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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

08/07/2010 15:14

Construção civil já vive drama por falta de cimento

Redação

A falta de materiais básicos, principalmente cimento, que está saindo 37% mais caro para construtores, faz o setor viver um drama. O problema já era anunciado, o ritmo acelerado das construções andou em descompasso com a produção das indústrias, lembra o presiente licenciado do Sinduscon/MS (Sindicato da Indústria da Construção Civil de Mato Grosso do Sul), Amarildo Miranda Melo.

Ele conta que em duas obras suas o cronograma foi atrasado, uma em 12 dias por falta de materiais básicos e outra em 20 dias porque a empresa que faz a concretagem está sobrecarregada com a demanda. O atraso significa também dias parados para os trabalhadores, ou seja, dias em que eles não recebem.

"Hoje a maioria dos trabalhadores trabalha como diarista, na informalidade, porque recebe mais. Ele prefere receber R$ 1,4 mil do que ter a carteira assinada e receber R$ 700,00", explica.

Outro agravante é que o custo das obras disparou. Amarildo conta que o saco de 50 kg de cimento, que há dois meses comprava por R$ 16,00, do fabricante, quando é encontrado, na revenda, custa R$ 22,00, um aumento de custo de 37%. A situação afeta tanto empreiteiras quanto o pequeno consumidor, que está construindo ou reformando a própria casa.Segundo o presidente do Sinduscon/MS, o problema é generalizado: "Ontem ligamos para mais de 32 depósitos e não tinha nenhum saco de cimento para vender", diz.

Nas obras públicas municipais, a situação foi contornada e o cronograma está mantido, segundo o secretário de Governo da Prefeitura, Rodrigo Aquino. "O secretário (de Obras) João Antônio de Marco comentou que havia dificuldade, mas conseguiram resolver isso no próprio mercado interno", afirma. Em Dourados, as obras públicas já estão comprometidas por conta da falta de cimento.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário de Campo Grande, Samuel da Silva Freitas, diz que em Campo Grande e em Dourados, algumas empresas estão começando a demitir funcionários e se não houver importação do produto pode haver um colapso.

O empresário Luiz Nogueira, da Concreforte, disse que o setor vive um grande drama e que precisa das autoridades estaduais e federais para resolver imediatamente o problema, antes que empresas do setor comecem a quebrar. Ele, que comprava o cimento diretamente das indústrias a um preço de R$ 16,40 o saco de 50 kg, hoje, nem por R$ 23,00 ele consegue adquirir no mercado.

"Precisamos urgentemente que as autoridades interfiram nesse processo, garantindo a colocação do cimento no mercado, quer seja através do aumento de produção no Brasil, ou importando", afirma.

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