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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

17/12/2013 14:10

Concessão da BR-163 resolve gargalo, mas encarecerá frete em 20%

Aline dos Santos
Rodovia será explorada pela iniciativa privada pelos próximos 30 anos. (Foto: Marcos Ermínio)Rodovia será explorada pela iniciativa privada pelos próximos 30 anos. (Foto: Marcos Ermínio)

Caminho de escoamento da produção, cruzando o Estado de Mundo Novo a Sonora e apelidada de Rodovia da Morte, a BR-163 foi leiloada nesta terça-feira para a iniciativa privada, que vai explorar o trecho por 30 anos. Na análise positiva, a duplicação vai resolver um gargalo logístico, proporcionar maior segurança e reduzir gastos (como combustível e pneu). Porém, a mesma cobrança de pedágio – R$ 4,38 a cada 100 quilômetros - deve encarecer o frete em até 20%, com reflexo direto no bolso dos consumidores.

Presidente do Setlog/MS (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística), Claudio Cavol, avalia que o pedágio somente seria competitivo se tivesse teto de R$ 3. “Encarece o transporte, com reflexo para o produtor como também para os consumidores”, afirma.

Ele compara o preço com o do Mato Grosso, onde o pedágio na BR-163 será de R$ 2,62 por eixo. “Esse valor foi sadio para a economia do Estado vizinho”. Para Cavol, a tendência é que caminhoneiros que seguem do Mato Grosso para o Porto de Paranaguá, no Paraná, cortem caminho por Goiás, fugindo da cobrança em Mato Grosso do Sul.

O presidente do Setlog exemplifica que um “rodotrem”, veículo com nove eixos, pagará R$ 39,42 a cada praça de pedágio, que, ao todo, vão chegar a nove pontos de cobrança. “Serão R$ 355 para atravessar o Estado. Lembrando que a carga do agronegócio não tem grande valor agregado”, salienta.

Ainda para demonstrar como a cobrança onera o frete, Claudio Cavol explica que o transporte de 37 toneladas de soja, com valor de R$ 150 a tonelada, é de R$ 5.550. Caso o caminhão parta da região Sul do Estado em direção ao Paraná, deve gastar R$ 200 em pedágio. Ou seja, 4% do valor do frete será consumidor pela cobrança para utilizar a via.

Revolta - Com a divulgação da vitória da CCR (Companhia de Participações em Concessões), que já administra 15% da quilometragem total das rodovias concedidas à iniciativa privada no País, e dos valores, o Sindicargas (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Cargas) também se lançou aos cálculos. “Isso vai ajudar a matar o Estado. O setor de cargas está revoltado”, afirma o relações-públicas do sindicato, Roberto Sinai.

Levando em consideração um veículo de sete eixos, o custo para atravessar o Estado, trazendo calcário e voltando com soja, por exemplo, será de R$ 551,88. O cálculo é para ida e volta. “O frete deve ficar quase 20% mais caro”, afirma. Sinai enfatiza que cabe ao governo manter a segurança e condições de tráfego nas vias a partir da renda obtida com os impostos.

Fim do gargalo - Para a Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), a duplicação da rodovia torna Mato Grosso do Sul mais competitivo, com a eliminação de um gargalo na logística. “Está em uma situação extremamente crítica. É um gargalo que se precisava resolver. São investimentos de R$ 6 bilhões”, afirma o diretor executivo e coordenador do Centro-Oeste Competitivo, Jaime Verruck.

A previsão é que o contrato seja assinado em 6 de março de 2014. “Vai ter que fazer mais ou menos 100 km para fazer a primeira cobrança”, salienta o diretor, frisando que a empresa tem experiência no setor e depende da agilidade nas obras para obter retorno.

O estudo Centro-Oeste competitivo verificou que o fluxo de veículos na BR-163 chega a sete mil por dia, sendo 4.500 caminhões. “Em quatro anos, colocamos mais 20 milhões de toneladas circulando na rodovia, com supersafra de soja, milho, exportação de celulose”, diz Verruck.



