa Seiscentão, ficará agradecida ao presidente. A rejeição ao Bolsonaro dificilmente retornará com força. E a rejeição é tão - ou mais - importante que a aprovação de um governo.


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O negacionismo ambiental.

A pesquisa realizada pelo Ibope também trouxe uma informação fundamental: o governo Bolsonaro é rejeitado por 57% no quesito  área ambiental. Bolsonaro começou errando em muitos ministérios. Fez más escolhas. Ditou regras inconcebíveis. Mas está passando por um processo de mutação muito grande. Apenas um exemplo: defenestrou o provocador do ministério da Educação, e lá colocou um substituto palatável para essa área.
No mundo todo, uma das ideologias que mais despertam paixões é a do ambientalismo. Hoje, é muito mais forte que o esquerdismo. Passou da hora de Bolsonaro colocar na pasta ambiental alguém que possa conversar com os ecologistas, sem usar do estilingue do negacionismo. Essa ideia do negacionismo é uma arma de baixo calibre, não chega a ser uma espingardinha de pressão.



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Guedes, o posto sem combustível.

Todo governo tem uma figura que cai no ridículo. E, sequicioso pelo poder, nele permanece, dando unhadas. Guedes é o ministro que deveria ter pedido para ir embora há muitos meses. Esvaziou. Sua presença pode tornar-se perigosa para a reeleição de seu chefe. A insistência na criação da CPMF é inconcebível. Não há  um só setor da sociedade que admita essa ressurreição do diabo. A CPMF está morta. Que permaneça na cova.
Enquanto Guedes nada tem a propor, o Congresso finge que avança com uma proposta antiga de reforma tributária. Não passa de uma pressão no executivo. Para que fosse viável, mais de  R$ 12 bilhões teriam de ser repassados para os governos estaduais, que serão trucidados  do mapa nacional por essa proposta. O Mato Grosso do Sul está no top 5 dos que mais perderão com a proposta do Congresso de reforma tributária.
Esse é o maior drama do governo. Sem um ministro que crie confiança, que ofereça alternativas, não conseguirá segurar uma forte depressão - econômica e psicológica.



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Eleições municipais não mudarão as possibilidades da reeleição de Bolsonaro.

Há um pequeno frenesi das oposições. As eleições municipais podem ser um termômetro da decadência do bolsonarismo. Ledo engano. As municipais nunca estiveram alinhadas com as eleições presidenciais. O modelo administrativo-eleitoral brasileiro desvincula totalmente as eleições municipais das presidenciais. Não à toa, as eleições estaduais, que podem influenciar nas presidenciais, ocorrem concomitantemente. Eleição que tem algum pequeno peso para a presidencial é somente a do município de São Paulo. Uma cidade mais populosa  e mais rica que qualquer Estado brasileiro.  Bolsonaro é uma exceção. Além de jogar peso em São Paulo, também está  movendo paus e pedras na cidade do Rio de Janeiro, única e exclusivamente por causa do interesse de seus príncipes herdeiros.
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