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Economia

Benefícios sociais durante e pós-pandemia ajudam e índice de extrema pobreza cai

Taxa caiu de 4% em 2021, quando atingiu o maior índice do período, voltando para os habituais 2,7% em 2022

Por Lucia Morel | 06/12/2023 17:50
Crianças em meio aos escombros da favela do Mandela, que pegou fogo recentemente em Campo Grande. (Foto: Alex Machado/Arquivo)
Crianças em meio aos escombros da favela do Mandela, que pegou fogo recentemente em Campo Grande. (Foto: Alex Machado/Arquivo)

A crise sanitária decorrente da covid-19 obrigou medidas emergenciais que garantiram aos mais pobres auxílios de renda que vigeram pelo menos até 2021. O impacto positivo dessas medidas reduziu o percentual da população sul-mato-grossense que vive na linha da extrema pobreza, saindo de 4% em 2021, quando atingiu o maior índice do período, voltando para os habituais 2,7% em 2022, referente ao total da população de Mato Grosso do Sul.

Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), baseados na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), atribuem essa redução, que ocorreu em todo Brasil, à “conjunção entre os programas de transferência de renda – especialmente o Programa Auxílio Brasil – e o maior dinamismo do mercado de trabalho”, conforme trecho da publicação completa.

Conforme o IBGE, essa junção “apresentou efeitos positivos sobre o rendimento da população, produzindo melhores indicadores de desigualdade de renda e pobreza monetária para o ano de 2022”. Para se ter uma ideia, em 2015, o percentual de pessoas vivendo na extrema pobreza era de 2,3%; 1,9% em 2016; subiu para 3,3% no ano seguinte; se manteve em 3,4% em 2018; e caiu para 2,9% um ano depois.

No ano da pandemia, 2020, esse índice ficou em 2,6%, saltando para 4% no ano seguinte, o pior da covid-19 no Brasil, seja devido às dificuldades econômicas quanto diante da quantidade de mortos e infectados pela doença. Em 2022, como já citado, o percentual ficou em 2,7%.

Mesmo assim, do total da população de MS, 30,5% são pobres ou extremamente pobres. Para definir a linha de corte, o IBGE usa a classificação do Banco Mundial, que identifica os extremamente pobres sendo os que sobrevivem com até 2,15 dólares por dia, o que corresponde a R$ 10,53 na cotação de hoje da moeda americana.

Nesse quesito, o vizinho Mato Grosso é o que possui maior índice, com 4,1%. Goiás e MS aparecem com 2,7% e Distrito Federal com 1,8%. No Brasil, a extrema pobreza atinge 5,9% da população e o Estado com maior percentual de extremamente pobres é o Maranhão com 15%.

Já os medianamente pobres em Mato Grosso do Sul são os que vivem com renda diária de 3,65 dólares e os pobres, com 6,85 dólares (R$ 17,88 e R$ 33,56 respectivamente). Nesses casos, o percentual da população sul-mato-grossense com essa renda é de 6,2% e 21,3%. O índices de extrema pobreza, média pobreza e pobreza somam 30,5%.

Apesar disso, conforme os dados da pesquisa, as classes de rendimento domiciliar per capita de 3,65 dólares e de 6,85 dólares também sofreram reduções. Em relação à primeira renda, o índice saiu de 10,6% em 2021 para 6,2% em 2022; na segunda, caiu de 29,8% em 2021 para 21,3% em 2022. Sem os benefícios sociais, tais índices saltariam para 4,9%, 9,7% e 26%, respectivamente.

Cor da pele – Em relação aos brancos e pretos ou pardos, a população de MS é formada por maioria preta ou parda (54,9%), enquanto brancos são 43,5%. Nesse tópico, tem-se que 70,2% dos pretos ou pardos e 28,3% dos brancos estão na faixa da população 10% mais pobre de MS. Já entre os 10% com maiores rendimentos, esse índice se inverte, havendo 63,8% dos brancos entre os 10% mais abastados contra 34,5% dos pretos e pardos.

Por fim, os dados mostram o Índice de Gini (aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos) em Mato Grosso do Sul. Quanto mais próximo de 1,0, maior a desigualdade. Tal índice em MS ficou em 0,478 em 2022 com os benefícios de transferência de renda.

Em Mato Grosso do Sul, o Gini com os benefícios de programas sociais era de 0,476, em 2012. Em 2015, recuou até 0,449, quando atingiu o menor valor da série, registrando crescimento no período de 2017 a 2019. Em 2020, houve novo recuo (índice de 0,470), com a introdução dos benefícios emergenciais de transferência de renda.

Houve posterior aumento em 2021 (índice de 0,496), com o mercado de trabalho enfraquecido e a redução dos benefícios dos programas sociais emergenciais, seguido por nova queda. Em 2022, o Gini com os benefícios sociais atingiu o valor de 0,478.

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