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Em Pauta

Okinawa, onde o vento e as pedras falam

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 15/07/2026 07:00
Okinawa, onde o vento e as pedras falam

Um antigo reino chamado “Ryukyu”, anexado pelo Japão no século XIX, foi convertido em centro de operações militares dos Estados Unidos no Pacífico. Oitenta anos depois da ultima grande contenda global, Okinawa aloja 70% das bases militares norte-americanas no Japão, apesar de ocupar tão somente 0,6% do território nipônico. Um povo que vive sob o sinal vermelho de perigo todos os dias dos anos. Não há calma, não existe tranquilidade.


Okinawa, onde o vento e as pedras falam

Um Jeep aterrorizador.

Três soldados norte-americanos da base okinawense um ano depois do fim da guerra. Esse é o prelúdio de nossa história. Em seus longos tempos livres percorrem em um Jeep as plantações de uma aldeia. Semeiam o terror, estupram as mulheres. As autoridades da base se negam a castigá-los. Eles continuam. E continuam. Os residentes de Okinawa decidem tomar a justiça em suas mãos e fazem uma emboscada…


Okinawa, onde o vento e as pedras falam

100 mil civis.

O único enfrentamento bélico de grande escala que teve lugar em território japonês ocorreu nesse arquipélago. Não foi apenas Hiroshima e Nagasaki, entre abril e junho de 1.945, mais de 100 mil civis okinawenses pereceram ou tiraram a vida com granadas que o exército imperial lhes entregava com a ordem de usá-las para evitar que se tornassem prisioneiros dos norte-americanos. Suicídios forçados, civis usados como escudos humanos, para atrasar a invasão das principais ilhas do Japão. A maioria dos sobreviventes foi evacuada à força para ilhas açoitadas pela malária.


Okinawa, onde o vento e as pedras falam

140 casos atuais de estupros.

O assalto sexual contra as mulheres persiste. Segundo um artigo de 2024 do diário militar norte-americano “Stars and Stripes”, o pessoal das bases militares está implicado em pelo menos 140 casos de violação atualmente.


Okinawa, onde o vento e as pedras falam

Paradoxo: tinham uma das mais altas taxas de centenários.

Eles dizem que o hibisco e outra arvore chamada “shikuwasa”, um cítrico, contribuíram a tornar Okinawa uma das regiões com maior taxa de centenários do mundo. Era um paradoxo: apesar de uma história de sofrimento tinham vida longa. Mas a ocidentalização da dieta e dos costumes mudou tudo. Hoje, Okinawa ocupa apenas o posto 36 em expectativa de vida entre as 47 regiões japonesas.


Okinawa, onde o vento e as pedras falam

A invencionice da “soberania residual”.

As forças de ocupação dos EUA controlaram o Japão desde 1.945. Foram sete anos sob os desígnios dos norte-americanos. Saíram do Japão, mas não de Okinawa. Inventaram uma fórmula que chamaram de “soberania residual” para Okinawa. Construíram bases, impulsionaram o dólar e aboliram o passaporte japonês para os habitantes desse arquipélago. Há um empate entre os habitantes que desejam dissociar-se do Japão e dos EUA com aqueles que pretendem manter o status quo.


Okinawa, onde o vento e as pedras falam

Quem quer mísseis?

Estes últimos, dizem que Okinawa é uma terra à mercê de duas grandes potências: arrasada pelos EUA e traída pelo Japão. Não há ninguém mais preocupado com a crise que surge entre o Japão e a China. Eles são o alvo número um. Yonaguni, uma das ilhas de Okinawa, está a tão somente 110 quilômetros da China. Para deixá-los ainda mais aterrorizado, Tóquio instalará ali um sistema de mísseis, fabricados pela Mitsubishi, voltados para a China. Em Okinawa, os ventos e as pedras falam. Contam uma história de imenso poder… e de maus tratos.

 

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