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Economia

Sindicatos pedem suspensão de eleição vencida por 1 voto na Fecomércio

Presidente eleito terá que assumir dia 16 de junho, mas advogados tentam suspender pleito na Justiça

Por Izabela Cavalcanti | 02/06/2026 12:41
Sindicatos pedem suspensão de eleição vencida por 1 voto na Fecomércio
Fachada da Fecomércio em Campo Grande (Foto: Divulgação/Fecomércio)

Após o resultado das eleições da Fecomércio-MS (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul), realizadas no dia 12 de maio para definir a diretoria do período de 2026–2030, três sindicatos ingressaram com pedido de suspensão do pleito.

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Três sindicatos solicitaram a suspensão da eleição da Fecomércio de Mato Grosso do Sul, vencida por Juliano Wertheimer contra o atual presidente Edison Araújo. O pleito, referente ao triênio 2026/2030, está com resultado provisório devido a votos sub judice. A defesa alega irregularidades em três sindicatos, como inatividade cadastral e inadimplência. Enquanto os autores buscam nova tutela judicial para manter a diretoria atual, o vencedor defende a legitimidade do processo eleitoral.

Na prática, o presidente eleito Juliano Wertheimer deveria tomar posse em 16 de junho. No entanto, de acordo com a nota da Fecomércio, o resultado permanece provisório, em razão da existência de votos sub judice.

Em uma disputa apertada, a Chapa 2, intitulada “Renovação” e encabeçada por Juliano, venceu por 8 votos contra 7 da Chapa 1, “Consolidação”, liderada por Edison Araújo, que está à frente da federação há 16 anos e queria continuar na gestão.

A defesa reuniu supostas irregularidades envolvendo três sindicatos: o SindCFC/MS (Sindicato dos Centros de Formação de Condutores), o Sindiconstru/MS (Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção de Campo Grande) e o Sindha/MS (Sindicato de Hotéis, Bares e Similares).

De forma geral, os apontamentos indicam possíveis problemas como ausência de filiação regular, inatividade cadastral, inadimplência, CNPJ inativo e dupla filiação.

O advogado Ademar Chagas, que representa os sindicatos que entraram com a ação, explica a situação.

Sindicatos pedem suspensão de eleição vencida por 1 voto na Fecomércio
Advogado Ademar Chagas dando entrevista sobre as eleições (Foto: Juliano Almeida)

“Houve três sindicatos que votaram precariamente por meio de medida liminar. Essas liminares deram condições para que eles participassem do pleito, essa participação precária não houve possibilidade da chapa 1 e nem a comissão eleitoral discutir, porque foi decisão judicial e se cumpre”, pontuou.

Agora, o que a defesa busca é a suspensão das eleições. “Estamos buscando atualmente uma medida judicial, uma tutela para suspensão das eleições, a manutenção da diretoria atual até o mérito de todas essas ações”, completou.

Chagas pontua que, sobretudo, quer a preservação da Fecomércio. “Cada um tem um tipo de irregularidade, ao nosso ver, tecnicamente e juridicamente. Há irregularidade nos sindicatos, portanto, no voto. A medida que buscamos é a preservação da Fecomércio enquanto órgão do comércio, do serviço e dos atacadistas”, disse.

A advogada Telma Marcon completou dizendo que o objetivo é a segurança jurídica. “O objetivo é esse, evitar insegurança jurídica para as duas partes, não é travar, nem impedir direito de ninguém. O objetivo é que as coisas se acomodem, a justiça se estabeleça e com isso venha a decidir uma situação de forma definitiva, por enquanto as decisões são liminares, são tutelas, que não sabe se no futuro serão mantidas ou não”, destacou.

Outro lado - O presidente do Sindha, Juliano Wertheimer, afirmou que está regularmente filiado desde dezembro de 2022, conforme o que foi estabelecido em assembleia.

Ele também pontua que as eleições foram conduzidas pela própria Fecomércio. “A eleição foi conduzida pela federação, a nomeação da comissão eleitoral foi exclusiva da presidência. Não tivemos direito de nomear ninguém. Todo o processo ocorreu com o controle da federação”, disse.

Wertheimer contestou sobre a informação do sub judice. “Quem está sub judice vota apartado. O juiz mandou votar em igualdade. Estão pedindo anulação da eleição e prorrogação do mandato. Nem um dos dois é permitido, não se anula uma eleição legitimamente disputada”, pontuou.

O Sindiconstru-MS esclarece que estava apto a participar e votar na eleição para a diretoria da Fecomércio MS e foi autorizado pela Justiça. Também pontuou que é inverídica a desfiliação automática por inadimplência, já que a dívida deixada por gestões anteriores foi negociada.

Ainda de acordo com o sindicato, no período eleitoral, a Fecomércio tentou, deliberadamente, desfiliar o Sindicato sem seguir os procedimentos regulares: convocar uma assembleia de desfiliação; votar a desfiliação; notificar a parte; dar prazo para recurso; e dar direito à ampla defesa e ao contraditório.

Também alega que solicitou quais eram as pendências, mas que não teve retorno da federação. “O Sindicato, então, tomou a iniciativa de depositar em juízo o valor equivalente a 5 anos, superior, inclusive, ao que era devido. E, após, foi a justiça, onde relatou toda a situação e conseguiu uma liminar garantindo seu direito ao voto. O Sindiconstru reforça que Juiz analisou todas as provas e concedeu o direito de voto em pé de igualdade e não sub judice, como é alegado pela chapa perdedora”.

O SindCFC também pontuou que estava apto a votar, conforme a documentação apresentada durante o prazo estipulado pelo processo eleitoral da Fecomércio, e exerceu seu direito. Também destacou que para a desfiliação seria necessário seguir alguns procedimentos, o que não ocorreu.

* Matéria atualizada no dia 3 de junho, às 11h13, para acrescentar retorno do Sindiconstru e SindCFC

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