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Economia

Construção civil dá férias coletivas para 50 mil trabalhadores em MS

Setor ainda busca prorrogação do vencimento de impostos e pagamento de medições

Por Jones Mário | 23/03/2020 10:40
Medida vale tanto para obras públicas como para empreendimentos privados (Foto: Anahi Zurutuza)
Medida vale tanto para obras públicas como para empreendimentos privados (Foto: Anahi Zurutuza)

Os sindicatos patronal e laboral da construção civil em Mato Grosso do Sul definiram a paralisação das obras em todo o Estado, em iniciativa de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. A medida coloca em férias coletivas pelo menos 50 mil trabalhadores.

Segundo o presidente do Sintracom-CG (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande) e da Fetricom-MS (Federação dos Trabalhadores na Construção Civil de Mato Grosso do Sul), José Abelha Neto, o ato foi assinado nesta manhã, como aditivo à convenção coletiva da categoria.

“Já tem decreto da prefeitura de Campo Grande, determinando a paralisação tanto de obras públicas como privadas. Então, estamos assinando, aditivo a convenção trabalhista para dar férias coletivas a todos os trabalhadores a partir de hoje [segunda-feira, 23]”, disse Abelha Neto.

No momento, os operários ficam afastados de suas funções por 30 dias. Segundo o presidente das entidades, o prazo pode ser estendido.

O Sinduscon/MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção do Estado de Mato Grosso do Sul), por sua vez, recomendou a paralisação de todas as obras, de iniciativa pública ou particular. O presidente da instituição, Amarildo Melo, afirmou que cada empresa tomaria sua decisão.

Sobre as obras públicas, o Sinduscon/MS pediu audiências com prefeitura da Capital e governo do Estado, a fim de apresentar demandas do setor. Entre os pedidos estão pagamento de todas as medições em aberto, celeridade das medições em processamento e consequente pagamento, além da prorrogação de prazo para pagamento de impostos, como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza).

De acordo com Amarildo Melo, uma das prioridades do setor é garantir a subsistência dos trabalhadores.

No sábado (21), durante transmissão ao vivo, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) revelou que preparava a suspensão dos vencimentos de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS, a partir de hoje, “para não onerar o cidadão, o comerciante, o microempresário”.

O Sinduscon/MS calcula em aproximadamente 2 mil empresas envolvidas na cadeia da construção civil em Mato Grosso do Sul.

Plaenge - O grupo anunciou a paralisação de todos os seus empreendimentos a partir desta segunda-feira (23). A medida abarca 700 funcionários, que ganharam férias coletivas e só devem retornar ao trabalho no dia 22 de abril. Segundo comunicou a empresa, os operários terão direitos e remunerações garantidas.

O grupo divulgou que também fechou seu showroom (entre as Avenidas Mato Grosso e Via Park) para clientes e visitantes desde o último sábado (21). O atendimento comercial é feito somente por meio de canais digitais, como WhatsApp, chat, aplicativo, Portal do Cliente e redes sociais, além do telefone.

Os setores administrativos da Plaenge continuam funcionando, mas quase todo em regime de home office.

Casos - Segundo última atualização da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Mato Grosso do Sul tem 21 casos confirmados de novo coronavírus. A pasta monitora outras 50 ocorrências suspeitas. O número de notificações é de 272.