O desafio vai além da eleição: reconstruir um sindicato à altura do jornalismo
Grupo defende gestão participativa, fortalecimento da categoria e reconstrução de sua relevância

A chegada de um grupo formado exclusivamente por mulheres à disputa pela direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul (Sindjor-MS) pode representar muito mais do que uma simples renovação de nomes. Pode marcar o início de uma nova fase para uma entidade que, apesar da relevância da profissão que representa, há anos ocupa um papel discreto no cenário estadual e pouco participa das grandes discussões sobre o futuro do jornalismo.
RESUMO
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A Chapa Aurora, formada exclusivamente por mulheres e liderada pela jornalista Suelen Morales, concorre à direção do Sindjor-MS nas eleições de 15 de agosto. O grupo propõe aproximar o sindicato das redações e ampliar a participação da categoria, que enfrenta desafios como redações menores e crescimento do trabalho autônomo. Entre as metas está a conquista de sede própria, algo que a entidade nunca conseguiu consolidar.
Liderada pela jornalista Suelen Morales, a Chapa Aurora – Vozes do Jornalismo surge em um momento em que a categoria enfrenta desafios inéditos. Redações cada vez menores, profissionais acumulando funções, crescimento do trabalho autônomo, mudanças tecnológicas e a pressão da desinformação exigem uma representação sindical mais ativa, moderna e próxima dos jornalistas.
As próprias integrantes da chapa conhecem essa realidade. São mulheres que conciliam a profissão com a maternidade, os estudos, a família e, muitas vezes, mais de um emprego para garantir o sustento. Essa experiência cotidiana ajuda a explicar a proposta de construir um sindicato baseado no diálogo, na transparência e na participação coletiva.
Embora seja composta apenas por mulheres, a candidatura afirma representar todos os jornalistas sul-mato-grossenses. O compromisso é aproximar o sindicato das redações, dos profissionais do interior, dos assessores de imprensa, dos freelancers e dos estudantes, ampliando o número de filiados e recuperando o sentimento de pertencimento da categoria.
Mas talvez o maior desafio esteja além da eleição.
Ao longo de sua história, o Sindjor-MS jamais conseguiu consolidar uma sede própria. Nos últimos anos, a entidade funcionou vinculada às instalações de outro sindicato, uma realidade que simboliza as dificuldades enfrentadas por uma categoria responsável justamente por informar a sociedade, fiscalizar o poder público e fortalecer a democracia.
Ter uma sede própria vai muito além da posse de um imóvel. Representa independência, estabilidade institucional e identidade. É o espaço onde a categoria pode se reunir, promover cursos, seminários, debates, confraternizações, atendimento aos profissionais e construir coletivamente as pautas que interessam ao jornalismo. É também um patrimônio que materializa a força e a organização de uma classe.
Inúmeros sindicatos brasileiros construíram essa trajetória ao longo dos anos graças ao engajamento dos próprios associados. Não há razão para que os jornalistas de Mato Grosso do Sul, cuja atuação é decisiva para a transparência pública e o exercício da cidadania, permaneçam sem uma estrutura que represente sua importância social.
A eleição marcada para 15 de agosto, embora tenha apenas uma chapa inscrita, pode ser um ponto de inflexão. Mais do que validar uma nova diretoria, os jornalistas têm a oportunidade de iniciar um movimento de reconstrução institucional, baseado na participação coletiva e no fortalecimento da entidade.
O desafio das futuras dirigentes será transformar o entusiasmo da renovação em resultados concretos: recuperar a credibilidade do sindicato, ampliar sua independência financeira, aumentar o número de associados e estabelecer metas permanentes para que a categoria, finalmente, conquiste uma sede própria e um protagonismo compatível com a importância do jornalismo para a sociedade.
A história mostra que nenhuma entidade de classe se fortalece apenas pela atuação de sua diretoria. Ela cresce quando seus profissionais compreendem que o sindicato não pertence aos dirigentes, mas à categoria. Se a eleição desta chapa representar o início dessa mudança de mentalidade, as mulheres poderão deixar um legado que vai muito além de um mandato: recolocar o Sindjor-MS no lugar que o jornalismo sul-mato-grossense merece ocupar.

