Cantora paraguaia vira ré por usar documento falso com dados de MS
Artista é apontada como chefe de organização que traficava drogas do Paraguai ao Brasil
RESUMO
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A cantora sertaneja Sônia Sayara, que possui 219 mil seguidores no Instagram, tornou-se ré na Justiça Federal por uso de documento falso. Na verdade, ela é a paraguaia Nélida Sônia Sánchez Garcete, apontada como líder de uma organização criminosa de tráfico internacional de drogas. A artista, que está presa na Penitenciária Feminina de Sant'Anna, em São Paulo, é acusada de comandar, junto com seu marido, uma quadrilha especializada no transporte de maconha e cocaína do Paraguai para o Brasil. Ela assumiu a liderança após o assassinato de seu irmão, o político paraguaio Carlos Rubén Sánchez Garcete, em 2021.
Com 219 mil seguidores no Instagram, leve sotaque hispânico e carreira construída entre palcos e redes sociais, a cantora sertaneja Sônia Sayara agora responde como ré na Justiça Federal por uso de documento falso, incluindo uma CNH emitida no Detran de Mato Grosso do Sul com identidade diferente da verdadeira. A paraguaia, na realidade, se chama Nélida Sônia Sánchez Garcete, apontada como peça de uma organização criminosa responsável por trazer toneladas de maconha e cocaína do Paraguai para o Brasil.
A Polícia Federal descobriu que nem o nome artístico nem o apresentado aos agentes no momento da prisão, em maio de 2025, eram reais.
Atualmente, ela cumpre pena na Penitenciária Feminina de Sant'Anna, em São Paulo. A 1ª Vara Federal de Campinas (SP) aceitou a denúncia no dia 3 de fevereiro deste ano. A decisão é assinada pela juíza federal substituta Alana Rubia Matias D’Angioli Costa. Com isso, ela se tornou ré pelo uso de documento falso.
Sônia se empenhava há anos para brilhar nos palcos. Uma de suas canções mais conhecidas, “Bye, Bye”, fala sobre ter saído “pro mundo em busca de um futuro melhor”.
Nélida Sônia Sánchez Garcete é apontada como peça de uma quadrilha responsável por trazer toneladas de maconha e cocaína do Paraguai para o Brasil. Ela foi alvo da Operação Tango Down e presa em maio junto a outras cinco pessoas. A investigação aponta que ela seria chefe da organização criminosa ao lado do marido, José Roberto de Oliveira Lima, conhecido como Tiquinho. Em maio de 2019, Tiquinho chegou a compartilhar no Instagram um vídeo em que escreveu que a artista era uma “futura estrela do Brasil”.
A investigação contou com a colaboração premiada de um dos membros da organização. O grupo era especializado no escoamento de grandes cargas de maconha e cocaína do Paraguai para diversos estados do Brasil, utilizando tanto o modal aéreo, com aeronaves de asa fixa e rotativa, quanto o terrestre, com caminhões que camuflavam a droga em cargas de madeira.
Segundo as apurações, Nélida e o marido teriam assumido o comando do grupo após a morte do irmão dela, o político paraguaio Carlos Rubén Sánchez Garcete, conhecido como “Chicharõ”. Ele foi assassinado em agosto de 2021, na cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, que faz fronteira com Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande.
Carlos Rubén foi executado dentro de casa por dez homens armados que se passaram por agentes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas). Segundo o médico legista, os pistoleiros utilizaram fuzis, submetralhadora, escopetas e pistolas, e todos atiraram. O corpo foi atingido por dezenas de disparos. No local, teriam sido recolhidos ao menos 400 cartuchos deflagrados.
O então ministro do Interior do Paraguai, Arnaldo Giuzzio, afirmou que a morte tinha “o selo da máfia da droga”. Embora nunca tenha sido preso por tráfico, “Chicharõ” era conhecido em Capitán Bado, seu reduto político, como um narcotraficante poderoso que enviava droga de avião para o Brasil.
Defesa - Na defesa apresentada à Justiça Federal, a cantora sustenta que as acusações são genéricas. “São meras alegações genéricas, sem indicar como ela chefiava, com quem ela falava para dar ordens, quais coordenadas ela passou aos envolvidos, ou quais decisões financeiras tomou. Nada disso tem prova no processo. O Ministério Público Federal não conseguiu comprovar uma única conduta de liderança ou chefia atribuída a Nélida de forma concreta e específica”.
Em interrogatório, a cantora disse que o irmão era político e empresário e que desconhece as acusações. Também afirmou estar separada há dois anos de Tiquinho. Segundo a defesa, a denúncia de envolvimento com o tráfico teria ocorrido exclusivamente por ela ser irmã de Carlos Rubén Sánchez Garcete.
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