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Economia

Liquidação chega, mas época é uma das que mais endividam o consumidor

Com preços mais atrativos, consumidores acabam desembolsando o que não podem no crédito

Por Izabela Cavalcanti e Clara Farias | 09/07/2024 11:57
Loja no Centro de Campo Grande coloca produtos em liquidação (Foto: Paulo Francis)
Loja no Centro de Campo Grande coloca produtos em liquidação (Foto: Paulo Francis)

O comércio de Campo Grande entrou no período de liquidações para conseguir renovar os estoques. Com isso, a movimentação aumenta e o risco de endividamento também. Isso porque os preços são atrativos e os consumidores tendem a gastar e, o pior, com parcelamentos no cartão de crédito.

Exemplo disso é a telefonista, Samara Miguel, de 20 anos. Ela reconhece que nesta época fica mais fácil se endividar. “Costumo comprar mais, e quando a gente compra mais, acaba extrapolando. Eu costumo parcelar as minhas contas, mas agora estou tentando diminuir porque acabei me endividando. Mas pretendo diminuir essas compras, fazendo um planejamento para comprar à vista e não parcelar tanto”, disse sobre as liquidações.

A cozinheira, Marili Campos, de 59 anos, aproveitou a liquidação e comprou um celular. “Costumo comprar eletrodoméstico, sempre que eu vejo eu procuro comprar, aproveitar as promoções, né? E, por exemplo, agora, estou aqui para comprar um celular”, disse.

Marli foi ao Centro de Campo Grande comprar um celular (Foto: Paulo Francis)
Marli foi ao Centro de Campo Grande comprar um celular (Foto: Paulo Francis)

Ainda de acordo com ela, é um momento que pode ajudar a sair do controle. “Parcelo em quantas vezes puder, enquanto não tiver juros a mais. Parcela essa primeira compra, aí dá para parcelar mais outra. Então, nesse caso aí, a gente acaba se endividando mesmo. Quando chega no final do mês, acha que não vai pesar, mas quando soma no final, às vezes falta”, pontuou.

A aposentada, Marisa Barros, de 72 anos, aponta que morar no Centro até facilita os gastos. “Morar aqui no Centro é terrível para quem é consumista. Esse mês foi 7 mil de parcela. Meu filho até disse ‘mãe daqui a pouco a parcela já está vindo um terço do seu salário’”, contou.

Marisa até dá um exemplo sobre o quanto é consumista e como tudo vai virando uma bola de neve.

Marisa mora no Centro de Campo Grande e conta o quanto é consumista (Foto: Paulo Francis)
Marisa mora no Centro de Campo Grande e conta o quanto é consumista (Foto: Paulo Francis)

“Ali tem uma loja que o tênis é R$ 70, e eu penso ‘olha, que gracinha. Vou comprar’. Vejo outro, e assim vou comprando”, pontuou.

No Centro, as lojas já começaram o período de liquidações e adesivaram as vitrines, com o objetivo de acabar com os estoques acumulados para chegar uma nova coleção.

É preciso ter controle – Conforme explica o professor da Esan (Escola de Administração e Negócios) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Odirlei Fernando Dal Moro, a época de liquidação só é fácil para o endividamento se não tiver controle.

“Trata-se de uma estratégia de marketing das empresas para vender mais. De repente é uma forma das pessoas comprarem aquilo que estão precisando economizando. Por isso, nem sempre uma liquidação é de interesse de todos. O grande ponto negativo é gastar o que não tem com aquilo que eventualmente não precisa”, disse.

Ele ainda orienta que para saber se deve ou não comprar é só se fazer três perguntas: eu realmente quero ou me interessei pelo objeto agora? Eu realmente preciso? Eu tenho como pagar?

“A dica é só comprar o que precisa, com o que tem. Por outro lado, liquidações são formas de comprar aquelas coisas que há tempos a pessoa está querendo comprar, já tem o dinheiro para isso e estava esperando o preço baixar um pouco”, finalizou.

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