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Campo Grande, Terça-feira, 14 de Agosto de 2018

26/02/2018 19:00

Depois de sobreviver a 3 doenças, Luiz foi vítima da espera

Menino nasceu com microcefalia, paralisia cerebral e cardiopatia

Guilherme Henri
Thais Cardoso no quarto onde o filho dividia espaço com aparelhos que ajudavam na batalha pela vida (Foto: Paulo Francis)Thais Cardoso no quarto onde o filho dividia espaço com aparelhos que ajudavam na batalha pela vida (Foto: Paulo Francis)

Foram três anos e seis meses de luta. Luiz Francisco Lima da Silva Junior nasceu com microcefalia, paralisia cerebral e cardiopatia. Mas, foi a espera de três meses na saúde pública pela troca da cânula de traqueostomia que ele perdeu a batalha pela vida.

A mãe, Thais Cardoso da Costa, 23 anos, conta que o menino passou mal nesta segunda-feira (26), pois a cânula que usava estava entupida. O aparelho deveria ser trocado de três em três meses, mas Luiz já estava com o dele há seis.

Thais chegou a buscar atendimento emergencial no UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino onde a cânula foi trocada, mas o menino não resistiu ao sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Inconformados, amigos da mãe procuraram o Campo Grande News e relataram a história. Thais recebeu a equipe de reportagem e contou que o drama do menino começou ainda nas primeiras horas de vida.

“Não tive qualquer complicação na gravidez. Estava tudo normal. Era acompanhada no postos de saúde do Tiradentes e Nova Lima. Só que no oitavo mês de gestação que fui alertada que algo não estava normal. O tamanho da minha barriga deveria estar maior, disseram os médicos”, diz.

Luiz Francisco Lima da Silva Junior usava a traqueostomia desde que nasceu (Foto: Arquivo Pessoal)Luiz Francisco Lima da Silva Junior usava a traqueostomia desde que nasceu (Foto: Arquivo Pessoal)

Luiz veio ao mundo. Ele tinha microcefalia, paralisia cerebral e cardiopatia. Devido as enfermidades, em um ano o menino que não escutava, falava ou se quer conseguia se movimentar sem ajuda só conheceu o caminho entre hospital e a casa dele, no bairro Morada Verde em Campo Grande. “Praticamente desde que nasceu ele [Luiz] usava a traqueostomia”, detalha a jovem.

Mãe solteira, Thais precisou abdicar de qualquer atividade para cuidar do filho, que precisava de atenção 24h, pois pedia ou “avisava” as necessidades por meio de expressões. Foi então, que a mãe buscou ajuda na Justiça.

“Depois de travar uma batalha consegui na Justiça o atendimento home care 24h”, revela.
Luiz então passou a ficar mais em casa. No quarto o berço ficava ao lado de inúmeros outros aparelhos como um tubo de oxigênio e a cama da cuidadora.

Em uma das últimas consultas pelo sistema público, o médico que o acompanhava pediu para a mãe que providenciasse uma cânula com outro material. “O doutor disse que o material era melhor então me virei e arrumei R$ 400 para comprar. Quando deu três meses eu voltei a solicitar ao SUS (Sistema Único de Saúde) a troca, mas ele ficou com a que comprei até hoje”, afirma.

E por acreditar que a demora na troca da cânula foi a causa da morte do filho, que Thais afirmou que travará outra batalha em nome de todos os que têm filhos com necessidades especiais. “Queremos Justiça”.

Tubo de oxigênio e aparelhos usados que eram usados por Luiz (Foto: Paulo Francis)Tubo de oxigênio e aparelhos usados que eram usados por Luiz (Foto: Paulo Francis)

Luiz será velado hoje na capela da Pax São Judas Tadeu, localizada na rua 13 de Maio, no São Francisco.

Saúde Por meio da assessoria de comunicação, a Prefeitura de Campo Grande afirma que “o caso será acompanhado pela Coordenadoria de Urgência, que solicitou o prontuário de atendimento da criança para verificar o que de fato ocorreu.

Segundo a equipe da UPA, a criança deu entrada na unidade com parada cardiorrespiratória e todos os procedimentos para reanimá-la foram realizados pela equipe de plantão, mas sem sucesso.

Sobre a cânula de traqueostomia, não há falta do material, que tem em estoque para atendimento na UPA Coronel Antonino.

Direto das Ruas - Esta sugestão de reportagem foi encaminhada ao Campo Grande News por meio do Direto das Ruas, nosso canal de interação do leitor com a redação.

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