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Economia

Gasolina ou etanol: especialistas orientam como tomar a melhor decisão

Após nova mistura de combustíveis, comparar o custo por litro ajuda na escolha do abastecimento

Por Ketlen Gomes | 30/08/2025 18:37
Gasolina ou etanol: especialistas orientam como tomar a melhor decisão
Com mudança, especialistas explicam como fazer decidir abastecer com gasolina ou etanol. (Foto: Marcos Maluf)

Desde 1º de agosto entrou em vigor a medida do governo federal que alterou os percentuais de biocombustíveis misturados à gasolina e ao diesel. O teor de etanol na gasolina passou de 27% para 30%, enquanto o biodiesel no diesel subiu de 14% para 15%. Para esclarecer como as mudanças podem impactar o consumidor, o Campo Grande News ouviu dois especialistas sobre o assunto.

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O governo federal implementou mudanças nos percentuais de biocombustíveis na gasolina e no diesel desde 1º de agosto. O teor de etanol na gasolina aumentou de 27% para 30%, enquanto o biodiesel no diesel subiu de 14% para 15%. A medida visa benefícios ambientais e fortalecimento da matriz energética nacional.Especialistas indicam que veículos flex, fabricados após 2003, estão preparados para a nova mistura, desde que mantenham a manutenção em dia. Para carros mais antigos, há riscos de corrosão devido ao etanol. Testes oficiais realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia em 16 veículos leves e 13 motocicletas não apontaram impactos negativos significativos.

João Batista Canuto Ferreira, professor da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e instrutor do Senai, e Genovan Marlos Oro, professor de Engenharia Mecânica no Centro Universitário Anhanguera, informaram que com a mudança, optar por abastecer apenas com etanol será mais rentável para carros fabricados após 2003, com a popularização dos modelos flex.

Segundo Genovan, os carros flex estão tecnicamente preparados para a nova mistura. “No geral, não sofrem prejuízos relevantes, desde que a manutenção preventiva, como a troca de filtros de combustível, seja mantida em dia”, explica.

Já João Batista alerta que os carros fabricados antes de 2003 e que não foram projetados para lidar com essa flexibilidade podem ter problemas de corrosão e ressecamento de componentes, já que o etanol é um solvente mais agressivo do que a gasolina.

Na prática, ele pontua que a escolha vai ser de acordo com o objetivo do motorista. “O etanol, por ser um combustível de origem vegetal, tem a vantagem de ser mais limpo em sua queima e, muitas vezes, mais barato por litro. A gasolina tem um poder calorífico maior, o que significa que ela entrega mais energia por litro”, relata.

A alteração do percentual de etanol na gasolina impacta levemente o consumo, segundo João. “Como o etanol tem um poder calorífico menor que a gasolina, a mistura com uma porcentagem maior de álcool tende a diminuir a eficiência energética total do combustível, elevando, consequentemente, um pouco o consumo de combustível do veículo”, explica.

Ele ressalta que, na prática, a gasolina garante maior autonomia por tanque, enquanto o etanol puro gera consumo significativamente maior. Por isso, destaca a importância do cálculo de 70%.

A tradicional regra de que o etanol só compensa se custar até 70% do preço da gasolina gera divergência entre os especialistas. Genovan alerta que o cálculo já não funciona como antes e que o ideal é que cada motorista faça a conta do próprio carro. Primeiro, verifique o consumo com gasolina; depois, com etanol; e divida um pelo outro para encontrar a taxa de equivalência pessoal. "Se o preço do etanol estiver abaixo dessa taxa, vale a pena abastecer", orienta.

Os professores concordam que fatores como tributação estadual e logística de transporte influenciam diretamente no preço final do combustível. Por isso, o cálculo do custo-benefício precisa ser feito posto a posto.

Além da questão econômica, João ressalta que a principal justificativa para a medida é ambiental. “O etanol é um biocombustível renovável, que emite menos CO₂ do que a gasolina pura. O aumento da mistura reduz a necessidade de importar petróleo e fortalece a matriz energética nacional”, afirma.

Testes oficiais - De acordo com o governo federal, a mudança foi testada pelo IMT (Instituto Mauá de Tecnologia) e não traz impactos negativos relevantes em desempenho, dirigibilidade, consumo ou emissões.

O estudo avaliou 16 modelos de veículos leves e 13 motocicletas, em ensaios de laboratório e pista. Foram analisados parâmetros como partida a frio, estabilidade de marcha lenta, aceleração, retomadas de velocidade e emissões veiculares. “Os veículos abastecidos com E30 apresentaram comportamento similar ao da gasolina E27, demonstrando que os sistemas eletrônicos de controle e injeção, inclusive em modelos carburados, se adaptam ao novo combustível”, informou a Secretaria de Comunicação Social.

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