ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
JUNHO, TERÇA  25    CAMPO GRANDE 22º

Economia

Entidade tenta "melar" investimento de bilhões em MS, para bancar conta de luz

Governo Federal acabou de pagar empréstimos de construção da obra e quer destinar recurso para obras

Por Ângela Kempfer | 13/05/2024 10:37
Usina de Itaipu, instalada na Bacia do Rio Paraná. (Foto: Divulgação)
Usina de Itaipu, instalada na Bacia do Rio Paraná. (Foto: Divulgação)

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia Elétrica tenta barrar investimentos de R$ 6 bilhões em Mato Grosso do Sul e no Paraná, para que esses recursos sirvam para reduzir a conta de luz no País. 

Esse montante será economizado até 2026, porque em fevereiro de 2023, o Brasil acabou de pagar todos os empréstimos contratados para a construção da usina de Itaipu, e deixou de ter a despesa estimada em R$ 2 bilhões ao ano.

Na avaliação da entidade, os recursos antes destinados à hidrelétrica não podem ser aplicados em obras como a construção de pontes, estradas, ou até financiamento de uma universidade, como o Governo Federal tem defendido como compensação para os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, onde fica a Bacia do Paraná, impactada pela usina.

Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, o presidente da entidade, Luiz Eduardo Barata, disse que enviou ao governo pedido para que, no lugar de investimentos para os dois estados, o valor economizado seja rateado entre os consumidores brasileiros.

“Não é função do consumidor de energia brasileiro bancar gastos socioambientais. A nossa proposta, que foi encaminhada ao Ministério de Minas e Energia, era ter essa economia de R$ 2 bilhões por ano até 2026, barateando a conta de luz", argumenta Luiz Eduardo Barata.

Assim, o valor da tarifa da usina para o consumidor cairia cerca de 30%, de US$ 16,71 o MWh para abaixo de US$ 12.

Nos planos anunciados, Mato Grosso do Sul será atendido com ações em 35 municípios. Já no Paraná, a destinação será para 399 cidades.

Outro problema, na avaliação de especialistas é que o dinheiro também vai para região distante da atingida pelas obras da hidrelétrica.  O governo Federal anunciou que R$ 1,3 bilhão serão destinados a projetos de infraestrutura em Belém, que irá sediar a COP-30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas).

“O Presidente Lula manifestou recentemente a preocupação com o elevado custo da energia para os brasileiros. Pois esse convênio segue no caminho inverso dessa preocupação, ao fazer com que os consumidores de energia paguem na conta R$ 1,3 bilhão que não deveriam pagar”, disse ao Estadão o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Salles.

Em nota, O Ministério de Minas e Energia garantiu que o acordo com o Paraguai também prevê redução de valores ao consumidor, com valor "fixado em US$ 19,28 até 2026, mantendo o preço para o consumidor brasileiro, para depois reduzir na faixa de US$ 10 e US$ 12. Essa premissa será incorporada nas tratativas do Anexo C, que vai ser negociado até 31 de dezembro, para que não sejam adicionados gastos discricionários após 2026".



Nos siga no Google Notícias