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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

19/11/2012 14:49

Carvão vegetal pode colocar MS na condição de produtor de aço

Carlos Martins
Presidente do SindiCARV, Marcos Brito, prepara lançamento de projeto para modernizar o setor (Foto: Minamar Júnior)Presidente do SindiCARV, Marcos Brito, prepara lançamento de projeto para modernizar o setor (Foto: Minamar Júnior)

Utilizado em setores tão diversos, como na indústria química, farmacêutica, construção civil, e na produção do ferro gusa, o carvão vegetal está em vias de alçar o Estado ao estágio final da cadeia produtiva que responde hoje por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul (estimado em R$ 36 bilhões - dados de 2009). Quinto maior produtor de ferro gusa do País (cerca de 1 milhão de toneladas/ano), a nossa indústria já produz o suficiente para abastecer inicialmente uma aciaria – equipamento usado para produzir o aço – de pequeno porte. Os investimentos previstos para o setor já no próximo ano, ajudarão a criar mais 3 mil empregos, numa atividade que emprega hoje 7 mil pessoas.

Em janeiro, o lançamento do “Projeto Carvão Vegetal Cidadão”, marcará o início de uma transformação que, ao final de três ou quatro anos, colocará o setor produtivo em outro patamar. À frente do projeto está o Sindicato das Indústrias dos Produtores de Carvão Vegetal de Mato Grosso do Sul – SindiCARV juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores de Extração Mineral e Carvão Vegetal de Mato Grosso do Sul (Sitiemc-MS). No próximo dia 3 de dezembro, o Sindicato realiza no Ministério do Trabalho a última reunião para a apresentação final do projeto.

“O projeto é fundamente para promover melhorias. Irá consolidar a qualificação do trabalhador na indústria do carvão preparando o Estado para entrar no estágio da produção do aço. Se estamos melhorando o índice tecnológico do setor, a mão de obra também precisa ser qualificada”, diz Marcos Brito, presidente do SindiCARV.

E as perspectivas para o setor realmente são auspiciosas. No próximo dia 28 de novembro o SindiCARV participa em Brasília de uma reunião na qual poderá se confirmar a viabilização de recursos para o setor oriundos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Será o fruto de um projeto intitulado de “Modernização da Produção de Carvão vegetal no Brasil” e que foi entregue em 2010 ao MDIC durante encontro com representantes dos setores do aço e do ferro gusa de todo o Brasil, ocasião em que foram discutidos projetos de inovação tecnológica para o setor.

Produção - Com capacidade instalada de 200 mil metros cúbicos por mês, a produção atual é de 140 mil metros cúbicos por mês de carvão vegetal. Segundo o sindicato, 85% da produção atende as siderúrgicas, 7% o consumo doméstico (churrascarias etc) e o restante as indústrias químicas, farmacêutica, construção civil, indústria bélica, entre outras.

O carvão vegetal, que até o ano 2000 era vendido para Minas Gerais, abastece hoje seis altos fornos das siderúrgicas Vetorial (2 em Ribas do Rio Pardo, 2 em Corumbá e 1 em Campo Grande) e Simasul (em Aquidauana). Com investimentos e tecnologia a projeção é de crescimento para o setor com a consequente geração de empregos. Segundo maior produtor de carvão vegetal do País, Mato Grosso do Sul possui ainda a segunda maior reserva de minério de ferro do Brasil, em Corumbá. É neste município, que uma siderúrgica adquirida pela Vetorial Siderurgia mantém uma planta industrial com capacidade suficiente para implantar uma aciaria.

A organização e estruturação do setor em Mato Grosso do Sul começou em 2008 com a criação do SindiCARV. Ao assumir a presidência do sindicato, Brito (em segundo mandato) se reuniu com as siderúrgicas e explicou seus planos para melhorar o nível e a qualidade da produção. O presidente disse que o sindicato iria investir no setor, na qualificação dos trabalhadores e que as próprias siderúrgicas seriam beneficiadas. “Expliquei que na hora em que tiver o filiado produzindo cem por cento de forma ambiental legal, com total segurança do trabalhador, e com o produto certificado, o trabalho teria que ser valorizado com o pagamento de um melhor preço pelo produto”.

