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Educação e Tecnologia

Ano letivo pode avançar 2021, mas depende de universidades

Presidente da Andife, João Carlos Salles, diz que universidades têm autonomia para alterar calendário, que não segue o ano civil

Por Silvia Frias | 11/05/2020 11:13
Na UFMS, corredores vazios e aulas virtuais, sem prazo para alterações (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)
Na UFMS, corredores vazios e aulas virtuais, sem prazo para alterações (Foto/Arquivo: Henrique Kawaminami)

O presidente da Andife (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais), João Carlos Salles Pires da Silva, disse que reprogramação dos calendários acadêmicos depende de cada universidade, mas lembrou que o “ano civil e ano letivo não coincidem”.

“As nossas atividades de 2020 podem entrar em 2021, como já acontece quando há greve nas universidades”, disse Salles, em entrevista coletiva essa manhã. Ele explica que cada universidade tem autonomia para essa definição.

O reitor da UFF (Universidade Federal Fluminense), Antônio Claudio da Nóbrega, membro da diretoria da Andifes, disse que as universidades estão colaborando para pensar cenários futuros de retorno às atividades, o que não significa que seja de forma presencial. “As evidências mostram que estamos longe desse momento”, disse.

Nóbrega disse que é preciso, também, respeitar as condições regionais e que o estudo em andamento deve ser agregado a um grupo unificado, até o fim da semana, para desenhar as condições do retorno. “É preciso propor modificações de estrutura para atender a nova realidade a partir da pandemia”, disse.

Na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), as aulas presenciais estão suspensas desde março e o ensino remoto permanece até o fim do semestre. Em nota, a instituição informou que “sem segurança, não haverá retorno de qualquer atividade presenecial” e plano de biossegurança está sendo elaborado pela direção de cada unidade. O aviso de retorno será dado com antecedência de 10 dias.

Salles também demonstrou preocupação com anúncio do governo federal de manutenção do calendário do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) com inscrições abertas a partir de hoje. O presidente da Andife avalia que a data permanece por questão burocrática, uma formalidade por conta das licitações, mas que, em um futuro próximo, seja alterado. “Não podemos simular normalidade, seria irresponsável”.

Combate – na coletiva, a direção da Andifes divulgou as ações das universidades federais no combate ao novo coronavírus (covid-19). O levantamento foi feito com 46 das 67 instituições ligadas à Andife para quantificar pesquisas e outras ações.

De acordo com levantamento, os HUs disponibilizaram 2.228 leitos regulares e 489 de UTIs para atendimento da população, viabilizados em parcerias para construção/operacionalização dos hospitais de campanha. Do total, 236 e 29, respectivamente, estão no HU em Mato Grosso do Sul.

Nessas instituições, 829 pesquisas estão em andamento, como do mapeamento do vírus, incidência na população ou de vacina contra a covid-19. A UFMS está com 25 pesquisas sobre a doença em desenvolvimento.

As instituições também estão trabalhando na fabricação de álcool em gel e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para atender os HUs, unidades de saúde e comunidade em geral. Já foram confeccionados 992,8 mil litros de álcool em gel, 912 mil litros do álcool líquido, 162,9 mil protetores faciais, 85,1 mil máscaras de pano, seis mil aventais e dois mil capuzes.

Da produção total, a UFMS participou com 5 mil litros de álcool etílico 77%, 6 mil litros de álcool glicerinao e 400 protestores faciais e máscaras.

A universidade também está auxiliando no resultado dos testes recolhidos no drive-thru em Campo Grande, 806 até agora. Em todo o País, segundo Andife, são realizados 2,6 mil testes diários.

Após apresentação dos dados, o presidente da Andife disse que as universidades estão trabalhando no combate ao vírus e espera que “reajam ao obscurantismo no nosso país”, sem citar nomes ou instituições.