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Economia

Brasil fecha 2025 com o menor desemprego da história e renda em alta

Mais gente trabalhando, carteira assinada em recorde e salário médio maior

Por José Cândido | 30/01/2026 07:52
Brasil fecha 2025 com o menor desemprego da história e renda em alta
Total de empregados do setor privado com carteira de trabalho foi recorde, chegando a 38,9 milhões em 2025 - Foto: AEN

O ano de 2025 terminou com um dado que chama atenção até de quem não costuma acompanhar estatísticas: o desemprego no Brasil caiu para 5,1%, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. É como se o país tivesse virado uma página longa e difícil — aquela que começou a ser escrita nos anos da pandemia, quando a taxa chegou a assustadores 14% e mais de 14 milhões de brasileiros buscavam uma vaga.

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O Brasil registrou a menor taxa de desemprego da história em 2025, atingindo 5,1%. O índice representa uma queda significativa em relação aos anos anteriores, especialmente quando comparado ao período da pandemia, quando chegou a 14%. A população ocupada alcançou 103 milhões de pessoas, um número recorde.O cenário positivo também se refletiu nos salários, com rendimento médio real habitual de R$ 3.560, alta de 5,7% em relação a 2024. O país fechou o ano com 38,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, maior patamar já registrado, enquanto a informalidade recuou para 38,1%.

No trimestre encerrado em dezembro, cerca de 5,5 milhões de pessoas estavam à procura de trabalho, enquanto a população ocupada alcançou 103 milhões, número recorde. Em termos práticos, isso significa mais gente acordando cedo para trabalhar, mais renda circulando e mais movimento na economia do dia a dia.

No balanço anual, a taxa média de desocupação caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, o melhor resultado em 13 anos. Em apenas um ano, o número de pessoas sem trabalho diminuiu em cerca de 1 milhão, passando de 7,2 para 6,2 milhões.

Segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, o dado mais relevante é que essa melhora não veio acompanhada de desalento ou precarização.
“A queda da desocupação foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”, destaca.

Mais gente trabalhando — e trabalhando melhor

Além do recorde no número de ocupados, outro indicador reforça o cenário positivo: o nível de ocupação — percentual de pessoas trabalhando entre aquelas em idade ativa — chegou a 59,1%, o maior da série histórica.

A melhora também aparece na chamada subutilização da força de trabalho, que inclui quem trabalha menos horas do que gostaria ou desistiu temporariamente de procurar emprego. Em 2025, esse grupo caiu para 16,6 milhões de pessoas, e a taxa composta de subutilização recuou para 14,5%, a menor já registrada.

Para se ter dimensão do avanço, nos anos mais duros da Covid, esse contingente ultrapassou 32 milhões de brasileiros.

Salário médio e massa de renda também batem recorde

Não foi só o emprego que cresceu. O bolso também sentiu diferença. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.560, alta de 5,7% em relação a 2024. É o maior valor da série histórica.

Com mais gente empregada e ganhando melhor, a massa de rendimento — soma de todos os salários pagos no país — alcançou R$ 361,7 bilhões, outro recorde, com crescimento de 7,5% em um ano.

De acordo com Adriana Beringuy, setores como informação, comunicação, atividades financeiras, administrativas, saúde, educação e serviços públicos puxaram esse avanço. São áreas com maior formalização, escolaridade mais elevada e salários mais altos.
Além disso, a valorização do salário mínimo ajudou a elevar a renda também nos segmentos mais simples e menos formalizados.

“O crescimento do rendimento foi difundido para a população ocupada como um todo”, resume.

Carteira assinada em alta histórica

Um dos números mais simbólicos de 2025 veio do emprego formal. O país fechou o ano com 38,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, o maior patamar já registrado. Em apenas um ano, foram mais 1 milhão de vagas formais.

Ao mesmo tempo, houve leve redução no número de empregados sem carteira e queda no contingente de trabalhadores domésticos. A informalidade também recuou, passando de 39% para 38,1% — ainda alta, mas em trajetória descendente.

“O peso da informalidade ainda é estrutural no mercado de trabalho brasileiro, especialmente no comércio e em serviços menos complexos”, pondera a coordenadora do IBGE.

Comércio reage no fim do ano

O último trimestre de 2025 consolidou o bom momento. Entre outubro e dezembro, a taxa de desemprego ficou novamente em 5,1%, confirmando o menor nível da série também nos trimestres móveis.

No período, o comércio voltou a contratar após queda no trimestre anterior, com destaque para os setores de vestuário e calçados, impulsionados pelas vendas de fim de ano. Também cresceram as vagas na administração pública, saúde, educação e serviços sociais.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, houve avanço expressivo em áreas como informação, comunicação, atividades financeiras e administrativas, além de forte expansão no setor público.

Um retrato mais otimista — com desafios pela frente

Os números da PNAD Contínua mostram um mercado de trabalho mais aquecido, com mais empregos, mais formalização e renda maior. Um cenário bem diferente daquele vivido poucos anos atrás.

Ainda assim, os próprios dados lembram que os desafios permanecem: milhões de brasileiros seguem na informalidade, e a qualidade do emprego continua sendo um tema central.

Mas, ao menos em 2025, o país terminou o ano com uma notícia rara — daquelas que ajudam a respirar um pouco melhor: trabalhar voltou a ser realidade para mais brasileiros.