Artefatos pré-coloniais indicam presença humana milenar em Campo Grande
O acervo desses achados integra a reserva técnica e expositiva do Museu de Arqueologia da UFMS

Campo Grande guarda vestígios de ocupação humana que remontam a mais de mil anos. A constatação vem de estudos arqueológicos realizados em sítios espalhados pelo município, onde já foram identificados ao menos 36 locais cadastrados no IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
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Estudos arqueológicos identificaram trinta e seis sítios em Campo Grande com vestígios de ocupação humana de mais de mil anos. Segundo o Museu de Arqueologia da UFMS, o acervo reúne fragmentos cerâmicos e artefatos de pedra lascada que revelam os hábitos de caçadores e coletores nômades, além de populações tardias ligadas às tradições Guarani e Tupi-Guarani. Localizados em áreas rurais e urbanas, esses locais são fundamentais para compreender a trajetória milenar dos habitantes da região.
De acordo com a coordenadora do setor de museus e parques da PROECE (Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Esporte), Laura Roseli Pael Duarte, esses sítios estão distribuídos entre áreas rurais e urbanas, sendo 27 no campo e 9 na região urbana. “Aqui em Campo Grande, nós temos mais de 35 sítios arqueológicos registrados no IPHAN. Muitos estão em propriedades privadas e outros em áreas urbanas”, explica.
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Um dos exemplos mais conhecidos é o sítio Córrego Prosa 01, localizado no Parque das Nações Indígenas. No local, arqueólogos encontraram materiais líticos que são artefatos de pedra lascada e fragmentos cerâmicos, que ajudam a reconstituir a presença e os hábitos de antigos grupos humanos.
Segundo a antropóloga Laura, parte desses materiais foi datada entre 635 e 1.300 anos antes do presente, o que permite estimar que a ocupação da região pode ter começado há mais de mil anos. “Com base nesses resultados, pode-se afirmar que a presença humana no local é bastante antiga”, destaca.
O acervo desses achados integra a reserva técnica e expositiva do Muarq (Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que reúne cerca de 200 mil peças em todo o estado, entre objetos de pedra e cerâmica provenientes de diferentes sítios arqueológicos.
Os materiais encontrados revelam aspectos importantes do modo de vida dessas populações. Os artefatos líticos eram usados para atividades como cortar, raspar e perfurar, típicas de grupos nômades caçadores-coletores. Já a presença de cerâmica indica um estágio mais avançado, com práticas como armazenamento e possíveis rituais, além do domínio da agricultura.
"Nas primeiras ocupações, não temos como saber exatamente quem eram essas pessoas, mas sabemos que viviam da caça, pesca e coleta”, explica Laura. Estudos mais recentes apontam para a presença de grupos ligados às tradições Guarani e Tupi-Guarani em períodos posteriores.

A arqueologia também ajuda a entender como esses grupos se deslocavam e ocupavam o território.
Fatores como proximidade de água, oferta de alimentos e características do terreno eram determinantes para a escolha dos locais de permanência, ainda que temporária, já que muitos desses grupos eram nômades e se moviam conforme a disponibilidade de recursos.
No contexto estadual, a ocupação humana em Mato Grosso do Sul é ainda mais antiga, com registros que chegam a 12.600 anos. Para especialistas, os sítios de Campo Grande são peças fundamentais para compreender essa trajetória e a dinâmica dos primeiros habitantes na região.
Além da relevância científica, os sítios arqueológicos também representam um patrimônio cultural importante, embora muitos estejam em áreas privadas, o que reforça a necessidade de preservação e conscientização sobre a importância desses vestígios históricos.


