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Direto das Ruas

Paciente terminal, Eurípedes ficou 21 horas sem se alimentar ou beber água

Família procurou o Campo Grande News

Por Lucia Morel | 03/08/2020 18:05
Paciente terminal, Eurípedes só se alimenta por sonda. (Foto: Direto das Ruas)
Paciente terminal, Eurípedes só se alimenta por sonda. (Foto: Direto das Ruas)

O idoso Eurípedes Moreira da Silva, 72 anos, ficou 21 horas sem alimentação e água depois que teve alta de hospital em Aquidauana e voltou para casa, em Dois Irmãos do Buriti, hoje de manhã. Paciente considerado terminal, mas que precisa de cuidados paliativos, Eurípedes só recebeu novamente sonda para que pudesse comer e beber hoje às 17 horas.

Família do idoso teme que a situação volte a ocorrer e procurou o Campo Grande News para denunciar o caso, que consideram como descaso. Mesmo precisando de cuidados especiais – inclusive respirando por aparelhos -, Eurípedes recebeu alta devido o risco de ser infectado com covid-19 em algum hospital.

Há dois meses ele sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e foi levado para o Hospital de Dois Irmãos de Buriti, de onde foi encaminhado para melhor atendimento em Aquidauana, mas teve de ser levado para a Santa Casa de Campo Grande, onde passou 17 dias em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 12 dias na enfermaria.

Em casa, ele desenvolveu uma broncopneumonia e precisou novamente de atendimento médico, e foi encaminhado para Aquidauana, de onde teve alta esta manhã. No entanto, segundo a família, o idoso chegou em casa sem a sonda que permite que ele se alimente e beba água, já que devido a traqueostomia, ele não engole nada.

Ele estaria sem o aparelho desde às 20 horas de ontem, quando ficou “agitado” e retirou a sonda de si, sem que ninguém colocasse novamente. A esposa dele, Ivone Maria da Conceição, 52 anos, diz que o marido também chegou do hospital sujo, sem que tivessem realizado nele uma higiene adequada.

Segundo a denúncia que chegou até a reportagem, em Dois Irmãos do Buriti, onde o idoso está desde às 9 horas, “o enfermeiro diz q aguarda liberação do hospital (para colocar a sonda) e disseram que era um paciente terminal. Mas vão deixa-lo sem comer e beber pra morrer mais rápido?”, questionou filha de Ivone, indignada.

Por volta das 17 horas o caso se resolveu, com implantação novamente da sonda para que Eurípedes possa se alimentar e beber, no entanto, segundo Ivone, ela teme que o problema se repita e que o município volte a demorar para liberar um profissional que possa instalar a sonda nasal no marido.

Além de Ivone e uma filha, um técnico de enfermagem foi liberado pela prefeitura para ajudar nos cuidados com Eurípedes. Isso, desde que ele voltou para casa, depois da primeira internação devido o AVC, na Santa Casa. “Ele ajuda muito”, diz Ivone, ainda cansada de tanto esperar que o problema da sonda se resolvesse. Ela espera que o descaso não volte a ocorrer.

Pela prefeitura, a assessoria de imprensa informou que existe um cuidado grande por parte da gestão municipal, mas vai apurar a razão da demora no atendimento a Eurípedes.

O município informou ainda que hoje foi registrado o primeiro óbito por covid-19 na cidade, o que movimentou durante todo o dia, as equipes de saúde. Mesmo não sendo uma justificativa para o atraso, a administração municipal disse que isso pode ter contribuído para o atraso.

Foi informado ainda que o paciente será assistido, frequentamente, além do técnico de enfermagem, também por fonoaudiólogo, fisioterapeuta, nutricionista e equipe de saúde da família.

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