E o incentivo veio na forma do preço diferenciado. Mediante um incentivo das siderúrgicas em parceria com o SindiCARV, o produtor filiado recebe seis reais a mais por tonelada. “Isso incentivará os produtores a se filiar, pois o sindicato oferece vários serviços, como assessoria ambiental, técnica e jurídica”, explica o presidente. Em Corumbá, por exemplo, o preço pago ao produtor associado é de R$ 416 por tonelada. O resultado é que mais de 80% das empresas estão filiadas. Dos cerca de 300 produtores de carvão vegetal, atualmente 245 são associados.

A madeira usada para produzir o carvão provém de material lenhoso (floresta desmatada), de supressão vegetal legalizada e ainda de áreas degradadas que estão sendo recuperadas com o plantio de florestas de eucalipto atendendo aos Planos de Suprimento Sustentável (PSS) das siderúrgicas que atuam no estado. A Vetorial desde 2003 vem investindo em florestas plantadas. Atualmente, a empresa planta 40 mil hectares (próprias e de terceiros) e deve atingir 100% de sustentabilidade em 2018 quando a área plantada atingir 83 mil hectares.

Atualmente o SindiCARV tem 245 filiados distribuídos em 41 municípios (Foto: Minamar Júnior)Atualmente o SindiCARV tem 245 filiados distribuídos em 41 municípios (Foto: Minamar Júnior)

Parceria e apoio - Patrocinado pelas siderúrgicas Vetorial e Simasul, o “Projeto Carvão Vegetal Cidadão” tem diversas entidades como parceiras (FIEMS, Senai, Famasul, Senar, Sebrae, secretarias estaduais e municipais e universidades federais e estaduais) e o importante apoio técnico de órgãos e entidades ligadas ao trabalho, como a Fundacentro (Ministério do Trabalho e Emprego) e do Ministério Público do Trabalho (MS). “O ministério viu realmente que nós queríamos o apoio para mudar, inclusive a imagem do setor”, diz o presidente.

É justamente o resgate da imagem institucional do setor produtivo o objetivo principal do projeto e o consequente resgate da dignidade da classe trabalhadora das unidades de produção de carvão vegetal de Mato Grosso do Sul. “Estamos num processo de transição e hoje a produção em escala industrial, com a mecanização, atinge um índice de 35% a 40%”, revela Marcos Brito. Isso significa que a utilização de fornos rudimentares (conhecidos como “rabo quente”) está dando lugar a um sistema moderno, totalmente computadorizado.

O projeto quer também, dos órgãos fiscalizadores, o respaldo necessário para o bom andamento. Entre as metas, ao longo de sua execução, estão: melhorar as condições de trabalho, saúde e segurança em 300 Unidades de Produção de Carvão no período de 2 a 3 anos; obter a adesão mínima de 40 empresários e produtores de carvão vegetal, atender de forma direta, no mínimo, 5 mil trabalhadores do setor e qualificar pelo menos 10 dirigentes sindicais (patronal e laboral) para o acompanhamento do projeto.

Três grupos de trabalho estarão acompanhando a implementação do projeto: Comitê Gestor (presidentes do SindiCARV e do Sitiemc-MS), Comitê Consultivo (órgãos ligados ao trabalho) e Coordenação Técnica (administrativo e financeiro e equipes técnicas). Ao final do projeto, entre os resultados, espera-se alcançar melhoria das condições de trabalho, aumento da sindicalização, melhor remuneração do carvão vegetal, aumento no volume de negócios e melhoria na qualidade do carvão vegetal.



Se não fosse as Siderúrgicas do Estado, realmente os Carvoeiros estariam ferrados´pois todo o parque Siderúrgico de Minas Gerais já ultrapassaram os 10 anos, limite p se tornarem auto suficientes, prazo que podem consumir carvao de serrado e passam consumir somente carvao de eucalipto, isso é lei Federal e não Estadual. Quem tiver carvao de eucalipto está livre p vender p MG e até p/ China. Por sorte o Estado atraiu Siderúrgicas p cá devido o potencial de minério e carvão, temos um parque industrial super novo e passível de consumir carvão de nativo por 1O anos, desde q as Siderúrgicas cumpram com o PSS- PLANO DE SUPRIMENTO SUSTENTÁVEL, plantando florestas equivalente ao consumo. É essa comprovação q nosso Estado exige através da Lei, só isso, justamente p preservar nossas florestas.
 
