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Economia

Concessão da BR-163 resolve gargalo, mas encarecerá frete em 20%

Por Aline dos Santos | 17/12/2013 14:10
Rodovia será explorada pela iniciativa privada pelos próximos 30 anos. (Foto: Marcos Ermínio)
Rodovia será explorada pela iniciativa privada pelos próximos 30 anos. (Foto: Marcos Ermínio)

Caminho de escoamento da produção, cruzando o Estado de Mundo Novo a Sonora e apelidada de Rodovia da Morte, a BR-163 foi leiloada nesta terça-feira para a iniciativa privada, que vai explorar o trecho por 30 anos. Na análise positiva, a duplicação vai resolver um gargalo logístico, proporcionar maior segurança e reduzir gastos (como combustível e pneu). Porém, a mesma cobrança de pedágio – R$ 4,38 a cada 100 quilômetros - deve encarecer o frete em até 20%, com reflexo direto no bolso dos consumidores.

Presidente do Setlog/MS (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística), Claudio Cavol, avalia que o pedágio somente seria competitivo se tivesse teto de R$ 3. “Encarece o transporte, com reflexo para o produtor como também para os consumidores”, afirma.

Ele compara o preço com o do Mato Grosso, onde o pedágio na BR-163 será de R$ 2,62 por eixo. “Esse valor foi sadio para a economia do Estado vizinho”. Para Cavol, a tendência é que caminhoneiros que seguem do Mato Grosso para o Porto de Paranaguá, no Paraná, cortem caminho por Goiás, fugindo da cobrança em Mato Grosso do Sul.

O presidente do Setlog exemplifica que um “rodotrem”, veículo com nove eixos, pagará R$ 39,42 a cada praça de pedágio, que, ao todo, vão chegar a nove pontos de cobrança. “Serão R$ 355 para atravessar o Estado. Lembrando que a carga do agronegócio não tem grande valor agregado”, salienta.

Ainda para demonstrar como a cobrança onera o frete, Claudio Cavol explica que o transporte de 37 toneladas de soja, com valor de R$ 150 a tonelada, é de R$ 5.550. Caso o caminhão parta da região Sul do Estado em direção ao Paraná, deve gastar R$ 200 em pedágio. Ou seja, 4% do valor do frete será consumidor pela cobrança para utilizar a via.

Revolta - Com a divulgação da vitória da CCR (Companhia de Participações em Concessões), que já administra 15% da quilometragem total das rodovias concedidas à iniciativa privada no País, e dos valores, o Sindicargas (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Cargas) também se lançou aos cálculos. “Isso vai ajudar a matar o Estado. O setor de cargas está revoltado”, afirma o relações-públicas do sindicato, Roberto Sinai.

Levando em consideração um veículo de sete eixos, o custo para atravessar o Estado, trazendo calcário e voltando com soja, por exemplo, será de R$ 551,88. O cálculo é para ida e volta. “O frete deve ficar quase 20% mais caro”, afirma. Sinai enfatiza que cabe ao governo manter a segurança e condições de tráfego nas vias a partir da renda obtida com os impostos.

Fim do gargalo - Para a Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), a duplicação da rodovia torna Mato Grosso do Sul mais competitivo, com a eliminação de um gargalo na logística. “Está em uma situação extremamente crítica. É um gargalo que se precisava resolver. São investimentos de R$ 6 bilhões”, afirma o diretor executivo e coordenador do Centro-Oeste Competitivo, Jaime Verruck.

A previsão é que o contrato seja assinado em 6 de março de 2014. “Vai ter que fazer mais ou menos 100 km para fazer a primeira cobrança”, salienta o diretor, frisando que a empresa tem experiência no setor e depende da agilidade nas obras para obter retorno.

O estudo Centro-Oeste competitivo verificou que o fluxo de veículos na BR-163 chega a sete mil por dia, sendo 4.500 caminhões. “Em quatro anos, colocamos mais 20 milhões de toneladas circulando na rodovia, com supersafra de soja, milho, exportação de celulose”, diz Verruck.

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