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Campo Grande, Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019

20/07/2019 12:25

Rede de 7 décadas tenta vender prédio de quase R$ 900 mil para quitar dívidas

Impactos chegam, principalmente, aos funcionários demitidos, que denunciam atraso no pagamento de recisões

Danielle Valentim
Prédio localizado na Rua 14 de Julho, avaliado em R$ R$ 895,901,50. (Foto: Kísie Ainoã)Prédio localizado na Rua 14 de Julho, avaliado em R$ R$ 895,901,50. (Foto: Kísie Ainoã)

Nascida em 1948, a São Bento Comércio de Medicamentos e Perfumaria Ltda não consegue mais esconder os reflexos da recuperação judicial iniciada há quatros anos. O fechamento de portas, demissões em massa e a escassez de medicamentos nas lojas evidenciam o agravamento da crise da rede um dia soberana no mercado de venda de remédios em Campo Grande. O acúmulo de dívidas ultrapassa os R$ 70 milhões e, para quitar ao menos as trabalhistas, a rede tenta vender o prédio localizado na Rua 14 de Julho, avaliado em R$ R$ 895,901,50.

Desde o pedido de recuperação judicial à Vara de Falências, Recuperações, Insolvencias de Campo Grande, em 2015, uma das justificativas seria a “concorrência desleal” recém chegada à cidade, com marcas nacionais como Raia e Drogasil. Na época, a rede mantinha 91 lojas e cerca de dois mil funcionários.

Antes de entrar com a medida para evitar a falência, a rede Drogasil teria proposto a compra da São Bento. No entanto, segundo a reportagem apurou, o grupo de MS queria valor “acima” do mercado e o negócio não foi fechado.

O advogado Thiago de Almeida Inácio, um dos defensores no processo de recuperação judicial, garante que a informação não passa de boatos, já que “nunca houve uma proposta concreta”.

Em meio à crise financeira, os impactos chegam, principalmente, aos funcionários demitidos. Trabalhadores reclamam que, mesmo após aceitar pagamentos parcelados, a empresa não cumpre o acordo.

Unidade da Avenida Mato Grosso. (Foto: Kísie Ainoã)Unidade da Avenida Mato Grosso. (Foto: Kísie Ainoã)
Unidade que funcionava na Joaquim Murtinho (Foto: Kísie Ainoã)Unidade que funcionava na Joaquim Murtinho (Foto: Kísie Ainoã)

Ao Campo Grande News, o advogado Elton Nasser, que atua no processo trabalhista, pontua que em 71 anos de existência, a “empresa sempre cumpriu suas obrigações” e comparou a atual situação com a Avianca.

“Houve a diminuição no fluxo do dinheiro, a diminuição na liquidez, a concorrência desleal... e isso acaba atrapalhando o cumprimento das obrigações. Isso também mostra o tamanho da dificuldade no Brasil. Até a Avianca tentou a recuperação judicial”, frisa.

Nasser garante que “fazer a venda do prédio reforça a situação da empresa”. "A empresa passa por um momento difícil e a venda do prédio comprova a situação da rede. Os sócios estão chateados e não querem esse cenário para a empresa. As manifestações dos funcionários faz parte da liberdade, mas não é isso que vai fazer entrar o recursos”, pontua.

A venda – O advogado Thiago Inácio explicou à reportagem que a rede recebeu uma única proposta e o fechamento da venda depende de decisão judicial.

“Foi feito um pedido de venda direta ao juiz, mas ele não permitiu. Foi autorizado que fosse feito um pregão. Na quinta-feira, o imóvel recebeu somente um lance de 25% do valor mínimo, cerca de R$ 807 mil e o restante em cinco parcelas. A administração judicial da rede se manifestou favorável e solicitou a manifestação dos demais credores no prazo de 5 dias. O juiz ainda não se manifestou”, esclareceu.

Unidades estão fechadas. (Foto: Kísie Ainoã)Unidades estão fechadas. (Foto: Kísie Ainoã)


A verdade é que essa empresa sempre surfou na onda das facilidades na cidade. Seus proprietários eram influentes na política e criava leis e mais leis de acordo dom as suas conveniências. Quando a concorrência chegou não conseguiram segurar a onda e começou o declínio. Agora quem paga o pato de novo é o trabalhador.
 
Critico em 20/07/2019 23:08:20
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