Com R$ 44 a mais, trabalhador consegue upgrade na cesta básica
Segundo vendedores de mantimentos, é possível reforçar a dispensa com mais arroz, feijão, óleo, açúcar, pacotes de macarrão, dentre outros itens essenciais
O aumento de R$ 44 no salário mínimo corresponde nem a 10% do valor médio de uma cesta-básica em Campo Grande, mas de acordo com comerciantes do produto com o valor é possível sim dar um “upgrade” na lista de produtos. Em novembro de 2018, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a Capital teve a 6ª cesta-básica mais cara do País – R$ 420,80, preço correspondente 47,94% do piso salarial, que era de R$ 954.
A partir do mês que vem, o trabalhador receberá no mínimo R$ 998 por mês. Com o reajuste de 4,6%, segundo vendedores de mantimentos, é possível reforçar a dispensa com mais arroz, feijão, óleo, açúcar, pacotes de macarrão, dentre outros itens essenciais.
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Apesar da análise positiva, os comerciantes não acreditam em aumento significativo nas vendas. Afinal, celetistas não gastam somente com a cesta-básica e devem usar o aumento para outras despesas, como aluguel por exemplo.
“Como o aumento foi muito pouco e as pessoas têm mais contas além do mercado, acredito que para o comércio não vá fazer diferença”, afirma Nelson Bento, dono do Box do Nelson, que vende cestas-básicas no Mercadão.
O comerciante afirma que com o aumento é possível, contudo, comprar mais 2 sacos de arroz, 2 de feijão, 2 de açúcar e 2 de óleo. “Uma cesta farta que dá para uma família de quatro pessoas sai cerca de R$ 200”, afirma.
Estevão Dario Melgarejo, administrador da Real Cesta Básica, é mais otimista. “Dá para comprar mais 4 pacotes de arroz, 12 latas de óleo, 7 pacotes de açúcar de 2kg e 18 pacotes de macarrão”, calcula.
Ele aproveita para destacar que comprar mantimentos em cesta-básica é uma forma de economizar o salário, que já é mínimo. “A gente percebe que ao ir ao mercado você se distrai e acaba comprando outras coisas e não o que realmente precisa. Acho que com o pouco aumento, quem pensar direito vai acabar preferindo a cesta básica que compensa mais”, disse.
No box dele no Mercado Municipal, as cestas variam de R$ 50 a R$ 350 e para as famílias de quatro pessoas, segundo o administrador, é possível adquirir um pacote com mantimentos por R$ 90.
O proprietário do Box da Tereza explica que se não houve inflação nos valores dos produtos, é possível que o aumento do mínimo influencie nas vendas. “Na minha opinião só o aumento do salário não é suficiente, mas se os preços se mantiverem é possível que tenha uma esquentada no comércio. Vamos aguardar para ver”, conclui Atsushi Nakamura.
O comerciante afirma ainda que com R$ 44 é possível quase que dobrar a lista de mantimentos de uma cesta.
Ideal – Constitucionalmente, o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Em novembro de 2018, o piso necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.959,98, ou 4,15 vezes o salário mínimo nacional, que era de R$ 954,00.