Motoristas acumulam pneus estourados e prejuízos em ruas da região militar
Moradores relatam danos frequentes a veículos e dizem que desviar das crateras virou rotina
Quem passa pela região da Vila Duque de Caxias já sabe que o trajeto exige mais do que atenção ao trânsito. Entre desvios improvisados, freadas e manobras para escapar das crateras espalhadas pelas ruas, motoristas dizem acumular prejuízos com pneus, rodas e suspensão. O problema motivou uma denúncia enviada ao Direto das Ruas e levou a reportagem a percorrer a região.
RESUMO
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Moradores e motoristas que transitam pela Vila Duque de Caxias, em Campo Grande, relatam prejuízos com pneus, rodas e suspensão devido aos buracos espalhados pela região. Moradora Emilene Pereira perdeu três pneus em dois meses. Mecânicos confirmam aumento nas reclamações. A Prefeitura informou que segue cronograma de tapa-buracos via canais 156 e Fala CG, mas não indicou previsão de reparos na área.
A reclamação chegou ao Direto das Ruas por meio da moradora Emilene Legue de Souza Pereira. Segundo ela, um buraco na Avenida Duque de Caxias, nas proximidades do Atacadão, causou prejuízo recente.
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"Ontem bati dentro e estourou dois pneus. Enquanto eu aguardava o socorro, outros dois veículos também tiveram o mesmo problema. Em dois meses perdi três pneus novos. Está insustentável", relatou.

Apesar de a queixa inicial apontar a principal via de acesso ao aeroporto, o cenário encontrado pela reportagem mostra que o problema se espalha por outras ruas da região. Em vários trechos da Vila Duque de Caxias, especialmente na Avenida Presidente Vargas e em vias próximas, motoristas convivem com buracos, remendos antigos e asfalto desgastado.
Para quem passa diariamente pelo local, a preocupação já não é apenas com o desconforto da viagem, mas também com o risco de acidentes.
Moradora do Bairro José Abrão, a analista financeira Camila Diniz, de 40 anos, utiliza a região todos os dias e diz que os buracos acabam criando situações perigosas no trânsito.
"Tem hora que você não está desviando do trânsito, está desviando de buraco. O problema é que nem sempre dá. Às vezes a pessoa joga o carro para o lado e acaba fechando alguém. As motos sofrem ainda mais", afirma.
Segundo ela, o cenário piora quando chove.
"A água cobre os buracos. Você não sabe se está passando por uma poça ou por uma cratera. Ou você desvia e corre o risco de ir para cima de outro veículo, ou passa dentro do buraco mesmo."
A agente de proteção e aviação civil Luciana Maia, de 30 anos, calcula que a família precisou trocar três pneus somente no último mês. Como trabalha no aeroporto, ela percorre frequentemente a Duque de Caxias e as ruas do entorno.
"A gente já chegou ao ponto de comprar pneu novo porque não adiantava remendar. Você passa no buraco e fica esperando para descobrir qual foi o prejuízo da vez", conta.
Recém-chegada a Campo Grande, Luciana diz que se surpreendeu com a quantidade de vias danificadas.
"Tem buraco para todo lado. Não importa se é bairro mais nobre ou mais simples. São crateras mesmo. Tem lugar que não dá nem para desviar. Ou você sobe na calçada ou passa dentro do buraco."
Os reflexos do problema também aparecem nas oficinas mecânicas. O mecânico Matheus Chimenes dos Santos, de 26 anos, afirma que os danos provocados pelos buracos se tornaram uma das reclamações mais frequentes dos clientes.
"Muitos chegam por causa de problemas provocados pelos buracos. Pneu rasgado, roda amassada, suspensão danificada. Até os carros da oficina já tiveram prejuízo", relata.
Segundo ele, as reclamações deixaram de ser pontuais.
"Hoje o cliente não chega falando de um buraco específico. Ele fala da cidade inteira. A situação está feia, não só aqui na Duque de Caxias, mas em vários bairros também."
Enquanto motoristas fazem contas dos gastos com pneus, alinhamento e manutenção, quem passa diariamente pela região tenta decorar os pontos mais críticos para escapar dos buracos. O problema, segundo os moradores, é que novas crateras surgem mais rápido do que os reparos.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campo Grande informou que o serviço de tapa-buracos segue um cronograma permanente definido a partir das demandas registradas pelos canais 156 e Fala CG. No entanto, não informou previsão para os reparos na região da Vila Duque de Caxias.
Conforme o município, a programação depende da conclusão dos trabalhos executados pelas equipes e também do surgimento de atendimentos emergenciais em outros pontos da cidade.
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