Antes da retomada oficial, operação nos bastidores já preparava volta da UFN3
Equipe manteve a estrutura preservada e deixou o empreendimento pronto para nova etapa

Antes mesmo da retomada oficial das obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados) da Petrobras, em Três Lagoas, formalizada nesta quinta-feira (25) com a assinatura dos contratos para a conclusão do empreendimento, uma ampla e complexa operação já estava em andamento nos bastidores. O trabalho garantiu a preservação de cerca de 81% da estrutura já executada, evitando a deterioração de um projeto que permaneceu paralisado por 12 anos.
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Antes mesmo da retomada oficial das obras da UFN3 da Petrobras, em Três Lagoas, uma operação preservou 81% da estrutura já executada durante 12 anos de paralisação. Com investimento de R$ 5 bilhões pelo Novo PAC, a unidade produzirá 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 de amônia, atendendo 15% da demanda nacional. Os serviços físicos serão retomados em 1º de julho, com previsão de 8 mil trabalhadores no pico das obras.
Com a decisão de reativar o empreendimento, a Petrobras também iniciou a preparação da infraestrutura necessária para receber as empresas contratadas, instalou em Três Lagoas a equipe responsável pela fiscalização da obra e as terceirizadas deram início às primeiras contratações. A mobilização permitirá que os serviços físicos sejam retomados na próxima quarta-feira, 1º de julho.
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A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e outras autoridades elogiaram o trabalho desenvolvido pelas equipes das empresas Master Loc, Ikenza e CCJ, responsáveis pela manutenção do canteiro durante o período de paralisação. Os trabalhadores realizaram inspeções periódicas, conservação das estruturas e dos equipamentos, manutenção dos sistemas essenciais, limpeza e segurança patrimonial, garantindo a integridade das instalações e permitindo uma retomada mais rápida e segura do empreendimento.
Segundo a executiva, a Petrobras precisou reavaliar todo o projeto antes de definir as condições para a retomada das obras. "A obra chegou a 81% e depois patinou, ficando todo esse tempo parada. Tivemos de olhar para frente, reavaliar tudo o que existia, definir um novo ponto de partida e, agora, retomar a construção", afirmou.
Entre as primeiras providências para a retomada esteve a preparação da infraestrutura mínima necessária para receber as empresas responsáveis pela conclusão da fábrica. Uma empresa de Itapecerica da Serra (SP) ficou encarregada da montagem dos contêineres que servirão como escritórios, além da instalação da portaria, dos sanitários e das demais estruturas provisórias de apoio.
"Montamos os contêineres onde vão funcionar os escritórios. Vamos embora no fim de junho, mas já em julho retornaremos para montar os refeitórios e os vestiários", explica o encarregado de montagem metálica da empresa, Fernando Buginski, de 57 anos.

Enquanto a infraestrutura de apoio era preparada, as empresas vencedoras da licitação iniciaram as contratações. Uma das primeiras a se instalar em Três Lagoas foi a Engeko Engenharia, responsável pelos pacotes 1, 2 e 4 do empreendimento.
A empresa abriu o processo seletivo ainda em maio. Os contratos com a Petrobras para execução das obras foram assinados nesta quinta-feira (25), na presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da estatal e de autoridades federais e estaduais.
A Engeko deve ser a primeira a ingressar no canteiro de obras, já na próxima quarta-feira. A empresa será responsável pelos serviços de construção civil e conta atualmente com cerca de 60 trabalhadores contratados, entre ajudantes de obras, pedreiros, carpinteiros, montadores de andaimes e soldadores. A expectativa é ampliar esse contingente para até 2 mil empregados ao longo da execução dos trabalhos.
A projeção da Petrobras é de que, no pico das obras, cerca de 8 mil pessoas estejam trabalhando simultaneamente no empreendimento. Com investimento estimado em R$ 5 bilhões, por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a companhia prevê colocar em operação uma fábrica capaz de atender sozinha cerca de 15% da demanda nacional por ureia.
Para garantir a qualidade da execução e dar celeridade ao cronograma, a Petrobras também enviou para Três Lagoas uma equipe permanente de fiscalização. Um dos integrantes é o engenheiro Washington Carlos da Silva, de 54 anos, natural de Recife (PE). Ele chegou ao município em 15 de junho e permanecerá na cidade até a conclusão da obra.
"Estou em um hotel, mas já comecei a procurar uma casa para me estabelecer em Três Lagoas. Não tenho previsão de trazer minha família, até porque eles já estão acostumados com esse trabalho itinerante que faço. Antes de vir para cá, estava atuando na fiscalização do Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ). Estou gostando da cidade, mas achei diferente. Vim preparado para enfrentar o calor e, desde que cheguei, só encontrei frio", brincou.

Segundo a Petrobras, a UFN3 terá capacidade nominal para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia. A amônia é matéria-prima fundamental para a produção de fertilizantes, além de ser utilizada pela indústria química e em sistemas de refrigeração. Já a ureia é o fertilizante nitrogenado mais consumido no Brasil, cuja demanda nacional gira em torno de 8 milhões de toneladas por ano.
De acordo com a estatal, a unidade possui localização estratégica para abastecer o Centro-Oeste, região responsável por cerca de 40% da demanda brasileira por ureia. A produção local deverá aumentar a segurança no abastecimento do insumo, reduzir a dependência das importações e fortalecer as cadeias da agropecuária e da agroindústria.

