ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, QUARTA  11    CAMPO GRANDE 30º

Saúde e Bem-Estar

Vírus da raiva circula em morcegos, mas último caso humano foi há 11 anos em MS

Vítima era um morador de Corumbá de 38 anos que chegou a ficar internado em Campo Grande

Por Cassia Modena | 11/02/2026 11:59
Vírus da raiva circula em morcegos, mas último caso humano foi há 11 anos em MS
Amostras de morcegos recolhidos que o CCZ usou durante campanha contra raiva realizada em shopping da Capital (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

O primeiro caso de raiva animal confirmado no ano, em Campo Grande, foi divulgado nesta segunda-feira (9) pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). O infectado é um morcego que uma moradora do Bairro Vivendas do Bosque encontrou caído. No ano passado, houve 11 confirmações nesses animais voadores.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Em Campo Grande, foi confirmado o primeiro caso de raiva animal em 2024, identificado em um morcego encontrado no Bairro Vivendas do Bosque. No ano anterior, foram registrados 11 casos positivos, indicando a circulação contínua do vírus Lyssavirus na região.O último caso de raiva humana em Mato Grosso do Sul ocorreu em 2015, quando um homem de 38 anos foi infectado por um cachorro em Corumbá. A doença, que afeta o sistema nervoso central, é transmitida por mordidas, arranhões ou lambidas de animais infectados, sendo os morcegos os principais vetores no Brasil atualmente.

Os últimos 12 casos positivos indicam que o vírus que causa a doença, o Lyssavirus, continua circulando, embora sem registros recentes em outros animais ou pessoas. Não há motivo para ter pânico, desde que cuidados e a vacina para pets não sejam deixados de lado.

"A nossa preocupação é que o vírus está presente, independentemente se está sendo identificado apenas em morcegos, pois pode ser transmitido para qualquer outro mamífero, inclusive o humano", explica a coordenadora do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) da Capital, Maria Aparecida Conche Cunha. Ela acrescenta que manter a vacinação antirrábica anual em cães e gatos e evitar encostar em morcegos encontrados no chão ou que apresentem outro comportamento anormal são as principais medidas de prevenção.

O último caso positivo em animal doméstico em Campo Grande foi notificado em 2011, em um cão. O animal apresentou variante do vírus compatível com a que pode ser carregada pelos morcegos.

Histórico - Em Mato Grosso do Sul, o registro mais recente da doença em humanos ocorreu em 2015, de acordo com monitoramento do Ministério da Saúde. A vítima foi um homem de 38 anos, de Corumbá, mordido por um cachorro. O morador do interior foi transferido para o Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), na Capital, e ficou internado por um período, mas não resistiu.

A raiva pode se manifestar como doença em pessoas lambidas, mordidas ou arranhadas por animais infectados pelo Lyssavirus, sejam eles morcegos, cães, gatos ou outros animais, especialmente silvestres.

A doença afeta o cérebro e é quase sempre fatal. Entre os sintomas suspeitos em humanos estão sensação de angústia, inquietude, febre, dor de cabeça e mal-estar geral, podendo evoluir para espasmos musculares, delírios e convulsões nos quadros mais graves.

No Estado e no País - Antes do último caso no Estado, confirmado há mais de 11 anos, houve um em 1994. A doença também foi transmitida por um cachorro. A vítima morava na área rural de Três Lagoas, de acordo com levantamento realizado para a dissertação “Raiva Humana no Brasil, 1992-2001”, de Francisco Anilton Alves Araújo, apresentada à UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Vírus da raiva circula em morcegos, mas último caso humano foi há 11 anos em MS
Arte: Peterson Couto

Na última década, o Brasil reduziu drasticamente o número de casos em cães e gatos com raiva por meio de campanhas de vacinação antirrábica e outras medidas preventivas. Apesar desse avanço, os serviços de saúde lidam com o aumento de casos em humanos causados por variantes do vírus rábico em animais silvestres, principalmente morcegos, conforme o Ministério da Saúde. Em 2025, foram registrados dois casos de raiva humana que fugiram desse padrão: um no Ceará e outro em Pernambuco, ambos tendo vítimas infectadas por macacos saguis.

Vacinação - O CCZ disponibiliza vacina antirrábica gratuitamente a cães e gatos, com agentes indo de casa em casa para imunizar os pets. No caso em que não há pessoas na residência no momento da visita, a orientação dada é para que o tutor leve o animal até a sede do CCZ, que fica aberta das 7h às 21h, inclusive aos finais de semana e feriados, e está localizada na Avenida Senador Filinto Müller, 1601, em Campo Grande.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.