Com “Melão de Casaca”, campo-grandense fica em 2º lugar na Monin Cup
Receita de Neto Nilo mistura whisky, vinho branco, cantaloupe e picles

Um coquetel criado em Campo Grande chegou a um passo de representar o Brasil em uma competição mundial de coquetelaria. Aos 24 anos, o bartender Nilo Francisco Muller Neto conquistou o 2º lugar na final brasileira da Monin Cup 2026, realizada em Itu, no interior de São Paulo.
RESUMO
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Em sua primeira participação presencial em um campeonato do gênero, o campo-grandense disputou o título com uma receita que mistura referências da gastronomia, técnicas de bar e uma apresentação inspirada no universo da música clássica.

Ao analisar o resultado, Nilo atribui a diferença para o campeão, Jean, principalmente à construção da receita. Enquanto o campo-grandense apostou em uma releitura do clássico Old Fashioned, com whisky, melão cantaloupe e vinho branco, o vencedor apresentou uma versão sem álcool do New York Sour, explorando diferentes preparos de milho e 4 produtos da marca promotora.
Para Nilo, a experiência mostrou que uma competição exige não apenas técnica e sabor, mas também compreender com precisão a proposta apresentada aos participantes.
“Eu consegui valorizar o produto, trazer o passado para os dias atuais, que era o tema, mas ele fez isso melhor do que eu. A grande diferença foi mais estrutural do que conceitual. Ficou de aprendizado para os próximos torneios, inclusive para entender cada vez melhor o que a marca busca quando apresenta uma temática”.
Batizado de “Melão de Casaca”, o coquetel tem como base bourbon preparado com gordura de bacon, redução de vinho branco, especiarias, melão e picles feito com a fruta.
O bartender desenvolveu a combinação para atender ao tema “Timeless Twists”, proposto nesta edição do torneio, que desafiou os competidores a buscar referências do passado e apresentá-las sob uma nova leitura.

Nilo levou a proposta também para fora da taça, construindo uma apresentação chamada “Ópera no Palácio de Garnier”, pensada com figurino, trilha sonora e elementos ligados à figura de um maestro.
Natural de Campo Grande, Neto é formado em gastronomia e começou a trabalhar no setor aos 18 anos. Atualmente, atua no Território Ristorante, onde parte de suas criações busca aproximar cozinha e coquetelaria.
Ingredientes salgados, conservas e técnicas normalmente associadas à preparação de alimentos aparecem em seus drinques, assim como produtos encontrados em Mato Grosso do Sul. Guavira, bocaiuva, pequi e erva-mate estão entre os sabores que já passaram por suas receitas e pesquisas.
Na competição, o sabor é apenas uma das partes da avaliação. Segundo Nilo, os jurados observam desde a elaboração e execução da receita até a coerência do conceito, a narrativa construída para o drinque e a capacidade do bartender de apresentá-lo. A postura dos participantes durante o evento também entra nessa equação.
Por isso, depois de finalizar a receita, o preparo muda de lugar: sai da bancada e passa para o discurso, com treino para conseguir explicar ao júri o que foi pensado para chegar àquele copo.
“Não adianta a apresentação ser maravilhosa se eu não consigo traduzir isso de forma líquida para dentro do copo. Também não serve ter um coquetel muito complexo e lindo se eu não consigo explicar para as pessoas. Tudo precisa estar alinhado. Quando o coquetel já está pronto e não pode mais ser alterado, o foco passa a ser a apresentação e a comunicação. Você precisa ir bem em todos os setores”.
A 2ª colocação encerrou a participação de Nilo nesta edição, já que apenas o campeão brasileiro segue para a disputa internacional em Paris, na França. O resultado colocou o bartender entre os destaques nacionais da competição e deixou uma cobrança para a próxima edição.

Criar para um campeonato, segundo Nilo, exige uma lógica diferente daquela aplicada ao cardápio de um restaurante. No trabalho cotidiano, entram na conta custos, estoque, variedade e a necessidade de oferecer opções para diferentes públicos.
No torneio, o foco fica concentrado em uma única receita e nas exigências do regulamento. Para além do resultado, porém, ele destaca o orgulho de representar Campo Grande e a repercussão que recebeu de quem acompanhou a disputa em Mato Grosso do Sul.
“Foi uma honra poder levar Mato Grosso do Sul para lá e representar Campo Grande. O volume de mensagens e de carinho que recebi das pessoas foi maravilhoso, valeu cada segundo. Também fico feliz de continuar o legado do meu colega José Henrique, que ficou em segundo lugar há dois anos. Aos poucos, isso traz visibilidade para o nosso mercado e faz com que as grandes marcas olhem para o nosso Estado com um carinho diferente", finaliza.
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