Lula diz que não há explicação para UFN3 ficar parada por 12 anos em Três Lagoas
Presidente critica abandono do empreendimento e afirma que o país reduzirá a dependência de fertilizantes

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (25), durante visita às obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas, que "não tem explicação" a paralisação do empreendimento por 12 anos. A construção foi interrompida em 2014 com cerca de 81% da execução concluída e agora foi oficialmente retomada pela Petrobras, que prevê concluir a unidade até 2029, com possibilidade de antecipação.
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Lula criticou nesta quinta-feira a paralisação por 12 anos da UFN3, em Três Lagoas, e destacou a retomada oficial da obra pela Petrobras, com contratos assinados com sete empresas e previsão de conclusão até 2029, podendo ser antecipada. Com 81% já executada quando foi interrompida em 2014, a unidade deve produzir ureia e amônia, reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes importados, hoje em cerca de 85%, e fortalecer a soberania nacional.
Durante a solenidade, também foi formalizada a assinatura dos contratos com as sete empresas vencedoras da licitação para a retomada das obras da unidade, etapa que marca o início efetivo da nova fase de execução do empreendimento.
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Segundo Lula, abandonar uma obra desse porte, já em estágio avançado, obrigou o Brasil a ampliar a dependência de fertilizantes importados, elevando custos para a produção agropecuária e, consequentemente, para o consumidor.
"Uma coisa é você não começar uma obra porque não tem projeto ou dinheiro. Outra é começar, ter projeto, recursos, necessidade e, quando já tem mais de 80% da estrutura pronta, deixar tudo parado durante 12 anos. Enquanto isso, o Brasil pagou preços absurdos por fertilizantes importados, e quem paga essa conta é o povo brasileiro", afirmou.
A UFN3 terá capacidade para produzir fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia, considerados estratégicos para reduzir a dependência externa do agronegócio brasileiro. Atualmente, o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome.
Durante o discurso, Lula afirmou que a política de fechamento e paralisação de fábricas de fertilizantes agravou esse cenário. Citou as unidades da Petrobras na Bahia, em Sergipe e no Paraná e disse que a estratégia do governo é recuperar a capacidade nacional de produção.
"Muita gente nunca se preocupou porque era mais barato importar. Foi assim que fábricas foram fechadas na Bahia, em Sergipe, no Paraná, e esta obra também acabou paralisada", declarou.
O presidente também voltou a defender o papel estratégico da Petrobras para o desenvolvimento nacional e criticou processos de privatização realizados nos últimos anos.
"A Petrobras tem tudo para ser uma empresa moderna. O governo não interfere na gestão, mas eu não abro mão de discutir o papel da empresa no desenvolvimento do país. Vira e mexe aparece alguém querendo vender patrimônio público", afirmou.
Lula disse que a soberania do país passa pela capacidade de produzir insumos considerados essenciais para a economia.
"Eu sonho com o dia em que o Brasil produzirá mais de 70% dos fertilizantes de que precisa. Um país não será soberano enquanto não for capaz de produzir aquilo que é estratégico para sua própria economia", ressaltou.
Ao lembrar da retomada do empreendimento, o presidente afirmou que a decisão foi tomada logo no início do atual mandato, após sucessivas tentativas frustradas de encontrar investidores privados para concluir a obra.
"Pensamos em retomar Três Lagoas logo que assumimos. Durante anos sempre aparecia a expectativa de um investidor, de um chinês, de um russo, de um japonês, mas ninguém entrou. Foi preciso a Petrobras assumir seu papel."
Lula destacou ainda que a UFN3 vai além da geração de empregos durante a construção. Segundo ele, a fábrica fortalece a segurança alimentar e reduz a vulnerabilidade do Brasil diante das oscilações do mercado internacional de fertilizantes.
A retomada da unidade integra o plano de expansão da Petrobras na área de fertilizantes. Na semana passada, a presidente da estatal, Magda Chambriard, informou que a companhia investiu R$ 26,8 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025, e afirmou que a empresa está "pisando no acelerador com disciplina de capital". Ela também reiterou que a meta é concluir a UFN3 até 2029, embora considere possível antecipar esse prazo, destacando que "a Petrobras tem mania de superar desafios".


