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Em Pauta

Quantidade de jovens fora da escola penaliza mercado de trabalho

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 16/11/2013 07:01
Quantidade de jovens fora da escola penaliza mercado de trabalho

Geração nem lá nem cá – nem-nem

O mercado de trabalho aquecido e a melhora dos níveis de escolaridade não foram suficientes para reduzir o número de jovens que não estudam, não trabalham e não procuram emprego. Dos 19 milhões de pessoas de 19 a 24 anos, há 3,2 milhões (17%) que estão na situação denominada como nem-nem, o que pode significar perda de produtividade do mercado de trabalho nos próximos anos. Desses, 1 milhão têm ensino fundamental incompleto e outros 1,5 milhão pertencem a classes de renda mais baixas da sociedade, cujas famílias vivem com até dois salários mínimos (R$ 1.356).

As razões do nem-nem brasileiros são: educação pública pouco atrativa e de má qualidade que não consegue manter o jovem estudando, estrutura familiar precária em classes de menor renda e dificuldade de permanecer no emprego devido à baixa qualificação influenciada pelos poucos anos de estudo. Pararam de estudar e não têm condições de cursar uma faculdade, porque estão desalentados ou porque, no caso das mulheres nem-nem, engravidaram cedo e ainda podem estar no trabalho informal.

Quantidade de jovens fora da escola penaliza mercado de trabalho

Realidade atual projeta cenário crítico para o futuro do mercado de trabalho

Estamos em processo de desaceleração demográfica, algo completamente novo para o país. Então, essa possível falta de mão-de-obra pode se transformar em uma barreira para o crescimento econômico. Os nem-nem são mais suscetíveis à criminalidade. Há muitos que a inatividade é temporária e não há necessidade de ter preocupação, eles serão inseridos no mercado de trabalho ou na escola brevemente. Os outros nem-nem têm uma situação que pode se tornar permanente e irreversível, jogando contra o desenvolvimento do país. A partir do momento em que ele fica muito tempo inativo, é difícil voltar a estudar e, sem qualificação, flutua entre empregos. Surge, assim, a possibilidade de envolvimento em atividades criminosas.

Quantidade de jovens fora da escola penaliza mercado de trabalho
Quantidade de jovens fora da escola penaliza mercado de trabalho

Existe algo novo, e correto, na administração pública brasileira

Trabalhando na FGV (Fundação Getúlio Vargas) desde maio deste ano, a economista Joana Monteiro percorreu um longo caminho para descortinar o que é essencial nas políticas públicas. Ela é formada na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) com mestrado e doutorado na PUC (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e três anos de estudos em Harvard onde mergulhou profundamente no ambiente de pesquisas sobre desenvolvimento, em que a questão da avaliação das políticas públicas é fundamental.

Joana afirma que o debate sobre o Mais Médicos é fantástico. Está ocorrendo um debate puramente ideológico. Ninguém sabe o resultado dessa política e não estamos nos preparando para fazer uma avaliação correta se deu certo ou não. Quem defende, diz que os procedimentos são tão básicos, que fará pouca diferença, se eles têm qualidade ou não. Quem é contra, diz que não é problema de médico e sim de instalações.

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É preciso saber o que os médicos importados têm para oferecer

A economista garante que a única forma de responder essa questão é avaliando para ver quais diferenças fazem, esses médicos. E avisa: é preciso saber avaliar corretamente. Joana diz como deve ser feita a avaliação. A melhor forma, cientificamente mais rigorosa, seria sortear os municípios que receberão os médicos desse programa. Os municípios que pediram mais médicos são mais numerosos que o número de médicos. O importante é que, estatisticamente, o sorteio garanta que os municípios que receberem mais médicos são na média iguais aos que não receberem – quanto ao desenvolvimento, a renda e aos indicadores socioeconômicos. Daqui a dois ou três anos, poderíamos dizer com clareza se os médicos fizeram diferença ou não.

Os recursos públicos são escassos e não se deve gastá-los indefinidamente com projetos equivocados. Mesmo sem sorteio, Joana, afirma que é possível fazer a avaliação do programa. Um pouco mais de tempo, talvez quatro anos de funcionamento, terá de ser gasto. Seria preciso buscar o máximo de informação socioeconômica sobre os municípios, avaliar quais os recursos que foram acrescidos ao longo desses anos para conseguir fazer alguma diferença.

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Avaliação é necessária para dinamizar processo ou aboli-lo

É preciso pegar o maior número de dados que for possível para isolar o efeito das outras variáveis, com análises estatísticas e assim ver se ocorreu alguma diferença por causa do Mais Médicos. Algumas variáveis são difíceis de conseguirmos. Por exemplo, o esforço do prefeito. O que e o quanto ele fez para melhorar o atendimento na saúde excluindo o programa Mais Médicos.

Talvez o esforço do prefeito tenha surtido efeito. Talvez o programa tenha funcionado. Assim, se no final se constatar que o programa Mais Médicos ocasionou uma diferença igual a zero é hora de mandá-los embora. Ela garante que é dez mil vezes melhor do que ficar nesse discurso de um acha que funciona e o outro acha que não funciona. O maior de todos os problemas das administrações públicas está no fato que todas tendem a alardear um programa para mostrar que fizeram algo, do que testá-lo para ver se funcionou de verdade.

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Aplicativo para smartphones e tablets facilita gerenciamento de cadernetas de vacinação

O Ministério da Saúde está disponibilizando aplicativo para smartphones e tablets que permite o gerenciamento das cadernetas de vacinação tanto de crianças, como de adultos. O aplicativo, batizado de Vacinação em Dia, permite o armazenamento de até dez carteiras em tablets e smartphones que utilizem sistemas operacionais iOS e Android 2.2 ou superior. O usuário poderá baixar no Google Play e na Apple Store. A ferramenta tem 3,1M de tamanho e, segundo o Ministério da Saúde, já foi baixada 10 mil vezes.

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