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Economia

Petrobras avalia duplicar produção de fertilizantes após avanço da UFN3 em MS

Estatal projeta para Três Lagoas unidade mais moderna do parque e prepara expansão no país

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 24/06/2026 16:31
Petrobras avalia duplicar produção de fertilizantes após avanço da UFN3 em MS
Obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas, paradas há 10 anos (Foto: Divulgação)

Em meio às expectativas de retomada das obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas, a Petrobras estuda a possibilidade de expandir a capacidade de produção de todas as suas unidades, incluindo a de Mato Grosso do Sul, atualmente em processo de retomada. A informação foi anunciada nesta quarta, 24, pela presidente da estatal, Magda Chambriard, em coletiva à imprensa.

RESUMO

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A Petrobras estuda expandir a capacidade produtiva de suas unidades de fertilizantes, incluindo a UFN3, em Três Lagoas, cujas obras devem ser retomadas no segundo semestre. Com investimentos superiores a R$ 5 bilhões, a unidade produzirá 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil de amônia, gerando até 13 mil empregos. Paralisada desde 2014, a operação comercial está prevista para 2029.

Hoje a estatal possui três unidades no Brasil, sendo duas no Nordeste e uma na região Sul, além da quarta em construção, em Mato Grosso do Sul.

Segundo a executiva, a UFN3 será a unidade mais moderna do parque de fertilizantes da Petrobras por ser a mais recente a ser construída e por incorporar tecnologias de ponta. A expectativa é de maior eficiência operacional, com menor consumo de energia e emissões, o que reduz custos de produção e aumenta a rentabilidade em relação às unidades mais antigas.

Com investimentos superiores a R$ 5 bilhões e apoio do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a unidade terá capacidade para produzir, inicialmente, cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia, ampliando a produção nacional de fertilizantes nitrogenados e reduzindo a dependência brasileira de importações. A previsão é de que as obras sejam retomadas no segundo semestre e que a operação comercial ocorra até 2029.

As obras devem gerar cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos durante a fase de infraestrutura, além de outros 5 mil empregos diretos e indiretos a partir do início das operações comerciais, com impactos sobre hotéis, restaurantes, alojamentos, postos de combustíveis, comércio e prestadores de serviços.

Segundo Magda Chambriard, a construção da unidade em Mato Grosso do Sul é estratégica, considerando que o Centro-Oeste responde por 40% da demanda nacional de ureia. Além do mercado local, a unidade atenderá produtores rurais de Mato Grosso, de Goiás, do Paraná e São Paulo, devendo reduzir custos logísticos para o campo.

Petrobras avalia duplicar produção de fertilizantes após avanço da UFN3 em MS
Presidente da estatal, Magda Chambriard (Foto: Divulgação)

Ampliação

Os estudos de expansão da capacidade produtiva decorrem da perspectiva de crescimento tanto dos mercados de gás natural quanto de fertilizantes. “A intenção é expandir o nosso parque fabril nas mesmas localidades onde nossas fábricas estão instaladas, para aproveitar a logística existente e compartilhar custos e estrutura”, afirmou.

 Segundo ela, a possibilidade “de duplicar” a capacidade de produção ainda está em análise. “Estamos estudando com muito interesse, porque isso ancora e fideliza uma demanda de gás natural, um produto que a Petrobras vende e pretende vender cada vez mais.”

O gerente executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, afirma que os estudos de expansão estão em andamento desde o início deste ano e ocorrem paralelamente ao processo de retomada das operações. O objetivo é identificar “o potencial de mercado desses empreendimentos, considerando a sinergia entre os equipamentos e a infraestrutura já existentes”.

A partir disso, será definido o patamar de ampliação e, principalmente, o perfil dos produtos que poderão ser incorporados ao novo portfólio, segundo acrescenta.

Sobre eventual inclusão do projeto no plano de negócios, Magalhães informou que isso dependerá da confirmação da viabilidade econômica dos estudos. “Assim como ocorre com a possível duplicação das fábricas, a decisão de avançar ou não com a ampliação ainda está em análise. A capacidade e o tamanho da operação também estão sendo avaliados, pois dependem das projeções de mercado para cada unidade”. Ou seja, o trabalho técnico ainda está em desenvolvimento.

Contratação de empresas

Em abril, a Petrobras anunciou a retomada da obra e, na última semana, as empresas responsáveis pelo empreendimento iniciaram o processo de contratação de mão de obra.

A estatal dividiu o projeto em 11 pacotes de contratação de empresas, ampliando o universo de fornecedores aptos a participar das licitações. “Essa competitividade é um fator fundamental para a redução de custos e para a obtenção de melhores condições de contratação, de forma a atrair o maior número possível de empresas com capacidade técnica e financeira para executar os serviços.”

Escassez de mão de obra

Magalhães reconhece a escassez de mão de obra em Mato Grosso do Sul diante da concorrência com outros grandes empreendimentos, especialmente no setor de celulose, e afirmou que o cenário ainda não impacta o cronograma da UFN3. Isso porque as obras propriamente ditas ainda não começaram e os contratos já assinados estão na fase de mobilização, enquanto outros devem ser formalizados e iniciar essa etapa nos próximos meses.

De acordo com o executivo, a capacidade de oferta de trabalhadores na região será efetivamente testada à medida que os contratos forem ativados e as frentes de trabalho entrarem em operação. “Até o momento, porém, não foi identificado nenhum problema relacionado à disponibilidade de mão de obra.”

Nesse caso, a Petrobras reconhece que a oferta de trabalhadores é uma variável relevante em empreendimentos de grande porte, mas que o tema vem sendo tratado de forma preventiva, com mobilização gradual dos contratos, planejamento antecipado das frentes de serviço e atuação integrada com as empresas contratadas. Segundo a estatal, a ativação dos contratos segue avançando conforme o cronograma previsto.

Histórico

As obras da UFN3 foram iniciadas em 2011, mas paralisadas em dezembro de 2014, quando a crise envolvendo o Consórcio UFN3, formado pela Galvão Engenharia e pela Sinopec, impactou o projeto, que ficou com mais de 80% da estrutura física concluída. O empreendimento foi atingido pelos desdobramentos da Operação Lava Jato e permaneceu interrompido por mais de uma década.