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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

15/06/2017 13:05

Aposentado faz de garaparia "anexo" de hipermercado e garante renda extra

Funcionários e clientes da loja são os maiores consumidores da garapa de Cacildo

Osvaldo Júnior
Garaparia de Cacildo fica em frente a estacionamento do Comper da Spipe Calarge (Foto: Osvaldo Júnior)Garaparia de Cacildo fica em frente a estacionamento do Comper da Spipe Calarge (Foto: Osvaldo Júnior)

Para os olhos comuns, era apenas um hipermercado em construção; para os de Cacildo Nogueira Barbosa, uma oportunidade. Torneiro mecânico aposentado, Cacildo, de 69 anos, iniciou seu pequeno empreendimento há oito meses e o inaugurou no dia da abertura da loja da rede Comper, da Rua Spipe Calarge, na Capital. Trabalhando todos os dias, ele consegue, neste início de negócio, faturamento médio de R$ 1 mil por mês com a venda da bebida.

A garaparia de Cacildo, onde também é vendida água de coco, fica em terreno em frente à sua casa, na Rua Junqueirópolis, no bairro Vilas Boas. A via, que antes era sem saída, é, agora, um dos acessos ao estacionamento do hipermercado.

Em uma espécie de simbiose – como uma orquídea ou uma bromélia em uma árvore –, a garaparia tem nos consumidores e funcionários da loja seus principais clientes.

“Um dia, há oito meses atrás, eu olhando a obra deste supermercado, pensei que poderia abrir uma garaparia. Como sou aposentado, poderia ganhar um dinheiro extra. Comecei a tomar garapa por aí pra ter ideia de preço. Também andei em lugares que vende água de coco pra ver como funciona”, conta Cacildo. 

Garaparia fica em frente à casa de aposentadoGaraparia fica em frente à casa de aposentado

Antes de sua pesquisa de mercado, o aposentado achou por bem plantar um pé de cana-de-açúcar. “É só pra enfeite. Quando eu trabalhava de torneiro mecânico, tinha, na oficina, uma sucata de carro no alto. Era enfeite. Então, achei que o pé de cana também chamaria a atenção”, disse.

Além de plantar a cana, Cacildo fez uma pequena calçada, um banco de concreto, uma lixeira, instalou um padrão de energia, construiu uma mesa de madeira e adquiriu o equipamento e material necessário para dar início ao negócio. “Só o engenho paguei R$ 5,5 mil. Com mesa, cadeira... com tudo, devo ter gastado mais ou menos R$ 7 mil”, calculou.

Com tudo preparado, Cacildo deixou a garaparia fechada por cinco meses, aguardando a inauguração da loja do Comper. No mesmo dia, ele abriu seu negócio.

O retorno financeiro ainda não está à altura do investimento, o que não desanima Cacildo. Ao contrário, ele se mostra animado e tem planos para seu negócio. “É começo. Por enquanto, tá bom. Vendo de cinco a, no máximo, dez jarras por dia. Tem dia que só vendo três, outros dias vendo mais. Dá pra eu colocar gasolina e comprar alguma coisa no dia a dia”, disse.

Com a jarra custando R$ 5 e a comercialização média de sete unidades por dia, o aposentado consegue renda adicional média de R$ 1 mil com a garapa, o produto carro-chefe. Além disso, há a comercialização do coco. De despesa, ele tem a energia e as matérias-primas (coco e cana).

 

Além de garapa, Cacildo também vende água de coco (Foto: Osvaldo Júnior)Além de garapa, Cacildo também vende água de coco (Foto: Osvaldo Júnior)

Vida suplementar – Na contabilidade de Cacildo, não entra só dinheiro. Ele também considera os novos ares proporcionados por sua vida de “empresário do ramo garapeiro”. “Posso sair de casa, conversar com muitas pessoas. Isso é muito. Tenho mais vida agora”, avalia.

Esse “acréscimo de vida” ele também leva para casa. É um suplemento que o ajuda a cuidar melhor da esposa, que tem câncer, e da sogra, que já sofreu três AVCs (Acidente Vascular Cerebral). “Eu e meu filho cuidamos das duas”, disse.

Planos – A lida diária contra a enfermidade em casa não tira o sorriso e o ânimo do garapeiro. À frente de seu primeiro negócio, ele tem planos de crescimento.

“A ideia é vender espetinho também. Isso mais pra frente, quando o movimento estiver maior. Vai dar tudo certo se Deus quiser”, afirmou, com brilho nos olhos, certamente o mesmo que tinha quando olhava o hipermercado ainda em construção.



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