Lourenço Gonçalves em 21/11/2012 00:02:06
Temos orgulho dos nossos trabalhadores é por isso q temos investido na capacitação deles e vamos intensificar, ridículo seria mandá-los embora p contratar novos já pronto, menosprezando quem realmente merece, pelo contrário, serão valorizados e respeitados e esse projeto Carvao Cidadão será uma ferramenta importante p/ isso. Ambientalmente falando,entre o q emitimos e sequestramos de Co2 da atmosfera, deixamos um saldo positivo no balanco, pois até as florestas chegarem ao corte já produziram oxigenio por muitos anos e são substituidas por outras florestas plantadas recuperando áreas degradadas, continuando o ciclo, produzindo oxigenio.
 
luzia fernandes em 20/11/2012 23:48:50
Lamentável a colocação do Sr. Eugenio de Souza, pela entrevista que li, me parece que esse setor é responsável pela geracao de milhares de empregos e além disso é responsável pela producao de um produto nobre que é matéria prima p/ o Aço que por sua vez é um produto que sem ele voltaríamos a idade da pedra. Vejo tbém que é um negócio sustentável já que as Siderúrgicas plantam florestas o equivalente ao que consome de carvao nativo e até 2018 se tornará auto sustentável. Por outro lado o setor não desmata e sim cumpre com a legislação dando uma destinação a lenha oriundo do desmatamento legal, realizado por donos de terra q sao obrigados a cumprir c o dever social tornando suas terras produtivas. Só p lembrar, no Estado, décadas atrás todo esse material era queimado por não ter destinação.
 
Augusto Tavares em 20/11/2012 23:26:12
E triste ver um comentário tão ignorante como o do sr. Gustavo Capibaribe que nem sabe o que está escrevendo. Ninguém desmata uma área de floresta para simplesmente fazer carvão. Desmata-se para abrir espaço para pecuária e agricultura, ou seja, para colocar alimento na mesa da população. Como é obrigatório que se dê um destino comercial para a madeira derrubada, utiliza-se a mesma para a produção de carvão, gerando empregos ao povo e impostos ao estado. Acho que o leitor citado não sabe quantos milhares de empregos diretos e indiretos são proporcionados pela indústria do carvão vegetal em nosso estado. Outra coisa, sem o carvão vegetal meu amigo, muitas coisas, como automóvel e moto e outros produtos oriundos de ferro ou aço, não existiriam ou seriam muito mais caras.
 
Edivaldo Boszczowski em 20/11/2012 12:41:58
Vai ter que melhorar MUITO a mão-de-obra das carvoarias. O que eu tenho visto são funcionários mal pagos, alcoólatras, fugitivos da justiça. Para atingir o nível de qualidade pretendida pelo presidente do SINDICARV, as carvoarias vão ter que mandar todos os funcionários embora e contratar gente nova.
 
Eugenio de Souza em 20/11/2012 11:38:17
Carvão vegetal? O maior vilão da poluição atmosférica e do desmatamento? Só besta acredita que isso é desenvolvimento! Podem dar adeus ao que restou de nossas florestas!
 
Gustavo Capibaribe em 19/11/2012 22:43:07
A siderurgica que compra e monopoliza o carvão vegetal em MS, não esta pagando produtores!!!! O IMASUL é um organismo administrado por incompetentes, sem contar com as leis que dificultam a venda externa do Estado e a perseguição do IBAMA, PMA E O PRÓPRIO IMASUL.. Bom o presidente do sindcarv é o maior vaselina que ha... em resumo o produtor de carvão do MS ta ferrado, devendo até os cabelos e como sempre marginalizado...
 
CARLOS LIMA em 19/11/2012 20:21:55
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