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Economia

Dólar sobe 0,64% e acumula alta de 1,17% na semana

Pela manhã, o IBGE divulgou que o IPCA-15 de setembro foi de 1,14%

Por Antonio Perez | 24/09/2021 19:36
Em setembro, o dólar acumula valorização de 3,32%. (Foto: Paulo Francis)
Em setembro, o dólar acumula valorização de 3,32%. (Foto: Paulo Francis)

A onda de fortalecimento global da moeda americana - que subiu tanto em relação a divisas fortes quanto emergentes - pautou os negócios no mercado doméstico de câmbio nesta sexta-feira, 24, e levou o dólar à vista a se consolidar acima do patamar de R$ 5,30, encerrando a semana com valorização acumulada de 1,17%.

Esta semana foi marcada pela sinalização do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de que o início da redução da compra mensal de bônus ('tapering') deve começar em novembro e pelos temores relacionados aos desdobramentos crise de solvência da incorporadora chinesa Evergrande sobre os mercados imobiliário e financeiro.

No front doméstico, as atenções dos investidores estiveram voltadas à busca de uma solução para o pagamento de precatórios, em meio à nova proposta de PEC, e à tramitação da reforma do Imposto de Renda no Senado - ambos essenciais para seja possível compatibilizar o programa social Auxílio Brasil com o cumprimento do teto de gastos, a âncora fiscal do país. Ontem à noite, em sua tradicional live às quintas-feiras, Bolsonaro afirmou que, se a equipe econômica conseguir, o Auxílio Brasil pode até superar os R$ 300.

Isso tudo em meio a um cenário econômico desafiador, marcado por aceleração da inflação e rebaixamento das expectativas para o crescimento do PIB neste ano e no próximo - o que aviva os receios de que o presidente apoie a extensão de benesses sociais em sua busca pela reeleição.

Pela manhã, o IBGE divulgou que o IPCA-15 de setembro foi de 1,14%, no teto das expectativas do levantamento do Projeções Broadcast, o que levou a variação acumulada em 12 meses a 10,05% Dada à sinalização do Copom em seu comunicado na quarta-feira (22), quando elevou a Selic de 5,25% para 6,25%, a maioria dos analistas mantém, por ora, a perspectiva de nova alta de 1 ponto porcentual da taxa básica em outubro (25 e 26).

Refletindo a busca dos investidores por proteção, o dólar à vista operou em alta desde a abertura dos negócios, sempre acima da linha de R$ 5,30, e correu até a máxima de R$ 5,3549 ainda pela manhã. Depois de passar a tarde rodando na casa de R$ 5,34, a moeda americana encerrou o pregão em alta de 0,64%, cotada a R$ 5,3438 - maior nível de fechamento desde 23 de agosto (R$ 5,3820). Em setembro, o dólar acumula valorização de 3,32%.

Lá fora, o dia foi marcado pela informação de que a Evergrande teria deixado de honrar o pagamento de juros programados para ontem, o que elevou os temores de eventual insolvência da incorporadora - evento cujos reflexos sobre a economia chinesa e, por tabela, mundial ainda não estão totalmente mapeados.

Nas mesas de operação também foram monitoradas falas de dirigentes do Fed que ratificaram a percepção da iminência do tapering. A presidente do Federal Reserve de Kansas Citi, Esther George, disse que, com inflação "bem acima da meta" e taxa de desemprego em 5,3%, "a justificativa para continuar" com a compra mensal de ativos diminui. Já a presidente do Fed em Cleveland, Loretta Mester, afirmou que as compras de ativos já não funcionam como antes e que apoia o início do tapering em novembro, além de alta de juros no fim de 2022.

O diretor de estratégia da Inversa Publicações, Rodrigo Natali, destaca o movimento de alta expressivo do yield da T-note de 10 anos, que atingiu hoje 1,46%, e o fortalecimento do dólar nos últimos dias. "Por mais evasivo que o Fed possa ser, o fato é que estamos chegando perto do tapering, que só não vira em novembro se houver algum problema grave. O mercado está acostumado aos estímulos e isso vai mudar", diz Natali, ressaltando que a diminuição da liquidez tende a carregar recursos para os Estados Unidos e fortalecer o dólar.

Natali não considera que o real possa se beneficiar do aumento da taxa Selic, já que, dada a inflação, o juro real ainda não é atraente. Além disso, os problemas domésticos, com as disputas político-institucionais, turvam o horizonte econômico e inibem a atração de recursos estrangeiros. "A verdade é que o Brasil não está no mapa do carry trade. Os grandes hedge funds tem sido bem sucedidos na própria Bolsa americana e no dólar lá fora. Pode até vir algum recurso para cá, mas nada expressivo", afirma o diretor da Inversa.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar em relação a seis divisas fortes - operou em alta firme, na casa dos 93,300 pontos. A moeda americana também subia em bloco na comparação com divisas emergentes e de países exportadores de commodities, com destaque para o rand sul-africano (+1,52%) - que vinha de uma performance superior a de seus pares - e a lira turca (1,29%), ainda na esteira do corte de juros pelo Banco Central da Turquia ontem.

"Acreditamos que o Fed hawkish e os riscos atuais na China vão ajudar a sustentar o rali do dólar no exterior", afirmam, em relatório, os estrategistas de mercados do Brown Brothers Harriman (BBH) Win Thin e Ilan Solot, para quem o dólar tende a se beneficiar tanto de dados positivos da economia americana quanto de episódios de risk-off nos mercados internacionais. "Essa dinâmica esteve em presente em grande parte deste ano e vemos isso continuar até o fim de 2021".

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