ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
JULHO, SÁBADO  20    CAMPO GRANDE 20º

Economia

Resistência política barra desenvolvimento do agronegócio, diz ex-ministro em MS

Bruno Chaves | 22/11/2013 17:59

Durante palestra que abordou a influência das decisões políticas no agronegócio brasileiro, o ex-ministro da Previdência Social Roberto Brandt afirmou que o setor é competitivo e moderno, mas tem seu desenvolvimento barrado por causa da resistência “cultural” política.

“O agronegócio enfrenta resistência política também por parte da sociedade. Uma resistência ancorada na cultura da sociedade”, disse durante a 4ª Edição do Seminário MS Agro, realizado nesta sexta-feira (22) pela Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado).

Brandt lembrou que a cultura urbana brasileira está impregnada com a visão do agronegócio dos anos 50, que coloca o campo como um marcador do atraso econômico.

“O agronegócio dos anos 50 trouxe a ideia de que o progresso só chega com as indústrias, mas sabemos que os países mais ricos do mundo são produtores de alimentos”, disse citando os Estados Unidos e a China.

Para Brandt, conceitos como esses, aprendidos até hoje nos bancos das universidades, além do fato de 85% dos brasileiros viverem em médias e grandes cidades, impõem limites ao desenvolvimento do agronegócio.

A produção agropecuária ocupa 27% do território brasileiro, informou o ex-ministro. Para ele, sem o setor, a balança comercial do País apresentaria déficit de US$ 72 bilhões.

O produtor rural Fábio Caminha, 31 anos, que participou do evento, possui uma fazenda na região de Maracaju e avaliou como positiva a iniciativa de se trazer assuntos como economia e política voltada para o agronegócio em um seminário voltado ao produtor.

“É uma forma de ampliarmos nosso conhecimento sobre a questão. Às vezes, ficamos muito focados na produção, na parte técnica e não agregamos um conhecimento mais amplo sobre o setor. Palestras sobre política e economia ajudam no entendimento mais amplo”, avalia.

Economia – Também palestrante do MS Agro 2013, o ex-ministro de Comunicações e atual articulista do jornal Folha de São Paulo, Luiz Carlos Mendonça de Barros, discorreu sobre o tema “Brasil: o fim de um modelo ou um ajuste cíclico?”.

Mendonça de Barros explicou que a economia brasileira vive um momento de estabilidade, após anos de crescimento e que o setor agrícola não sofrerá com a estagnação. “Daqui a dois ou três anos será necessário fazer uma nova política econômica”, diz.

Ele destacou que a renda do brasileiro cresceu 4,7% nos últimos anos e que a demanda por alimentos deve continuar em alta. Mendonça de Barros ainda acredita que o setor será beneficiado com uma demanda interna e externa principalmente a partir de 2014, quando a economia mundial for aquecida.

“A agricultura do Brasil, apesar de suas dificuldades, pode ser o único setor a aumentar sua produção no ano que vem. Ela não tem problema de oferta e depende de menos mão de obra, como a indústria. Também temos que lembrar que há uma revolução tecnológica que vai mudar a agricultura nos próximos anos”, avalia.

Nos siga no Google Notícias