Após 16 dias de redução, gasolina mais barata não chega nas bombas
A Petrobras reduziu em 5,2% o preço da gasolina nas refinarias

O anúncio de queda no litro da gasolina, aparentemente, ainda não surtiu efeito no bolso dos consumidores de Campo Grande.
RESUMO
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A redução de 5,2% no preço da gasolina anunciada pela Petrobras há 16 dias ainda não refletiu significativamente nos postos de Campo Grande. Em pesquisa realizada nas principais avenidas da cidade, os valores variam entre R$ 5,78 e R$ 6,05 por litro. Segundo o Sinpetro-MS, a redução nas refinarias nem sempre chega ao consumidor devido à composição da gasolina C, que inclui 30% de etanol anidro. Apesar disso, Campo Grande mantém o menor preço médio entre oito capitais brasileiras, com R$ 5,90 por litro, conforme levantamento da ANP.
Faz 16 dias que a Petrobras reduziu em 5,2% o preço da gasolina nas refinarias, com o preço médio saindo de R$ 2,71 para R$ 2,57 por litro. O valor representa queda de R$ 0,14 por litro.
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Esta é a primeira redução no preço da gasolina promovida pela estatal em 2026 e começou a valer no dia 27 de janeiro. A última alteração no preço da gasolina havia sido registrada em outubro do ano passado
A equipe de reportagem foi às ruas e identificou o combustível sendo vendido entre R$ 5,78 e R$ 5,99. Em um posto da Avenida Afonso Pena, a gasolina está por R$ 5,99 e o etanol por R$ 4,29.
Também na mesma avenida, mas em outro estabelecimento, a gasolina está sendo vendida por R$ 5,79 e o etanol por R$ 4,07.
Na Rua 26 de Agosto com a Avenida Calógeras, os combustíveis estão por R$ 5,99 e R$ 4,29, respectivamente. Em outro posto na frente, os preços encontrados foram os mesmos.
Em um estabelecimento na Avenida Fernando Corrêa da Costa com a Rua 14 de Julho está por R$ 5,78 a gasolina e R$ 4,08 o etanol.
Na prática – O motorista Thiago Nunes, de 39 anos, utiliza o carro todos os dias para trabalhar e afirma não ter percebido melhora nos valores praticados nos postos.
“Uso o carro com frequência. Não senti diferença no preço, parece que aumentou mais até”, relatou.
Segundo ele, a rotina exige abastecimento constante e, quando possível, prefere encher o tanque. “Depende da necessidade, quando dá para encher, eu encho”, explicou.
Ainda assim, a sensação é de que os preços permanecem iguais ou até mais altos. “Tá a mesma coisa, se duvidar até pior”, completou.
O professor Eduardo Augusto, de 43 anos, pontuou que qualquer variação no preço impacta diretamente no orçamento mensal.
“Se falar que não sentiu, também vai ser muito radical, mas a gente percebeu uma leve queda”.
No entanto, segundo ele, essa redução não chega de forma significativa ao consumidor final. “O que a distribuidora informa ou pratica, o consumidor final acaba não sentindo. A gente entende a questão de manutenção do posto e tudo mais da rede, só que o lucro vem acima de tudo e a gente acaba não sentindo isso no bolso”, criticou.
Eduardo conta que, sempre que possível, prefere abastecer o tanque completamente, mas nem sempre isso é viável. Quando consegue, enche o tanque, mas vai repondo conforme a necessidade.
Já a gestora de Recursos Humanos, Ana Maria Pedroso, 51 anos, disse que percebeu pequenas variações entre os postos, mas nada muito expressivo.
“Alguns estão mais caros, claro, outros dão para ver uma pequena diferença. Eu não sei dizer se é uma grande diferença, pelo menos eu não vejo”, disse.
Ana utiliza o carro para atividades do dia a dia, como trabalho, idas ao mercado e consultas médicas. Para ela, a oscilação de preços existe, mas não representa uma mudança significativa no orçamento.
Outro lado - Segundo o diretor-presidente do Sinpetro-MS (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes de Mato Grosso do Sul), Edson Lazarotto, não necessariamente essa queda chega ao consumidor.
“Quando a Petrobras anuncia uma queda de preços é nas refinarias para a gasolina A, e nós comercializamos a gasolina C, que na composição tem que adicionar o etanol anidro (30%). Esse anidro é mais caro que a gasolina, portanto a redução anunciada pela Petrobras nunca chega no valor anunciado, justamente por percorrer toda a cadeia do segmento. Mesmo assim temos a gasolina mais barata do Brasil, conforme pesquisa da ANP”, explicou.
Ainda conforme ele explica, a formação dos preços nas bombas consiste em custo da Petrobras, custo anidro, frete, margem média da distribuidora, margem média da revenda, imposto estadual e imposto federal.
Pesquisa da ANP (Agência Nacional de Petróleo), entre os dias 1 e 7 de fevereiro, mostra que Campo Grande tem o preço médio da gasolina mais barata entre 8 capitais, com o valor de R$ 5,90.
Em Cuiabá, o preço médio é de R$ 6,34; Goiânia, R$ 6,48; Brasília, R$ 6,20; Curitiba, R$ 6,92; São Paulo, R$ 6,22; Belo Horizonte, R$ 6,14; e Porto Alegre, R$ 6,23.
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