Eleições 2026: A maior obra de um governo é acabar com o analfabetismo
Estado pode tornar-se referência nacional se a educação superar interesses políticos e eleitorais

Há obras que impressionam pelo tamanho. Rodovias, pontes, hospitais, escolas, aeroportos e prédios públicos ajudam a impulsionar o desenvolvimento e melhoram a qualidade de vida da população. Mas nenhuma delas supera a maior de todas as construções: a formação de cidadãos por meio da educação.
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Mato Grosso do Sul tem condições únicas para erradicar o analfabetismo, com população pequena, economia em expansão e capacidade de investimento. Para isso, é preciso localizar quem ficou para trás, fortalecer a alfabetização, ampliar a educação de jovens e adultos e valorizar professores. Com as eleições se aproximando, a população deve exigir dos candidatos compromisso claro com a educação como política permanente de Estado.
Um Estado verdadeiramente desenvolvido não é apenas aquele que cresce economicamente. É aquele que oferece oportunidades para que todos possam aprender, trabalhar, inovar e construir uma vida melhor. E isso começa pelo direito mais elementar de qualquer ser humano: saber ler, escrever, interpretar e pensar.
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Mato Grosso do Sul reúne condições que poucos estados brasileiros possuem para enfrentar um desafio histórico: erradicar o analfabetismo. Com uma população relativamente pequena, economia em expansão e capacidade de investimento, o Estado pode estabelecer uma meta ousada, mas perfeitamente alcançável: garantir que nenhum sul-mato-grossense permaneça privado do direito de ler e escrever.
Não se trata apenas de abrir vagas nas escolas. É preciso localizar quem ficou para trás, fortalecer a alfabetização na idade certa, ampliar a educação de jovens e adultos, combater a evasão escolar, valorizar os professores, investir em tecnologia e transformar a educação na principal prioridade das políticas públicas. Municípios, Estado, universidades, empresas e organizações da sociedade precisam caminhar na mesma direção.
Os benefícios seriam incalculáveis. Uma população mais escolarizada produz mais, empreende mais, gera riqueza, reduz desigualdades, melhora os indicadores de saúde, fortalece a cidadania e consolida a democracia. O conhecimento rompe o ciclo da pobreza e oferece aquilo que nenhuma política assistencial consegue garantir de forma permanente: autonomia.
Infelizmente, ao longo da história brasileira, a educação nem sempre ocupou o lugar que merece. Em muitas regiões, a exclusão educacional acabou alimentando relações de dependência política. Quanto menor o acesso ao conhecimento, maior a vulnerabilidade à desinformação, ao clientelismo e às promessas fáceis. Uma democracia sólida exige cidadãos capazes de compreender seus direitos, fiscalizar seus representantes e cobrar resultados.
Não por acaso, os países que alcançaram os melhores níveis de desenvolvimento fizeram da educação uma prioridade absoluta. Investiram em professores, em pesquisa, em ciência e na formação de seus cidadãos. O retorno veio em forma de crescimento econômico, inovação, segurança e qualidade de vida.
Por isso, o combate ao analfabetismo precisa deixar de ser um programa de governo para tornar-se uma política permanente de Estado. Uma causa capaz de sobreviver às mudanças de gestão, unir partidos, superar diferenças ideológicas e mobilizar toda a sociedade.
Há outro requisito indispensável para alcançar esse objetivo: enfrentar com firmeza o desperdício do dinheiro público. Cada recurso desviado pela corrupção, cada privilégio injustificável, cada mordomia mantida pela máquina pública representa menos escolas equipadas, menos professores valorizados, menos bibliotecas, menos tecnologia e menos oportunidades para milhares de crianças, jovens e adultos. Combater a corrupção e racionalizar os gastos públicos não é apenas uma obrigação ética; é condição essencial para investir onde realmente se constrói o futuro.
As eleições se aproximam. Em vez de promessas fáceis ou discursos prontos, a população tem o direito de exigir dos candidatos um compromisso claro, objetivo e mensurável com a educação. Os homens e mulheres que receberem das urnas a responsabilidade de governar Mato Grosso do Sul terão diante de si a oportunidade de entrar para a história não apenas pelas obras de concreto, mas por liderar uma verdadeira revolução educacional, capaz de erradicar o analfabetismo e colocar o Estado entre os melhores sistemas de ensino do Brasil.
Esse deve ser o compromisso de quem pretende governar para a sociedade, e não para interesses pessoais, eleitorais ou partidários. A educação não pode ser tratada como slogan de campanha nem como promessa esquecida depois da posse. Precisa ocupar o centro das decisões públicas, acima das disputas políticas e das conveniências momentâneas.
A maior herança que um governante pode deixar não é uma avenida, uma ponte ou um edifício público. É uma geração de crianças alfabetizadas, jovens preparados para competir em igualdade de condições com qualquer brasileiro e adultos que tiveram a oportunidade de recuperar um direito que lhes foi negado durante boa parte da vida.
Se Mato Grosso do Sul deseja consolidar sua posição como um dos estados que mais crescem no País, precisa também ser reconhecido como um território onde o conhecimento é prioridade absoluta. O desenvolvimento econômico só será completo quando caminhar lado a lado com uma educação pública de excelência.
Nenhum Estado se torna grande apenas pelas riquezas que produz. Torna-se grande pela inteligência que cultiva, pelo conhecimento que compartilha e pelas oportunidades que oferece ao seu povo.
Erradicar o analfabetismo e transformar Mato Grosso do Sul em uma verdadeira ilha do saber não é um sonho impossível. É uma decisão política. Depende de governantes comprometidos com o interesse público, de uma classe política que compreenda que investir em educação rende muito mais do que alimentar privilégios, e de uma sociedade disposta a cobrar resultados.
Quando esse compromisso for assumido de forma coletiva, Mato Grosso do Sul deixará de ser lembrado apenas pela força do agronegócio, da indústria ou de suas riquezas naturais. Passará a ser reconhecido por aquilo que nenhuma crise é capaz de destruir: um povo instruído, livre, crítico e preparado para construir o próprio destino. Esse será, sem dúvida, o maior legado que uma geração de líderes poderá deixar às próximas gerações.

