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Economia

Depois de vendas, JBS deve continuar reduzindo mercado, afirma analista

Grupo vendeu por US$ 300 milhões negócios no Paraguai, Argentina e Uruguai

Por Osvaldo Júnior | 06/06/2017 17:06
Unidade do frigorífico JBS em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)
Unidade do frigorífico JBS em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio)

Envolvida com denúncias de corrupção, a JBS deixa aos poucos de ser a gigante do mercado da carne. O grupo divulgou, nesta terça-feira (dia 06), fato relevante, informando venda por US$ 300 milhões ao grupo Minerva de todas as ações de suas subsidiárias com operações de carne bovina na Argentina, Paraguai e Uruguai.

Na avaliação do analista de mercado pecuário da Rural Business, Júlio Brissac, a tendência é de continuidade das vendas de unidades da JBS, inclusive as de Mato Grosso do Sul e de demais regiões do Brasil. “Se não for vendida em sua totalidade, a JBS vai diminuir muito a sua participação no mercado”, afirmou.

Ele observa certa aversão das diferentes partes da cadeia produtiva pela marca JBS depois das denúncias de corrupção envolvendo o grupo. “Os consumidores têm demonstrado ojeriza pela marca. Grandes redes também estão deixando de comprar produtos da JBS”, diz, acrescentando que o grupo já não tem a mesma força de mercado.

O analista também nota que não só as vendas foram impactadas, mas também as compras pelos frigoríficos da JBS. De acordo com Brissac, os produtores estão mais cautelosos na destinação de bovinos para abates em frigoríficos do grupo.

Essa situação tende a abrir espaço para grandes investidores estrangeiros, conforme Brissac. “Muitos têm interesse no mercado brasileiro. No entanto, com o domínio da JBS, não havia tanto investimento”, afirmou. “Há grandes grupos chineses comprando plantas na Argentina e no Uruguai e de olho nos mercados do Paraguai e do Brasil”, exemplificou.

Fato relevante – De acordo com fato relevante publicado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a JBS vendeu operações na Argentina, Paraguai e Uruguai para, respectivamente, Pul Argentina, Frigomerc e Pulsa, todas controladas pela Minerva.

“A companhia [JBS] pretende utilizar os recursos obtidos com a transação para diminuir sua alavancagem financeira”, informa o documento.

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