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Em Pauta

Região de Ponta Porã poderia ter virado argentina

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 04/06/2026 07:00
Região de Ponta Porã poderia ter virado argentina

Diz a música que o Mato Grosso do Sul foi Paraguai. Essa história não é tão simples como muitos acreditam. Não há um único momento em que pertencemos aos domínios paraguaios. Essa é uma lenda. Houve, sim, um enorme conflito, típico do caos que ocorre no começo e no fim de qualquer guerra. Como também tivemos ataques claros à nossa soberania.


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A argentinização do Paraguai.

Golpes e mais golpes. O fim da guerra engendrou uma política dilacerante na sociedade paraguaia. Os dois partidos constituídos - colorado e liberal - se engalfinhavam em uma luta mortal. Os colorados, chamados “vermelhos”, não deixavam os liberais, denominados “azuis, assumirem o poder. E vice-versa. Os colorados defendiam o espólio do ditador Solano López, enquanto os azuis liberais o atacavam. Esse era o cerne das divergências. Paralelamente, também não se entendiam quando à soberania. Parte dos colorados desejava entregar o país à Argentina. Era a chamada “argentinização”. Esse entreguismo preocupava o governo brasileiro.


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A “herança” de Solano López.

No mesmo momento que esse debate ocorria, Enrique, o filho de Solano López, fazia gestões para receber uma fortuna que lhe teria sido surripiada por brasileiros e argentinos, bem como a recuperação de extensas terras tanto no Brasil - na região de P.Porã - como na Argentina. Para lutar por seus “direitos”, contratou nada menos que Rui Barbosa, o diplomata mais famoso de nossa história. Perdeu na justiça e nas vias diplomáticas (jogando com diplomatas argentinos) as terras que estavam sendo exploradas pela famosa empresa Matte Laranjeira. Uma empresa que só admitia argentinos e paraguaios. Não contratava sequer um único brasileiro. Todavia, pagava caudalosos impostos para o Brasil.


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O Exército brasileiro e a soberania.

A confusão era ainda maior. O Exército brasileiro, além de se preocupar com a argentinização de parte de nosso território. Também seguia de perto os passos de algumas empresas estrangeiras que vieram explorar nossas riquezas. História pouco conhecida, tínhamos ouro em Coxim. E para deixar os militares brasileiros sem cabelo, tínhamos um diminuto poder bélico naquele momento.


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Os “sindicatos”.

Uma nota do Exército brasileiro nos informa que “um dos mais terríveis perigos que nossa imprevidência está preparando para complicações futuras é a sessão de grandes superfícies de terras de nossas fronteiras [do Mato Grosso do Sul] a sindicatos estrangeiros”. Entendam “sindicato” como conglomerados estrangeiros que para cá vieram explorar nossas riquezas. Uma das empresas era a “Fomento Argentino” que possuía as maiores extensões de terra no MS. Além dela, outras apareciam como o “Trust del Alto Paraguay”, que adquiriu a antiga “fazenda do Rodrigo”, bem como a “Coxim Gold Dreadging Company”, visando explorar o ouro coxinense. Por fim, aparecia a “Land Castlleleand Packing Company”, rico e poderoso “sindicato” norte-americano que tinha em Corumbá 28 fazendas com uma superfície de 763.340 hectares. Para terminar a lista do caos instaurado, aquele era o momento em que se discutia o perdão da divida de guerra do Paraguai para o Brasil.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.