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Economia

Veja como a redução de impostos impacta na formação do preço da gasolina em MS

E a conta do consumidor, como ficará depois que acabar a redução de impostos?

Por Liana Feitosa | 06/07/2022 15:46
Gasolina abaixo dos R$ 6,00 nesta quarta-feira em posto de combustível da Capital. (Foto: Marcos Maluf)
Gasolina abaixo dos R$ 6,00 nesta quarta-feira em posto de combustível da Capital. (Foto: Marcos Maluf)

A redução no preço dos combustíveis, principalmente, da gasolina, tem data para acabar: dezembro de 2022. Como ficará o bolso do consumidor depois disso? A pós-doutora em Administração, Yasmin Casagranda, professora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) explica que a resposta está na formação do preço do combustível no País.

O gráfico abaixo mostra que o preço é composto pelo valor cobrado nas refinarias, somado aos impostos federais e estaduais, mais o custo com a adição de outros combustíveis e preços de distribuição e de revenda.⁣

(Arte: Thiago Mendes/Campo Grande News)
(Arte: Thiago Mendes/Campo Grande News)

A professora lembra que a redução no preço da gasolina depende sempre da queda em alguma das três fatias do gráfico acima. “Em alguma dessas partes do gráfico, algo poderia ser feito para reduzir o custo do combustível. Seria mais difícil fazer isso com o preço das refinarias, pensando que nosso petróleo é atrelado a um preço mundial (dólar). Também é mais difícil fazer isso com impostos federais, assim como mexer na margem de lucro dos postos, então uma das soluções encontradas foi reduzir a parte do ICMS”, detalha a especialista.

Entenda - Em junho, os impostos federais Pis/Cofins foram reduzidos a zero e o Governo do Estado decidiu pelo congelamento da pauta fiscal. Além disso, hoje (6), o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) também anunciou que a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre combustíveis, telecomunicações e energia será reduzida para 17%.

As medidas fazem com que, já neste começo de julho, o preço do litro da gasolina chegasse a menos de R$ 6,00 em vários postos da Capital, mesmo que a ainda existam estabelecimentos cobrando, em média, R$ 6,29. Valores abaixo dos R$ 6,00 não eram praticados desde outubro de 2021, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

A “colher de chá” com a redução do preço da gasolina “pode ser considerada um fôlego, pensando que têm outros preços que estão aumentando”, pontua a especialista. “Temos uma inflação considerada alta. Então quando você reduz o preço de um insumo, como é a gasolina, isso dá um fôlego para a economia para os custos fixos gerais da população”, detalha.

Data de validade - Casagranda também lembra que o cenário, mesmo se mostrando mais favorável agora, durará até o final do ano, o que é considerado curto prazo. “Ou o preço subirá de novo, ou alguma outra medida terá de ser tomada para que a redução nos impostos se mantenha. Isso vai depender do que estará acontecendo no momento”, analisa.

Até uma previsão é complicada, segundo ela, porque no ano que vem o País estará saindo do primeiro ano pós-pandemia, “então não temos como cravar uma solução”, considera Casagranda. Além disso, também será o início de um novo mandato na presidência da república, o que naturalmente gera instabilidades econômicas, seja quem for o vencedor da disputa eleitoral.

“Por mais que haja essa redução agora, uma esperança, o cenário ainda exige essa cautela, prudência, porque é algo que foi programado para ser um auxílio até o final do ano”, complementa.

Por agora, a desaceleração na escala de preços do combustível favorece toda uma cadeia consumidora e, claro, a população em geral. “O consumidor final é final porque, antes dele, vem toda uma cadeia de custos”, contextualiza Casagranda.

“Essa redução no combustível faz diferença para o consumidor final porque, desde a produção agrícola de qualquer alimento, a redução já dará algum benefício. Esse benefício passa para as fábricas, delas, para os atacadistas, que passam para os supermercados dos bairros e, consequentemente, para as famílias. É uma cadeia. Então alguns desses elos, senão todos, terão algum impacto. O tamanho desse impacto vai depender da administração dessa redução”, finaliza a administradora.

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