O caminhão que atravessa o Estado, do MT para SP ou PR, hoje cruza a BR163 sem nem mesmo abastecer por aqui, já que o nosso combustível tem ICMS maior. Atrapalha o nosso trânsito (a BR163 é a rodovia mais perigosa do Estado) e não contribui com nada. Já o frete da produção agrícola (que segue para exportação e também não recolhe impostos) como demonstrado nos comentários anteriores não tem como aumentar em 4% em razão do pedágio. Além disso, para os automóveis haverá economia de pneus, melhora no consumo e na segurança. Já basta a gasolina subsidiar o diesel, não é preciso que os carros sofram no trânsito ruim, em estrada esburacada, sem conseguir ultrapassar para a conveniência do transporte de carga (que deveria seguir de trem).
 
Marcus Abreu em 18/12/2013 09:42:13
Sou motorista de estrada fazer pedagio- passar as dividas para nós é muito simples
é só fazer um leilão da rodovia e passar a conta para o contribuinte.
Estou aposentando vou comprar um cavalinho e andar pelas estradas,isto porque
ainda não construirão as cabines de pedagio para ele passar iiinnnhhhooo;;;;
 
helio gomes de andrade em 18/12/2013 08:10:55
Helio, neste sentido o Gengis tem razão, somente o fato de duplicação não parará com as mortes e tambem encarecimento do transporte. O que resolveria de fato a situação seria um investimento pesado em modais. Basta olhar para os EUA, la a coisa funciona muito bem obrigado.
 
Arnaldo Gomes em 18/12/2013 07:46:33
Calcular em 20% o acréscimo no frete rodoviario, creio que não é sério pois há um acréscimo no custo como um todo; mas um decrécimo, pelo menor consumo de combustível, pelo ganho de tempo, menor gasto em manutenção e por aí vai. Reclamar e valido e honesto; mas vamos reclamar com base solidas, não no impulso de um momento, para depois calarmos.
 
luís eloy alves da costa em 18/12/2013 07:40:33
Concordo com os comentários de Gengis Kahn e Helio de Souza, sendo este último o mais importante, já que lembra das inúmeras vidas que se perderam na "rodovia da morte". Agora, quanto ao frete ficar 20% acho precipitado falar nesse aumento, chegando à beira da especulação. Se o pedágio encarecesse tanto assim os produtos transportados, nos outros estados do Brasil onde as principais rodovias são pedagiadas, não haveria transporte rodoviário de produtos.
Não gosto de pagar pedágio, mas é preferível pagar e ter uma rodovia com segurança e qualidade do que esperar que o governo tire dinheiro das suas polpudas contas fantasmas para fazer esse serviço, que na verdade é uma obrigação e não um favor.
 
Icaro Sen em 17/12/2013 23:34:11
só quero ver oq vai ser das rodovias estaduais daqui pra frente, vai ter tanta gente desviando dos pedagios...
 
bruno roberto girelli em 17/12/2013 18:47:51
Lamento que o título da matéria destaca a solução para o gargalo logístico e, mais ainda, o aumento no valor do frete, omitindo o principal que a preservação de vidas. Quantas vidas foram perdidas ao longo dos anos nessa rodovia em acidentes motivados por imprudência ou má conservação da pista! A duplicação da 163 poderá fazer a rodovia perder a alcunha de "rodovia da morte", resolvendo definitivamente a questão do gargalo logístico e, principalmente, preservando vidas. Acredito ser esse o ponto mais positivo proporcionado pela duplicação da 163.
 
Hélio de Souza em 17/12/2013 16:06:29
PEDAGIO +IPVA+LICENCIAMENTO+SEGURO OBRIGATÓRIO+IMPOSTOS EMBUTIDO NO VALOR DOS COMBUSTIVEIS QUE NÃO PARA DE AUMENTAR= ? (POÇO SEM FUNDO)

IR A LUA FICA MAIS BARATO
 
wilson gomides dos santos em 17/12/2013 15:52:35
Se levarmos em conta um veiculo de 4 eixos a 4,38 cada eixo por 400 km que é a fronteira de nosso estado com São Paulo em qualquer direção, levando em conta que a maioria dos itens que compramos de fora vem de São Paulo, daria um montante de R$ 70,00, então não vai ser 20% do frete, a não ser que o frete seja R$ 350,00 aí beleza, agora se diminuirmos o ICMS, pode aumentar 100% do frete que os preços ainda vão chegar mais baixos.
 
maximiliano nahas em 17/12/2013 15:42:10
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