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Economia

Empresários do setor de eventos pedem linha de crédito para enfrentar crise

Eles criaram um movimento de profissionais do ramo em Mato Grosso do Sul e buscam amparo na legislação para lidar com prejuízos

Por Maressa Mendonça | 08/04/2020 16:22
Setor de eventos em MS emprega ao menos 5 mil pessoas (Foto: Rafael Vaz/Divulgação)
Setor de eventos em MS emprega ao menos 5 mil pessoas (Foto: Rafael Vaz/Divulgação)


Profissionais do segmento de eventos em Mato Grosso do Sul se uniram para enfrentar a crise financeira causada pela pandemia do coronavírus. Nesta quarta-feira (8), eles enviaram uma carta para a Assembleia Legislativa, Câmara Municipal de Campo Grande e de Dourados com sugestões sobre a criação de uma legislação que os ampare e criação de  linhas de créditos para reduzir os impactos financeiros resultantes do vírus.

Na carta, o recém criado Movimento Organizado dos Profissionais de Eventos de Mato Grosso do Sul (Mope) informa, com base em dados da Abrafesta (Associação Brasileira de Eventos Sociais), que o segmento movimenta R$ 1,3 bilhão por ano no Estado gerando cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos.

Eles explicam que toda a cadeia de eventos que inclui desde a responsável pela confecção de forminhas para doces, passando por cerimonialistas, fotógrafos e músicos até os empresários tem sido afetada com cancelamento de contratos e adiamento de eventos.

Na carta, os integrantes do Mope elogiam as decisões tomadas pelo poder público para evitar a propagação do coronavírus, mas lamentam a falta de assistência.

Eventos estão suspensos em Mato Grosso do Sul para evitar propagação do coronavírus (Foto: Rafael Vaz/Divulgação)
Eventos estão suspensos em Mato Grosso do Sul para evitar propagação do coronavírus (Foto: Rafael Vaz/Divulgação)


Uma das conselheiras do movimento, a empresária Elaine Batista conta nunca ter passado por situação semelhante nestes 25 anos de atuação no mercado de eventos. Só na empresa dela foram cancelados 15 eventos que seriam realizados entre março e abril. “Frustra todo mundo”, lamenta.

A empresária explicou que a ideia da associação é buscar benefícios para o segmento que não pode ser tratado como “supérfluo” porque representa mais de 4% no PIB (Produto Interno Bruto) nacional. “Estamos nos organizando de forma madura para que a lei nos ampare, nos dê respaldo”, declara citando também os trabalhadores informais que fazem parte da cadeia de eventos. “Estamos vivendo o hoje porque realmente não tem amanhã”.

O também integrante do Mope, José Gilberto Petinari trabalha há 33 anos no setor de eventos e, assim como Elaine, não havia vivenciado uma crise dessa proporção. “Foi um baque muito grande no setor”, disse.

Segundo Gilberto, a ideia do movimento é pensar também em medidas futuras quando ocorrer a reabertura deste mercado. “ A gente luta por um todo. É o institucional acima de tudo e o nosso objetivo é que tudo volte a funcionar no menor prazo possível”.

Funcionários trabalham nos últimos detalhes em festa de casamento (Foto: Rafael Vaz/ Divulgação)
Funcionários trabalham nos últimos detalhes em festa de casamento (Foto: Rafael Vaz/ Divulgação)


Os pedidos - O movimento pede regulamentação sobre a datas, cancelamentos e reembolsos. A ideia é que o reajuste de contrato esteja previsto após seis meses da assinatura  e possível reembolso também só ocorra após esse período e de forma parcelada.

Outra solicitação é a possibilidade de parcelamento de contas de água, luz, IPTU, IPVA e outros impostos em até 12 vezes sem entrada e sem juros, entre os meses de abril e agosto deste ano.

Eles pedem também a possibilidade de negociação imobiliária com prazo de carência e permissão de parcelamentos entre abril e agosto. A criação de linhas de crédito especiais, com juros baixos e carência de mínima de até 6 meses também faz parte dos pedidos.

O assessor e consultor para projetos de casamento, o jornalista Sérgio Carvalho, também é conselheiro do movimento e faz parte da comissão de comunicação do Mope. Ele comenta sobre a intenção de “chamar o sistema S para nos ajudar a pensar no futuro”, diz. “Nosso segmento foi o primeiro a parar e provavelmente vai ser o último a voltar. O poder público também precisa ajudar a gente a pensar sobre isso”, finaliza.