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Economia

Mais de 69 mil famílias deixaram o Bolsa Família em MS após aumentarem renda

Somente em maio, 2,4 mil famílias deixaram programa; Campo Grande, Dourados e Ponta Porã lideram desligamentos

Por Jhefferson Gamarra | 01/06/2026 14:27
Mais de 69 mil famílias deixaram o Bolsa Família em MS após aumentarem renda
Beneficiária segurando cartão do Bolsa Família (Foto: Reprodução)

Mais de 69,5 mil famílias de Mato Grosso do Sul deixaram o Programa Bolsa Família entre março de 2023, quando a iniciativa foi retomada pelo Governo Federal, e maio de 2026. Os desligamentos ocorreram em razão do aumento da renda familiar, resultado da inserção no mercado de trabalho formal ou da ampliação de atividades de empreendedorismo, permitindo que esses lares superassem a condição de pobreza.

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Mais de 69,5 mil famílias de Mato Grosso do Sul saíram do Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após aumentarem a renda por meio de emprego formal ou empreendedorismo. Só em maio deste ano, 2,4 mil famílias deixaram o programa, com Campo Grande liderando os desligamentos. No Brasil, 5,1 milhões de famílias saíram do benefício no mesmo período.

De acordo com os dados divulgados pelo governo federal, as famílias que deixaram o programa ultrapassaram os limites estabelecidos pela Regra de Proteção ou concluíram o período previsto para permanência nessa modalidade. A medida foi criada para garantir uma transição gradual aos beneficiários que conquistam melhoria de renda.

Somente em maio deste ano, mais de 2,4 mil famílias sul-mato-grossenses deixaram o Bolsa Família. Campo Grande registrou o maior número de desligamentos no período, com 623 famílias. Em seguida aparecem Dourados, com 163, Ponta Porã, com 90, Três Lagoas, com 89, e Corumbá, com 84.

A lista dos dez municípios de Mato Grosso do Sul com maior número de famílias que superaram a pobreza e deixaram o programa em maio é completada por Naviraí, com 72 desligamentos, Sidrolândia (66), Aquidauana (58), Aparecida do Taboado (57) e Amambai (55).

Os números refletem um movimento observado em todo o país. Desde março de 2023, mais de 5,1 milhões de famílias brasileiras deixaram o Bolsa Família após ampliarem a renda familiar. Os maiores volumes foram registrados em São Paulo, com 745,6 mil famílias, Distrito Federal, com 546 mil, Bahia, com 487,6 mil, Minas Gerais, com 430,2 mil, e Rio de Janeiro, com 393,7 mil.

Entre as capitais brasileiras, São Paulo liderou os desligamentos em maio de 2026, com 7.312 famílias deixando o programa. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (4.387), Fortaleza (3.790), Salvador (3.095) e Brasília (1.896).

Criada no novo desenho do Bolsa Família, a Regra de Proteção busca evitar que famílias percam imediatamente o benefício ao conquistarem aumento de renda. Atualmente, mesmo após ultrapassar o limite de R$ 218 por pessoa da família, os beneficiários podem continuar recebendo 50% do valor do auxílio por até 12 meses, desde que a renda familiar per capita permaneça abaixo de R$ 706.

Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os dados demonstram que o programa tem contribuído para estimular a inserção produtiva dos beneficiários.

“O novo modelo estimula o emprego. Só de 2023 para cá, 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a ter um emprego ou começaram a empreender”, afirmou o ministro.

Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), cruzados com informações do Cadastro Único, reforçam esse cenário. Segundo o levantamento, 80% das vagas com carteira assinada criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico.

Na avaliação de Wellington Dias, os resultados também ajudam a combater a percepção de que beneficiários de programas sociais evitam buscar trabalho formal.

“Os números confirmam as estatísticas relacionadas à presença dos beneficiários no mercado formal e refutam afirmações infundadas de que as famílias não querem arranjar emprego”, declarou.

Outro indicador citado pelo governo é um estudo da FGV Social, que aponta crescimento de 10,7% na renda do trabalho das pessoas mais pobres em 2025, percentual superior à média nacional. De acordo com a pesquisa, o avanço foi impulsionado pela geração de empregos formais e pelos mecanismos de transição previstos na Regra de Proteção do Bolsa Família.